23/05/2025

Apertem os cintos, o Plano Safra 2025/26 vem aí!

Por Paulo Junqueira

 

“De onde menos se espera é justamente de onde não sai nada mesmo”.  Grande máxima do Barão de Itararé

Como tudo em nossas vidas, temos coisas boas e nem tão boas, ou ruins para comentar. Comecemos pelas últimas:

 

A cada momento as trapalhadas do ministro da Agricultura Carlos Fávaro ocupam generosamente as manchetes das mídias analógicas e digitais fazendo com que os jornalistas que cobrem o setor mais dinâmico e importante da nossa economia, que é o agro, tenham assunto com ampla repercussão.

 

Logo que assumiu o ministério, Fávaro foi convidado para visitar oficialmente a Agrishow/2023. Ao tomar conhecimento de que ele encontraria o ex-presidente Jair Bolsonaro na cerimônia oficial de abertura, inventou descaradamente a narrativa de que fora “desconvidado” pelos organizadores deste que é o maior e mais relevante evento do agro brasileiro.

 

Neste ano, sem nenhuma justificativa a não ser o receio de ser cobrado pelos produtores rurais sobre os juros estratosféricos e lunáticos determinados pelo presidente Lula através do seu escolhido para presidir o banco Central, Gabriel Galípolo, Fávaro não veio a Ribeirão Preto preferindo participar de reunião em São Paulo ao lado da “ministra” do Meio Ambiente Marina Silva e da Fazenda Fernando Haddad.

 

A bem da verdade, não fez nenhuma falta a não ser para seu pequeno e até mesmo minúsculo séquito de aduladores, entre os quais, o presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar Tirso Meirelles. A notícia de que o Ministério da Agricultura tentou distribuir testes de gripe aviária no Rio Grande do Sul com certificado vencido (Folha de S.Paulo, 22/5/25), fosse este um governo sério e responsável, serviria para defenestrar e a imediata demissão do seu titular

 

Ao se falar do Rio Grande do Sul, vale lembrar o esforço de Carlos Fávaro e do seu colega Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, da tentativa de importar arroz para piorar ainda mais a situação dos agricultores gaúchos atingidos duramente pelos efeitos da maior catástrofe climática da história do País.

 

A dúvida que persiste junto aos legítimos produtores rurais é se Fávaro é incompetente ou um legítimo “pé frio”, já que se destaca dentre os piores, senão o pior, ministro a ocupar a pasta da Agricultura. Ou ambas as alternativas? O pior, entretanto, está por vir e deve acompanhar o anúncio oficial do Plano Safra 2025/26.

 

Em governos anteriores, este plano era anunciado, com muito estardalhaço, durante a Agrishow. Ou logo após o encerramento da feira. Tudo leva a crer que o anúncio deste ano deva ocorrer em junho, logo após mais uma alta da taxa Selic. Segundo o Valor Econômico (19/5/25), “o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pode continuar subindo a meta da taxa Selic, que atualmente se encontra em já elevados 14,75% ao ano. Foi isso o que o Comitê disse na ata e no comunicado da sua última reunião”.

 

E, ainda no âmbito do agro e da economia, o balanço trimestral do Banco do Brasil, anunciado na última 6ª feira (16), traz um importante alerta para os produtores rurais. Há dias, durante o Agro Talk Show que marcou o início da Semana da Agrishow em Ribeirão Preto, tivemos a oportunidade de afirmar que “produtor rural que pegar dívida com 15% de juros vai quebrar”. Pois bem, matéria publicada na Folha de S.Paulo (17/5/25) repercute a queda do lucro do Banco do Brasil no último trimestre:

“A concessão de crédito do BB tem o agronegócio como carro-chefe. A inadimplência da carteira alcançou 3,04%, ante 2,45% no quarto trimestre de 2024 e 1,19% um ano antes”.

 

“O BB relacionou o desempenho geral a esse agravamento das dívidas do agro, bem como à vigência de novas regras contábeis. O banco estatal reportou lucro líquido ajustado de R$ 7,37 bilhões, uma queda de 20,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A média das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg previa R$ 9,05 bilhões no período”.

 

“Como resultado, as ações do banco desabavam no pregão da B3 desta sexta. Às 13h, caíam 12,21%, cotadas a R$ 25,81, agindo como um fator de pressão negativo para o Ibovespa”.

 

“Em teleconferência com analistas nesta sexta, o vice-presidente de gestão financeira do BB, Geovanne Tobias, afirmou que o banco acredita que medidas de judicialização, protesto e cobrança, aliadas à geração de renda maior no campo por safra recorde, devem conseguir controlar a inadimplência no agro no segundo semestre”.

 

Vamos agora destacar duas “good news” tão detestadas pela mídia chapa-branca e “impul$ionada” pelas generosas verbas públicas federais:

 

1)   A aprovação no Senado do licenciamento que reduz o controle ambiental é considerada derrota para a ministra do Meio Ambiente Marina Silva e contou com a pressão do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União/AP). Se tudo que for bom para o PT & Cia. é ruim para o Brasil, também tudo que é ruim para a ministra Marina Silva é bom para o agro;

 

2)   Em audiência no Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (21/5), o secretário de Estado do país, Marco Rubio, afirmou que o governo americano está analisando a possibilidade de aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), com base na Lei Global Magnitsky.

 

Segundo o noticiário da Globo News, o ministro Moraes corre o risco de perder o direito de ter contas em bancos brasileiros que tenham agências em território americano, bem como cartões de crédito. Para piorar a situação, a medida seria estendida às esposas dos ministros que atuem em escritórios de advocacia.

(Paulo Junqueira, advogado e produtor rural, presidente do Sindicato e da Associação Rural de Ribeirão Preto e da Associação Rural Vale do Rio Pardo, coordenador do grupo “Nova Faesp” que objetiva acabar com a dinastia “Meirelles” no comando há quase meio século da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faes/Senar; 23/5/25)