Brasil importa menos fertilizantes do Oriente Médio
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- Volume do primeiro bimestre é 34% inferior ao da média dos últimos cinco anos
- Balança aponta recordes nas exportações de carne, inclusive para países do Golfo
A guerra no Oriente Médio pegou o Brasil no contrapé em relação às importações de fertilizantes da região. No primeiro bimestre do ano passado, aquele bloco de países forneceu 624 mil toneladas do insumo ao mercado brasileiro, 12% do total importado pelo país no período.
Em janeiro e fevereiro deste ano, as compras brasileiras se limitaram a 462 mil toneladas na região, 8,8% do que o país importou. O volume é o menor em 11 anos para o primeiro bimestre e representa uma queda de 34% em relação à média do mesmo período dos últimos 5 anos, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Um problema, se a guerra tiver longa duração.
Se a importação de fertilizantes é menor, o mesmo não ocorre com as exportações dos demais setores. As carnes, que lideram as vendas externas, enquanto a colheita de soja ainda está por terminar, bateram um recorde no volume neste primeiro bimestre.
O Brasil colocou no mercado externo 1,64 milhão de toneladas na soma das carnes bovina, suína e de frango. As vendas de carne bovina atingiram o recorde de 474 mil toneladas, 26% a mais do que as de janeiro e fevereiro de 2025.
As exportações de frango também subiram para um patamar recorde, somando 929 mil toneladas. A mesma tendência verificada para a carne suína, cujas vendas externas subiram para 238 mil toneladas. O mercado do Oriente Médio se mantém importante para esse setor, principalmente para as carnes de frango e bovina.
As exportações totais do agronegócio somaram US$ 22,6 bilhões em janeiro e fevereiro, 2% a mais do que em igual período de 2025. As vendas de carnes renderam US$ 5 bilhões, acima dos US$ 3,9 bilhões da soja. A oleaginosa deverá assumir a liderança da balança a partir deste mês, quando haverá um incremento nas exportações, devido ao avanço da safra.
O café, apesar de preços mais comedidos no mercado externo, rendeu US$ 2,2 bilhões, acima do US$ 1,75 bilhão da celulose. Açúcar e milho também estão na lista dos principais itens de exportação. As vendas externas de açúcar aumentaram 9% no bimestre, mas a queda dos preços internacionais provocou uma redução de 17% nas receitas.
As exportações de milho aumentaram para 5 milhões de toneladas no período. Vietnã e Irã lideraram as compras, com 1,43 milhão de toneladas e 1,33 milhão, respectivamente.
Já o ritmo das importações está estável neste início de ano, com os gastos ficando em US$ 5,5 bilhões, gerados, principalmente, por fertilizantes e agrotóxicos. Segundo os dados da Secex, a importação de adubo permaneceu em 5,25 milhões de toneladas, mas a de produtos agroquímicos caiu de 121 mil toneladas para 95 mil, no período.
Movimento acelerado
A demanda por escoamento da safra brasileira de soja parece ignorar o impacto da guerra no Irã. O movimento nas rodovias do país segue forte, segundo a Frete.com, empresa com atuação na América Latina.
A Frete registrou a contratação de 60 mil fretes no mercado brasileiro, na terça-feira (3), um volume 20% maior do que a média diária dos últimos 5 meses. Deste volume, 66% das operações foram contratadas para transporte de soja, milho e fertilizantes, e os corredores logísticos de Santos e de Paranaguá registraram forte intensificação, com aumento de 50%.
Soja
A Agroconsult revisou para cima suas estimativas de produção de soja. A consultoria prevê, agora, 183,1 milhões de toneladas nesta safra de 2025/26. Se confirmado, o volume supera em 6,4% o da safra anterior. A produtividade está acima do esperado, segundo o Rally da Safra, uma expedição da consultoria pelos campos de soja do país (Folha, 6/3/26)

