"Pacote de bondades" é o ápice da economia de Lula, diz Leonardo Barreto
Leonardo Barreto - Foto reprodução CNN Brasil
Segundo Leonardo Barreto, da Think Policy, os oito projetos do governo injetarão R$ 88 bilhões na economia, gerando impacto fiscal e pressão inflacionária.
O pacote econômico anunciado pelo governo federal, que prevê a injeção de R$ 88 bilhões na economia brasileira por meio de oito projetos, representa o ápice do modelo econômico adotado pela atual gestão, segundo avaliação do economista Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy.
Em entrevista ao WW, Barreto caracterizou o conjunto de medidas como um "pacote de bondades" que materializa o que ele denomina "Lulanomics" — termo que utiliza para descrever a filosofia econômica do atual governo, baseada em uma visão específica sobre a distribuição de benefícios.
"Esse pacote é o ápice do que a gente pode chamar de Lulanomics, porque ele deve ter aprendido enquanto era do sindicato que isso é muito natural, que administrar é distribuir benefícios", afirmou Barreto. Segundo o economista, trata-se de "uma perspectiva bem pecuniária da democracia".
O especialista explicou que o modelo funciona em duas etapas: primeiro, gera-se um ambiente macroeconômico complicado que eleva a inflação e as taxas de juros, criando dificuldades para a população em geral. Depois, o governo intervém oferecendo linhas de crédito subsidiadas e benefícios direcionados, formando assim uma base de apoio.
Impacto nas classes médias
Barreto destacou que o pacote contempla principalmente a classe média e a classe média baixa, segmentos mais afetados pela elevação das taxas de juros. "É muito interessante a gente olhar para esse extrato que o BTG fez e perceber que ali está contemplado principalmente classe média e classe média baixa, que é uma principal vítima dessa asfixia gerada pelos juros", observou.
De acordo com o economista, o mecanismo cria uma relação de dependência: "Você tem uma administração fiscal complicada, isso cria inflação, isso aumenta a taxa de juros, cria um problema para todo mundo. Mas aí no final você chega e diz: "tem uma linha de crédito aqui, eu vou subsidiar sua casa ali, eu vou ajudar você a comprar sua moto aqui", e a partir daí você cria clientes".
O conjunto de medidas anunciado pelo governo prevê subsídios para aquisição de moradias, facilitação na compra de veículos como motos, entre outras iniciativas voltadas principalmente para os setores médios da sociedade. Na avaliação do economista, essas ações têm um claro objetivo político e econômico de formação de bases de apoio em um contexto de dificuldades macroeconômicas (CNN Brasil, 26/1/26)

