18/05/2026

Benesses não alavancam aprovação a Lula – Editorial Folha de S.Paulo

Benesses não alavancam aprovação a Lula – Editorial Folha de S.Paulo
  • Mesmo com maior isenção de IR outras medidas, avaliação do presidente não se move, diz Datafolha
  • Dúvida imediata é impacto do caso Master sobre Flávio; competidores à direita tentarão capitalizar desgaste do pré-candidato do PL

 

A despeito de uma série de benesses concedidas ao eleitorado, os fracos índices de aprovação a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) praticamente não se moveram, mostra a mais recente pesquisa do Datafolha. Tampouco se alteraram de forma relevante as intenções de voto que apontam para uma disputa presidencial acirrada.

 

Observe-se, porém, que os pesquisadores do instituto foram às ruas na terça (12) e na quarta-feira (13) de uma semana de fatos novos, capazes, ao menos em tese, de influenciar o cenário político.

 

De mais impactante, revelou-se na tarde de quarta a intimidade chocante entre Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida pelo Planalto, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

 

Além do mais, o Planalto anunciou mais medidas eleitoreiras; outras há pouco entraram em vigor, como a renegociação de dívidas do Desenrola 2. Foi decretado, na terça, o fim da chamada "taxa das blusinhas". Na quarta, uma medida provisória criou subsídios para a gasolina.

 

O governo petista apostou na ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que entrou em vigor neste ano, e hoje faz vasta propaganda do intento de reduzir a jornada de trabalho. Ainda assim, foi avaliado como ótimo ou bom por não mais de 30% dos entrevistados (ante 29% em abril) e como ruim ou péssimo por 39% (40% em abril).

 

A redução do saldo negativo não passa, pois, da margem de erro —e os números estão no vermelho desde fevereiro de 2024. Hoje, dizem aprovar o trabalho do presidente 45% dos brasileiros aptos a votar, enquanto 51% o reprovam. A insatisfação parece persistente, mesmo com melhoras em emprego e salário.

 

Lula lida com consequências de seus erros, como as pressões inflacionárias e os juros sufocantes decorrentes da expansão desmesurada dos gastos públicos. O endividamento das famílias alcançou patamares recordes, e o crescimento econômico é declinante.

 

A principal dúvida imediata quanto ao cenário político e eleitoral, de todo modo, recai sobre a reação às notícias relativas ao envolvimento de Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master.

 

Não é, cumpre notar, o primeiro caso rumoroso relacionado ao filho do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado. Apesar desse péssimo histórico, Flávio permanece empatado, com 45%, na simulação de segundo turno contra Lula, que tem histórico de condenações por corrupção anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.

 

Demais competidores em potencial à direita, como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que hoje têm índices nanicos de intenção de voto no primeiro turno, decerto tentarão capitalizar o desgaste do pré-candidato do PL para romper a polarização entre PT e bolsonarismo que marcou as duas últimas corridas.

 

Caiado e Zema rondam os 40% no segundo turno, indicando que o antilulismo, com qualquer nome, será uma das forças do pleito (Folha, 17/5/26)