23/02/2026

Café: “Comprados” ainda conseguindo defender a posição – Até quando?

 Café: “Comprados” ainda conseguindo defender a posição – Até quando?

 Foto Divulgação

Por Marcelo Fraga Moreira

 

Semana mais curta com o mercado abrindo na terça-feira nos EUA deixando todo mundo assustado! O vencimento março-26 (que agora praticamente expirou) chegou a abrir em leve alta – negociando nos 299,35 centavos de dólar por libra-peso – para em seguida chegar a cair -1.700 pontos. Com a finalização da rolagem dos contratos marco-26 para maio-26 e julho-26 os demais vencimentos também chegaram a cair até 1.500 pontos.

 

O vencimento julho-26 chegou a negociar na mínima dos últimos 7 meses @ 276,45 centavos de dólar por libra-peso (semana passada fechou @ 292,40 centavos de dólar por libra-peso e essa semana @ 281,10 centavos de dólar por libra-peso).

 

Os fundos + especuladores “comprados” ainda conseguiram segurar o mercado acima das mínimas da semana nos 4 próximos vencimentos: maio-26 / julho-26 / set-26 e dez-26, encerrando respectivamente @ 285,70 / 281,10 / 276,70 e 272,35 centavos de dólar por libra-peso.

 

Os vencimentos para 2027 chegaram a negociar abaixo dos 260 centavos de dólar por libra-peso. O set-27 chegou a negociar na mínima da semana @ 253,75 centavos de dólar por libra-peso! Ou seja, chegamos novamente no importante patamar psicológico dos 250 centavos de dólar por libra-peso!

 

O mercado spot segue firme, negociando ainda acima dos 1.900/2.000 R$/saca em algumas regiões. O mercado externo continua demandando produto brasileiro porém o produtor segue reticente nas vendas. E nos preços atuais o café brasileiro se tornou um dos mais caros do mundo na base C&F.

 

Para vendas safra 26/27 o mercado já chegou a negociar abaixo dos 1.600 R$/saca! E, com a entrada da safra esse spread entre produto disponível safra velha x produto disponível já a partir de junho/julho tendera a zerar nos próximos meses. Então, quem ainda tiver produto disponível acompanhe o mercado, as oportunidades, e aproveite para vender seu produto recebendo ainda 300-400 reais contra safra nova.

 

O mercado em Londres acompanhou NY e também chegou a cair 200 US$/tonelada (12 US$/saca ou 63 R$/saca). Foram reportados alguns negócios no conilon já abaixo dos 1.000 R$/saca! Por enquanto encerrou a semana ainda acima dos 1.050 R$/saca até os vencimentos nov-26!

 

Será que o mercado irá repetir o que aconteceu na safra passada quando o conilon saiu dos saudosos 1.900 R$/saca e chegou a negociar nos 970 R$/saca? Muitos ainda comentam que existe estoque disponível nas mãos dos produtores e que a indústria já voltou a substituir café arábica nos blends pelo conilon mais barato. Com um spread de 800-900 R$/saca faz todo sentido!

 

Os fundos + especuladores encerraram a semana ainda comprados em 1.886 lotes! Se decidirem “virar a mão” em breve veremos NY negociando nos 250/230 centavos de dólar por libra-peso arrastando o conilon para os 2.800 US$ por tonelada.

 

Pela projeção (com base nos dados da Cecafé) o Brasil poderá exportar agora no mês de fevereiro entre 2.50-3,0 milhões de sacas!

 

O mercado também já comprou a ideia que teremos café conilon “novo” já a partir de abril-26, com operações de colheita já começando no mês de março em Rondônia! Então, consumidor industrial e tradings seguem comprando apenas o necessário para honrar seus compromissos.

 

Creio que dificilmente vamos voltar a ter NY acima dos 350 centavos de dólar por libra-peso e Londres acima dos 4.500 US$/tonelada. Daqui pra frente apenas um efeito climático severo já prejudicando a safra 27/28 poderá ter esse efeito.

 

Se a safra 26/27 for mesmo acima dos 70 milhões de sacas então a safra 27/28 poderá facilmente ultrapassar os 80 milhões de sacas! A partir da safra 27/28 os estoques mundiais voltarão a ficar em níveis “confortáveis”, acima dos 10-15%.

 

No curto prazo creio que não tem muito a ser feito. Apenas o produtor aproveitar algum repique nos preços, alguma janela de oportunidade e vender café arábica acima dos 1.600/1.700 R$/saca e conilon, se ainda possível, acima dos 1.200/1.300 R$/saca.

 

Em tempo: a grande notícia da semana veio novamente dos EUA com a Suprema Corte americano cancelando o tarifaço do Trump! Imediatamente Trump já avisou que irá aplicar novas tarifas generalizadas já na semana que vem entre 10-15%, baseado em outra lei americana que lhe permite aplicar como presidente do país. Vamos aguardar e ver o que poderá acontecer.

 

Aparentemente o mercado começou a precificar um US$ mais fraco e uma nova valorização mais acentuada das moedas dos países emergentes. Será que veremos o R$ novamente negociando abaixo dos 5,00 R$/US$ em ano eleitoral?

 

Como sempre: Produtor proteja-se!

 

Aproveite os momentos de alta no mercado e aproveite as oportunidades – ainda bem acima do custo de produção da grande maioria dos produtores!

 

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