AL: Deputado pede retratação de presidente sub judice da Faesp/Senar

Deputado estadual Lucas Bove (PL)
A Assembleia Geral Extraordinária convocada por Tirso Meirelles, presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar, que culminou com a exclusão de Paulo Junqueira, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto do Conselho de Representantes da entidade no último dia 2 de junho, continua a repercutir. Além do anúncio da criação da Federação dos Produtores Rurais do Estado de São Paulo e de uma iminente intervenção no Sistema Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural paulista, o deputado estadual Lucas Bove (PL) acaba de fazer pronunciamento da Tribuna da Assembleia Legislativa no qual pede a “retratação pública” de Tirso Meirelles e da própria Faesp/Senar.

Ex-comandante da Rota no governo Geraldo Alckmin, “Assessor de Segurança” do presidente sub judice da Faesp/Senar e do município de São Roque. Foto Linkedin
Como se recorda, o parlamentar esteve na sede da Faesp/Senar no centro de São Paulo antes do início da Assembleia Geral Extraordinária e foi retirado do auditório da entidade pelo coronel reformado e ex-comandante da Rota Alberto Sardilli, que se apresenta no Linkedin como “Assessor da Presidência da Faesp/Senar”. Ele também se apresenta no mesmo Linkedin como “Assessor Especial de Segurança em São Roque”, o que talvez explique a presença de uma viatura da Guarda Civil Municipal de São Roque em frente à sede da Faesp/Senar junto com viaturas da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo e da Polícia Militar na manhã do evento.
Tirso Meirelles, que vem impondo uma perseguição implacável e revanchista aos dirigentes sindicais patronais rurais paulistas de oposição, excluindo-os dos repasses do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar, encaminhou documento ao gabinete do deputado estadual Lucas Bove (PL) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, pedindo que o parlamentar se retratasse face ao incidente lamentável provocado antes do início da Assembleia Geral Extraordinária do último dia 2/junho.
Da Tribuna da Assembleia, o deputado Lucas Bove fez o seguinte pronunciamento:
“Gostaria de dar uma resposta pública. Recebi em meu gabinete, ofício da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Senar, assinado pelo presidente (sub judice) Tirso Meirelles, com pedido de retratação.
Estive presente na Assembleia Geral Extraordinária, convocada para o último dia 2 de junho, com o intuito cassar a participação de Paulo Junqueira, advogado, produtor rural, presidente do Sindicato e da Associação Rural de Ribeirão Preto e da Assovale – Associação Rural Vale do Rio Pardo, também candidato da chapa “Nova Faesp” de oposição na federação.
A Faesp é comandada há quase 50 anos pela mesma pessoa (Fábio de Salles Meirelles) e que agora quer passar o comando para seu filho (Tirso Meirelles).
A federação recebe dinheiro público do Sistema S, e, na minha opinião, não tem transparência na gestão de suas contas. Também não tem um serviço relevante prestada ao agro paulista. Tanto é que não tem nenhum convênio firmado com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado.
O seu presidente Tirso Meirelles (sub judice) criticou o Fundesa (Fundo de Defesa Estadual da Sanidade Animal é um fundo indenizatório criado pelo Estado de São Paulo para garantir a segurança dos pecuaristas em caso de emergências sanitárias, como febre aftosa. Este fundo visa complementar a indenização da União em caso de abate de animais suspeitos ou atingidos por doenças, assegurando o bem-estar dos pecuaristas e a sanidade animal no Estado) quando o programa já estava em curso. Talvez ele não tenha prestado atenção, mesmo tendo sentado à mesa de discussões deste importante projeto para a pecuária do Estado.
Fui à Assembleia Geral Extraordinária da Faesp/Senar para defender a democracia, como o fazemos aqui diariamente no Plenário da Assembleia Legislativa e dizer que era um absurdo a Federação da Agricultura cassar o mandato de um opositor, equiparando-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) e dizer também que eleição se ganha no voto, democraticamente, e não cassando os direitos de seus opositores.
Fiz uma fala antes da Assembleia ser iniciada, sem microfone. Aí um assessor, gentilmente, me ofereceu um microfone. Comecei a discursar e o mesmo assessor acabou tomando o microfone das minhas mãos. Continuei falando e começou um burburinho culminando com o pedido para que eu me retirasse da sala. Com os ânimos aflorados, saí calmamente do local e percebi, já fora do prédio, o grande número de viaturas da Guarda Municipal Metropolitana de São Paulo, Polícia Militar e até mesmo viaturas de outros municípios (Guarda Civil Municipal de São Roque).
Em nenhum momento tumultuei e apenas pedi para falar antes da Assembleia começar. Como deputado estadual, representante do agro aqui na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, fui retirado do prédio da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, prédio que deveria servir ao público.
Portanto, se tem alguém que precisa se retratar este alguém é o presidente da Faesp/Senar (sub judice) e a própria Federação. Vale ressaltar que em meu pronunciamento, iniciei elogiando a atual gestão dizendo que eu não estava ali para fazer discurso de juízo de valores, mas para defender a democracia
Daqui da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, informo à Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar e ao seu presidente (sub judice) Tirso Meirelles que não me retratarei. Espero, sim, uma retratação da Faesp/Senar por terem retirado um representante do povo e que presta serviços ao público antes do início desta Assembleia Geral Extraordinária” (Da Redação, 11/6/25)

