A força do agro em um cenário desafiador – Por Luiz Carlos Trabuco Cappi
A característica do empresário do setor de trabalhar sempre no propósito de superar dificuldades explica como o Brasil é hoje uma referência global. Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Agro sob teste: juros, incertezas globais, El Niño e medidas protecionistas desafiam resiliência.
Ao buscar modelos de equacionamento de dívidas, redução de riscos e financiamentos adequados, o agronegócio terá segurança para fortalecer a marca Brasil com nova trajetória de crescimento
O protagonismo do agronegócio nos indicadores de crescimento da economia brasileira é identificado não só pelos dados estatísticos, mas principalmente pelos valores agregados ao País. O setor, e a sua vocação pela inovação, transformou o modelo de produção e alçou o Brasil à condição de um dos líderes da segurança alimentar do mundo.
O dinamismo do agronegócio e sua capacidade de gerar riqueza para toda a sociedade tornou-se uma identidade brasileira. Há cinco décadas, o Brasil precisava importar parte dos alimentos que consumia. Segundo os dados do PIB de 2025 do IBGE, o campo foi responsável por exportações de US$ 144 bilhões. Hoje, o setor emprega 28,4 milhões de pessoas, o que representa 26,3% da mão de obra do País.
Na produção, registrou altas de dois dígitos com soja, milho e laranja, entre outras culturas. Na pecuária, quebrou recordes em bovinos, produção de ovos e de leite. Esse desempenho fez o setor crescer 11,7% sobre 2024, acima dos demais segmentos e com peso decisivo na alta de 2,3% do PIB.
Essa performance foi alcançada em meio a um cenário econômico de juros altos e disputas comerciais crescentes. A alta nos insumos, provocada pela quebra de cadeias produtivas em razão de guerras, se somou a esses fatores. A produção encareceu e a receita diminuiu. As margens sofrem pressão.
Neste momento, um novo ciclo se inicia com a formalização do Plano Safra 2026/27. Os pontos positivos são a redução de taxas em até dois pontos e o incremento de R$ 9 bilhões sobre o ano anterior, somando agora R$ 525,1 bilhões destinados ao financiamento de médios e grandes produtores. Desse total, R$ 414,7 bilhões são destinados a custeio e comercialização, e R$ 110,3 bilhões aos investimentos.
O cenário desafiador de juros altos, incertezas globais, medidas protecionistas e fenômenos climáticos como o El Niño testarão, ao longo da nova safra, a reconhecida resiliência do agronegócio brasileiro com relação a intempéries naturais e econômicas.
Essa característica do empresário do setor de trabalhar sempre no propósito de superar dificuldades explica como o Brasil é hoje uma referência global, com a adoção de práticas como a tecnologia de dupla safra, o avanço da biotecnologia e a agricultura de precisão.
Ao buscar modelos de equacionamento de dívidas, redução de riscos e financiamentos adequados, o agronegócio terá segurança para realizar nova trajetória de crescimento, fortalecendo a marca Brasil entre os consumidores globais (Luiz Carlos Trabuco Cappi é presidente do Conselho de Administração do Bradesco; Estadão, 13/7/26)

