A elite do “nojinho” e o lucro recorde dos banqueiros do Lula
Por Paula Sousa
Existe uma piada de péssimo gosto sendo contada no Brasil, e você — que se acha super esclarecido porque lê manchete de jornal e faz biquinho para o Bolsonarismo — é o palhaço principal da plateia.
Você realmente acredita que os donos do Itaú, a Luiza Trajano da Magazine Luiza, os banqueiros engomados da Faria Lima e o elenco da TV Globo apoiam o governo Lula porque acordam todos os dias preocupados com a fome no sertão? Se você acredita nisso, parabéns: seu cérebro foi completamente amaciado pela propaganda.
A matemática é tão simples que basta colocar dois neurônios para funcionar. Vamos ao elo que junta a ganância dos milionários, o cinismo da esquerda e a sua ingenuidade cobrada em juros compostos.
O milagre da multiplicação dos bilhões
Lula adora subir no panteão da virtude e dizer que governa para os pobres. Para provar sua "bondade", ele cria uma coleção de bolsas, vales e programas como o Pé de Meia, Luz para Todos, Move Brasil, etc. Parecem atos de generosidade, mas são a isca perfeita de um anzol financeiro destruidor.
Para pagar esse festival de bondades sem cortar um centavo da máquina pública, o governo precisa pegar dinheiro emprestado no mercado. Ele emite títulos da dívida pública como se não houvesse amanhã. E qual é a consequência inevitável de um governo gastador que estoura o orçamento? A taxa de juros precisa ir para a lua para atrair quem financia a brincadeira.
Adivinha quem tem bilhões para emprestar ao governo a juros estratosféricos? Os mesmos banqueiros que você acha que são "sociais".
Recentemente, a manchete do jornal Estadão avisou sem rodeios: “País não aguenta mais quatro anos de gasto crescente, déficit público astronômico e juros na Lua”. Mas adivinha quem ama essa taxa de juros na Lua? Uma reportagem escancarou a realidade com o título: “Recorde de lucros deixa banqueiros satisfeitos com a política de Lula”.
A Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban) mostrou que os bancos brasileiros lucraram inacreditáveis 45,8 bilhões de dólares em apenas doze meses. Isso é mais do que a soma dos lucros dos bancos de 15 países da América Latina juntos! É o dobro do orçamento inteiro do governo federal para a Educação no ano.
Enquanto o cidadão comum se esmola com um trocado do assistencialismo e paga a conta da inflação no supermercado, o banqueiro do Itaú e a elite da Faria Lima colocam bilhões no bolso sem produzir um único parafuso. O discurso é para o pobre, mas o cheque gordo vai direto para o cofre do rico.
O "nojinho" Estético e a fantasia da terceira via
Aí você pergunta: se a Faria Lima ganha tanto dinheiro com o PT, por que de vez em quando eles ensaiam uma reclamação?
É aí que entra o risco do negócio. O mercado adora enriquecer com a farra dos juros, mas lá no fundo sabe que o brinquedo uma hora quebra. O medo deles não é a pobreza do povo; é a moratória. É o fantasma de 1987, quando o governo deu um calote na dívida e mandou todo mundo limpar a bunda com papel do tesouro.
Por isso, a Faria Lima vive em busca do seu "santo graal": a tal da terceira via. Eles babam por um governo que mantenha os negócios de balcão e os privilégios estatais, mas com uma embalagem engomada, cheirosa e cheia de vocabulário chique — sem contar a vista grossa para as transações cabulosas com facções e grupos sombrios que até o governo americano já começou a expor. É metade cálculo frio de bolso, metade "nojinho" estético da direita do povo, o bolsonarismo.
A elite financeira acha o bolsonarismo tosco demais para o seu paladar refinado. Eles preferem mil vezes negociar com a esquerda corporativista, com quem já sabem exatamente quanto custa o balcão de negócios, do que aceitar um governo que realmente defenda o livre mercado e o fim dos privilégios.
O teatro das tesouras 2.0 e o adestramento da oposição
Se você quer entender como a política funciona de verdade nos jantares de Brasília, preste atenção no que disse o próprio José Dirceu. O homem que fez treinamento de guerrilha em Cuba e foi condenado no Mensalão e na Lava Jato escancarou a estratégia sem qualquer pudor:
“Isolar a extrema-direita... Onde nós não temos um candidato forte, se tiver um de direita civilizada, é ele. Porque nós não podemos deixar um Bolsonaro crescer.”
Você entendeu o golpe? O que José Dirceu chama de "direita civilizada" nada mais é do que uma direita adestrada. Uma oposição fantoche que aceita balançar o rabo para o sistema, pedindo licença para existir.
Isso é a reedição exata do velho Teatro das Tesouras. Durante duas décadas, PT e PSDB fingiam que eram inimigos mortais na televisão, mas no fundo eram duas lâminas da mesma tesoura cortando para o mesmo lado. A farsa ficou tão evidente que terminou com Geraldo Alckmin virando vice de Lula sorrindo para as fotos.
Hoje, o sistema precisa desesperadamente de uma nova "segunda lâmina". E adivinha quem se encaixa perfeitamente nesse papel de oposição boazinha, que não tira o sono de nenhum cacique de Brasília? Nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Ciro Gomes.
Eles são o sonho da esquerda e da Faria Lima: figuras que aceitam jogar dentro das regras do estamento, fazem discurso bonitinho sobre "responsabilidade" e jamais contestam as bases da ocupação do Estado. São os candidatos perfeitos para o regime fingir que existe democracia enquanto mantém o controle total do orçamento.
Por que o bolsonarismo causa insônia no sistema?
É exatamente por isso que a máquina moedora de reputações rotula Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e seus aliados mais fiéis como "extrema-direita".
Não é porque eles são radicais. É porque eles não podem ser controlados por um briefing da Faria Lima ou por um acerto de gabinetes em Brasília.
O Bolsonarismo não nasceu de cima para baixo em uma reunião de gabinete de marketing ou em um jantar de gala no Jardim Europa. Ele é um movimento genuinamente popular, que veio de baixo para cima — do caminhoneiro, do pequeno comerciante, do agricultor, da família que não aguenta mais pagar imposto para sustentar privilégios de banqueiro e artista militante.
A elite aristocrática socialista de Brasília e os milionários de moletom da Faria Lima não se conformam com isso. Eles odeiam a ideia de que o povo de verdade invadiu a política sem pedir licença aos "adultos da sala". Por isso, usam a imprensa, o aparato judicial e o rótulo de "extremistas" para perseguir e criminalizar quem faz oposição real.
Acorde antes que a porta se feche
O artigo da revista Veja mostrou o cenário sem maquiagem: “PIB perde força e o governo Lula tenta conter o estrago com uma enxurrada de estímulos”. O resultado dessa receita todo mundo já conhece: inflação alta, juros estandardizados e o endividamento do país caminhando para 100% do PIB.
Se você continua achando chique ter “nojinho” do movimento popular e torce por uma “direita civilizada” adestrada pela Faria Lima, saiba que você está sendo feito de bobo por quem conta dólares à suas custas.
A elite financeira compra títulos a juros exorbitantes, os artistas gravam vídeos de conscientização social recebendo verba pública, e o PT garante o projeto de poder dividindo o país. E você? Você fica com a conta da luz mais cara, a gasolina nas alturas e a ilusão de que faz parte da turma “esclarecida”.
O falso liberalismo e a esquerda caviar sempre comem os ingênuos por último. Mas pode ter certeza: eles comem. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 31/7/2026)

