Agropecuários fecham semestre com forte queda de preços no campo
Mulher em Supermercado- Foto Freepik
- Queda ajuda a segurar inflação dos alimentos no período, que teve alta de 4%
- Café robusta, com recuo de 41%, e arroz, com 29%, lideram retrações no semestre
Os produtos agropecuários terminaram o primeiro semestre com forte queda no campo, o que ajudou a segurar a taxa de inflação dos alimentos. Dos 12 principais produtos, apenas feijão e a arroba de boi tiveram alta nos primeiros seis meses, em relação a igual período do ano passado.
As quedas foram acentuadas, com destaques para as de café, açúcar, arroz e suíno, produtos negociados com valores 24% inferiores aos de igual período do ano passado. O café robusta lidera a desaceleração de preços, negociado a R$ 1.035 por saca neste ano, 41% a menos do que de janeiro a junho de 2025. Já o café arábica teve recuo de 25%.
Após um período de forte aceleração nos últimos anos, devido à menor oferta de café no mercado mundial, os preços começaram a recuar com a recomposição de produção do Vietnã, maior produtor de café robusta, e do Brasil, líder na oferta de café arábica.
A média de preços deste mês mostra uma nova alta, embora ainda com valores abaixo dos da média mensal do primeiro semestre. O produto reflete a alta de Nova York e de Londres, devido à maior participação dos fundos financeiros nas negociações. Segundo a Datagro, é um movimento técnico e não reflete o fundamento de oferta.
O arroz tem queda de 29% na comparação dos preços médios deste primeiro semestre com os de igual período de 2025. A oferta interna do cereal é boa, e as exportações não fluem como nos anos anteriores. O mercado mundial tem estoques maiores, os preços desaceleraram e o produto brasileiro perde competitividade em relação a outros exportadores.
A carne suína ficou 24% mais barata no campo neste ano. Em resposta à procura externa crescente, a produção brasileira avançou demais. O preço médio recebido pelo produtor recuou para R$ 6,44 neste ano, abaixo dos R$ 8,47 do ano passado, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O frango, embora o país venha obtendo recordes de exportação, cai 13%, considerando o valor médio do kg de frango resfriado no estado de São Paulo.
O milho vem em queda desde março do ano passado, quando estava negociado a R$ 90 por saca. Neste ano, os preços médios estão em R$ 67, mas a média de junho já indicava R$ 64, segundo o Cepea. O produto brasileiro não tem muito espaço para aumentos, uma vez que a safra do ano passado foi boa e a deste ano também deverá ser. Além disso, o cereal brasileiro encontra forte concorrência dos americanos e argentinos no mercado externo, o que dificulta as exportações.
O milho cria uma dinâmica interna própria de negociação, segundo a Datagro. Os preços pagos em Sorriso (MT), descontados os fretes, são superiores aos do porto de Paranaguá. A indústria de etanol de milho e a saída pelos portos do Arco Norte deram nova dinâmica de precificação para o cereal, segundo a corretora.
O preço médio da soja recuou para R$ 123 por saca na média do ano no Paraná, 4% a menos do que em 2025. Neste ano, as negociações ainda não estão bem definidas entre Estados Unidos e China; ainda assim, os chineses estão adquirindo mais soja dos americanos.
O trigo, com a oferta maior no mercado externo, principalmente na Argentina, principal exportadora para o Brasil, cai 15%, e o açúcar, recompostos os estoques mundiais, teve queda de 13% no semestre.
As puxadas de preços vêm do feijão e do boi. A alta do feijão, devido à menor oferta, foi de 36%, com o valor médio da saca subindo para R$ 358 no semestre. A arroba de boi foi negociada a R$ 345, com alta de 9% no ano. A demanda externa de carne bovina foi forte neste primeiro semestre, principalmente por parte da China, onde houve uma corrida para o preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas sem o pagamento da taxa extra de 55%. Preenchida essa cota, a carne brasileira entra no mercado chinês com tarifa de 67%, uma vez que já existe uma taxa padrão de 12% (Folha, 11/7/26)

