06/10/2026

Alimentação volta a subir e pesa mais na taxa de inflação em SP

Alimentação volta a subir e pesa mais na taxa de inflação em SP

 Foto Freepik

  • Produtos que vinham em queda, como o arroz e óleo de soja, mudam de tendência
  • Pelos dados da Fipe, alimento industrializado não acompanha alta vinda do campo

 

O alívio que alguns produtos estavam dando à inflação dos alimentos está terminando, e a taxa voltou a subir. Em setembro, os alimentos aumentaram 0,44% em São Paulo, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Essa taxa é a maior desde o final de junho. A Fipe divulga semanalmente uma taxa de inflação com os preços médios acumulados em 30 dias.

 

As altas vêm do campo, mas nem sempre a indústria consegue acompanhar esses aumentos. De janeiro a setembro, a inflação dos alimentos foi de 3,6%, mas os derivados de carnes tiveram queda de 1,6%, e os óleos comestíveis, de 7,5%. Massas e panificados subiram 1%, e o aumento total dos industrializados foi de apenas 0,2% no período.

 

Já os produtos semielaborados, como carnes, leite e cereais, ficaram 6,8% mais caros, e os "in natura", como verduras, batata e cebola, acumulam alta de 7,8% no ano. A taxa de inflação pode entrar em uma nova fase, dependendo do comportamento do El Niño, que já está com intensidade acima da média, alterando o ciclo de chuvas e do clima.

 

Alguns produtos, como o café, continuam devolvendo o excesso de alta que registraram nos anos recentes, dando alívio à taxa de alimentos. O café, que acumulava aumento de 24% em 12 meses até janeiro nas prateleiras dos supermercados, agora está com queda de 19% no acumulado de um ano. No campo, com a safra recorde, o produto registra queda de 27%, de janeiro a setembro, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o que leva a uma retração de 20% nos supermercados no período.

 

Já o óleo de soja interrompeu a tendência de queda que vinha registrando e voltou a subir para o consumidor. Os dados da Fipe apontam alta de 4% em setembro, originada pelo aumento de esmagamento interno da oleaginosa e pela elevação acumulada de 23% dos preços da saca neste ano.

 

O arroz, que vinha com forte queda no campo, parou de cair e está em alta neste período de entressafra no Sul. O bolso do consumidor já reflete essa elevação, uma vez que o aumento de setembro, em relação a agosto, foi de 5%. O cereal havia iniciado o ano com queda acumulada de 25% em 12 meses.

 

O trigo é outro cereal que promete altas nos próximos meses. De janeiro a setembro, os preços ficaram 27% mais caros no campo, e a dependência externa do país vai aumentar devido à redução interna de produção. Alguns dos principais fornecedores mundiais também tiveram queda na produção e exportarão menos.

 

Os "in natura", que já pressionaram a taxa de inflação neste ano, terão o clima como provável barreira de produção nos próximos meses. Os produtos com maior presença na mesa do consumidor acumulam intensas altas até setembro. A cebola subiu 82% neste ano; a batata, 40%; o tomate, 45%, e a alface, 14%.

 

As carnes não têm muito espaço para elevação de preços, apesar dos volumes exportados. Até agosto, a venda externa de frango havia subido 15,5% em relação a 2025; a suína, 9%, e a bovina, 5%. A oferta interna é boa, e, no caso da bovina, as exportações diminuem com o esgotamento das cotas da China e interrupções na União Europeia. Mesmo assim, o preço da arroba de boi se mantém em alta. Segundo o Cepea, preço externo e menor demanda interna já fizeram o valor da carne suína recuar 40% nas granjas desde o início do ano (Folha, 6/10/26)