Bolsas nos EUA caem após divulgação da taxa de juros do Fed
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No cenário externo, o Fed elevou nesta quarta a sua taxa de juros pela sétima vez em 2022, mas a alta de 0,50 ponto percentual foi menor do que as aplicadas nas últimas quatro reuniões do seu comitê de política monetária, que foram de 0,75 ponto.
Com isso, a meta de juros do Fed avança para um patamar 4,25% e 4,5% ao ano. Esse valor está de acordo com o esperado por analistas de mercado consultados pela agência Bloomberg.
A alta menos agressiva dos juros confirma a expectativa de que os integrantes do Fomc, sigla para o comitê de mercado aberto do Fed, consideram que o aperto ao crédito está alcançando o propósito de frear a alta nos preços.
Desde que iniciou o atual ciclo de elevação dos juros no início deste ano, esta é a primeira vez que o Fomc opta por um acréscimo inferior ao dado na reunião imediatamente anterior. Antes das últimas quatro altas de 0,75 ponto, o comitê havia aplicado um aumento de 0,25, em março, e de 0,50, em maio.
Nos Estados Unidos, os principais indicadores do mercado de ações fecharam em baixa, depois de terem avançado por quase todo o dia ainda embalados pelos dados de inflação abaixo do esperado na véspera.
O indicador parâmetro S&P 500 caiu 0,61%. Os índices Nasdaq e Dow Jones perderam 0,76% e 0,42%, respectivamente.
A ausência de sinais no comunicado do Fed de que o fim do ciclo de alta dos juros poderá chegar em breve devolveu preocupações aos investidores, segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.
"Apesar de a alta vir de acordo com o esperado, eles não sinalizaram qual será o próximo passo e se já estão próximos do fim do ciclo de elevação de juros", disse.
Beto Saadia, economista e sócio da BRA BS, avalia que o CPI, o índice de inflação ao consumidor americano, deixou mercados otimistas para uma postura mais leniente do Fed. Mas ele alerta que ainda faltam duas condições fundamentais para declarar vitória no combate à inflação.
"A primeira delas é que a convergência da inflação deve ser ancorada na meta de 2%, que ainda é muito além do atual. A segunda é o grande vilão da inflação que continua não mostrando sinais de que foi derrotado: o mercado de trabalho ainda muito apertado", disse.
"Há mais vagas de emprego do que trabalhadores disponíveis, resultando em inflação de salários que pode em algum momento acelerar novamente a inflação de bens e serviços", completou Saadia.
Um cenário de efetiva desaceleração dos juros nos Estados Unidos poderia trazer alívio para os mercados de ações e para outros ativos, como as matérias-primas, porque esses investimentos passariam a enfrentar menor concorrência da renda fixa americana.
Além disso, investidores esperam que o fim do aperto monetário ocorra antes que as restrições ao crédito levem a maior economia mundial a uma forte recessão, o que teria consequências negativas para os negócios globais (Folha de S.Paulo, 15/12/22)

