07/07/2026

Agronegócio mantém ritmo recorde de exportações no 1º semestre

Agronegócio mantém ritmo recorde de exportações no 1º semestre

Exportação do agro. Foto Reprodução Blog Portal do Agronegócio

  • Vendas externas do setor somam US$ 86,5 bilhões, com aumento de 6% no período
  • Importação de agrotóxico é de 333 mil toneladas, volume 7,5% inferior ao de 2025

 

Apesar do cenário difícil no mercado externo, principalmente por problemas geopolíticos, as exportações do agronegócio do Brasil somaram US$ 86,5 bilhões no primeiro semestre, um recorde para o período e 6% acima das de 2025. As importações, com o aumento dos preços dos insumos, principalmente dos fertilizantes, subiram para US$ 17,2 bilhões, 3% a mais.

 

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que aponta boa evolução das exportações de soja, carnes e milho, mas recuo nas de café e de açúcar. Boa parte das receitas obtidas pelo Brasil no mercado externo vem do complexo soja (grão, farelo e óleo). De janeiro a junho, foram US$ 34,9 bilhões.

 

A soja, com a produção recorde deste ano, lidera as exportações. No primeiro semestre, o país colocou 69,6 milhões de toneladas da oleaginosa no mercado externo, com receitas de US$ 29,1 bilhões. Houve aumento também nas exportações de farelo e de óleo, uma vez que o país vem obtendo um patamar recorde de esmagamento interno, principalmente para atender o mercado de biodiesel.

 

As carnes, com receitas de US$ 17,4 bilhões no ano e aumento de 26%, continuam sendo o grande destaque. O volume exportado atingiu 5,43 milhões de toneladas, somando as três principais proteínas (carnes bovina, suína e de frango).

 

Todas as três chegaram a patamares recordes de exportação neste ano, mas a bovina, com a demanda chinesa, já soma US$ 9,9 bilhões. Ao contrário do ano passado, quando as tarifas dos Estados Unidos puseram um freio na entrada de carne bovina brasileira por lá, o Brasil voltou ao mercado americano e aumentou as vendas para a China.

 

Nos próximos meses, a carne brasileira ficará mais cara para os chineses, devido ao preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas sem a tarifa extra de 55%. Essa taxa agora será somada aos 12% já existentes. Além disso, os europeus prometem barrar a carne bovina e a de frango a partir de setembro.

 

No mês passado, a União Europeia importou 28 mil toneladas de carne de frango e 8.194 de carne bovina. Os volumes são pequenos em relação aos principais mercados, mas os preços pagos pelos europeus são maiores. Em junho, os europeus pagaram uma média de US$ 9.200 por tonelada de carne bovina. Os chineses, US$ 6.682.

 

As exportações de milho, embora o período de maior venda externa seja no segundo semestre, aumentaram 21% de janeiro a junho, atingindo 1,79 milhão de toneladas. O Brasil, no entanto, terá dificuldades nas exportações dos próximos meses, devido à concorrência do cereal dos Estados Unidos e da Argentina, países que tiveram recorde de produção.

 

Entre as quedas de receitas, estão dois dos importantes produtos da balança comercial brasileira: café e açúcar. Ambos tinham valores elevados devido à menor oferta nos anos recentes. O quadro de oferta mundial se recompõe, e os preços são menores. Isso se reflete na balança comercial brasileira, uma vez que o país é líder mundial nesses dois produtos.

 

As importações brasileiras de produtos relacionados ao agronegócio mantiveram alta, devido ao aumento de preços dos principais insumos que o país compra. Entre eles, os fertilizantes. O país adquiriu 18,3 milhões de toneladas de janeiro a junho desse insumo, 6% a menos do que no ano passado, mas gastou US$ 7 bilhões, 9% a mais. Já as importações de agrotóxicos recuaram para 7,5% em volume e 14% em despesas. O país importou 333 mil toneladas no ano (Folha, 7/7/26)