A Casa do Master caiu: Onde o Lula não está? – Por Paula Sousa
Foto Reprodução Blog ResearchGate
Parece que, em Brasília, o "amor" não é a única coisa que flui; o dinheiro público também adora pegar atalhos criativos. O escândalo do Banco Master agora atingiu o nível de pânico geral, e o que era um simples "problema de banco" virou uma crise de governabilidade que deixa qualquer um com o cabelo em pé. A lama está batendo no teto, e a cada nova página dessa história, as digitais de Lula e de seu entorno aparecem mais nítidas, como se tivessem sido passadas em tinta fresca.
A mais nova pérola dessa odisseia é a tentativa do Master de fincar suas garras no Minha Casa, Minha Vida. Segundo a Revista Oeste, a ideia era focar em cidades de até 80 mil habitantes, criando uma "capacidade de execução paralela" à da Caixa Econômica. O objetivo? Dar ao Master autonomia total para gerenciar contratos, liberando-o da "burocracia" (também conhecida como fiscalização) da Caixa.
Quem estava na linha de frente dessa brilhante ideia era Ricardo Laser Gonçalves, ex-ministro da era Dilma. Como diz a própria matéria: "Subordinar a modalidade oferta pública a qualquer tipo de subordinação financeira e administrativa à Caixa Econômica significa inviabilizar a participação de instituições financeiras privadas". Traduzindo: queriam a chave do cofre sem ninguém olhando.
Já imaginou a alegria do cidadão que, além de lidar com os problemas históricos de construção do programa, ainda corresse o risco de ficar sem o teto porque o banco operador decidiu quebrar no meio do caminho? Seria o retorno triunfal do fantasma da Encol, aquela construtora que deixou milhares a ver navios nos anos 2000. Mas, para a sorte — ou azar — do governo, o negócio não avançou porque, ao que tudo indica, o banco "deu xabú" antes de assinarem o papel.
Onde o Lula entra nisso? Bom, a pergunta correta agora é: onde ele não entra? A coluna de Malu Gaspar em O Globo já avisou: "Nenhuma grande fraude sobrevive sem muitos cúmplices". O pânico em Brasília é real porque a rede de proteção começou a rasgar. Temos o atual ministro Ricardo Lewandowski, que, segundo a própria Gleisi Hoffmann informou ao site g1, avisou Lula sobre seus contratos de consultoria privada com o banco. O Master chegou a pagar R$ 6,5 milhões por conselhos ao pai e, depois, buscou opiniões do filho sobre impostos. Tudo em família e com o "ok" do chefe.
A coisa fica ainda mais interessante quando olhamos para os investimentos do banco. Como o Banco Central não notou que o banco de Daniel Vorcaro injetou R$ 500 milhões em uma pequena empresa de festas infantis com túneis de vento? Ou o apetite voraz por precatórios que o mercado sabia que valiam pouco, mas que no balanço do banco brilhavam como bilhões? E, por coincidência ou destino, o governo Lula decidiu pagar precatórios em 2023 e 2024 como se não houvesse amanhã. É muita coincidência.
Os tentáculos, como bem descreveu a Gazeta do Povo, chegam ao SUS. Uma fábrica de insulina ligada a Vorcaro — e inaugurada com pompa por Lula — já abocanhou mais de R$ 300 milhões em contratos com o governo. Da saúde à moradia, do Incra à segurança, o Master parece ser o banco oficial da "gestão da amizade".
No STF, o clima é de velório com direito a cobrança de fatura. Malu Gaspar relata que os ministros estão magoados com a "ingratidão" de Lula. Nos bastidores, dizem que "depois de tantos serviços prestados, o presidente é muito ingrato ao deixá-los arder no escândalo". É uma confissão de dar inveja: serviços prestados? Em uma República, juízes não prestam serviços ao Executivo, eles julgam. Mas, pelo visto, o "serviço" de ressuscitar politicamente quem estava condenado e equilibrar a balança eleitoral em 2022, agora está sendo cobrado com juros e correção.
A CVM também não fica de fora desse show de horrores. Com inquéritos parados e multas irrisórias, a autarquia parece ter passado por cima de pareceres técnicos para facilitar a vida do Master. Enquanto isso, o diretor de fiscalização do Banco Central mandava mensagens desesperadas para o BRB comprar carteiras do Master para salvá-lo da liquidação. Um total de R$ 12 bilhões em socorro "amigo".
A verdade é que o governo Lula parece ter apostado que poderia controlar o incêndio, mas a lama se espalhou para todos os lados. Como o PT é um bando de gafanhotos que só pensa na próxima plantação, os aliados de ontem agora são os que "ardem" no escândalo de hoje. Lula sabia de tudo, assinou embaixo e agora assiste ao castelo de cartas — ou de precatórios e túneis de vento — desmoronar. A casa não caiu; ela desabou com todo mundo dentro. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista: 30/1/2026)

