Café: Finalmente rumo aos 240-200 centavos de dólar por libra-peso
Por Marcelo Fraga Moreira
O dez-26 encerrou a semana (com base no último negócio) @ 284,25 centavos de dólar por libra-peso (base o “ajuste” encerrou @ 285,70 centavos de dólar por libra-peso). Mais uma semana com o dez-26 trabalhando com uma amplitude de 2.550 pontos e voltando a testar os suportes importantes nos 290-285 centavos de dólar por libra-peso (fechamento anterior, máxima, mínima, fechamento atual base “último negócio” respectivamente @ 292,90 / 300,25 / 282,10 / 284,25 centavos de dólar por libra-peso).
Já em Londres o vencimento nov-26 chegou a subir +196 US$/saca e encerrou com um ganho de +120 US$/tonelada @ 3.525 US$/tonelada. Contrário à NY Londres conseguiu essa leve alta com notícias vindas do Vietnam (onde chuvas previstas para os próximos dias poderão afetar a fase final do enchimento dos grãos e prejudicar o início da próxima colheita) com previsão para a colheita começar já a partir da segunda quinzena de outubro.
Mesmo com essa ligeira recuperação em Londres o café conilon no Brasil continua negociando entre 900-980 R$/saca! E, felizmente, por enquanto, para a safra 27/28 o mercado voltou a sustentar os 1.000 R$/saca. Até quando? Até as chuvas pararem (tanto no Vietnam quanto no aqui no Brasil) e assim que tivermos notícias com o início da colheita do Vietnam.
Refrescando a memória: Londres a 2.800 US$/saca equivale hoje a café conilon abaixo dos 800 R$/saca.
O mercado interno para o café arábica voltou a negociar abaixo dos 1.650 R$/saca e em algumas regiões já abaixo dos 1.600 R$/saca (inclusive com negócios com vencimento para set-27 e set-28 novamente abaixo dos 1.600 R$/saca).
Novamente o mercado interno continua negociando um spread entre café arábica tipo 6 peneira 17/18 x café conilon em +73% (950 x 1.650 R$/saca). Entre o café arábica rio x café conilon o spread está ainda em +42% (950 x 1.350 R$/saca) – NÃO faz sentido o café conilon ser descontado com esse spread para o café arábica rio...
(Com os problemas de qualidade na safra do café arábica, com muito café de chão, muito café com problema na qualidade e na classificação da bebida, creio que em breve o mercado voltará a prestigiar a qualidade e o preço do café conilon até esse spread voltar a fechar).
Como comprovado pelas exportações brasileiras durante os 2 primeiros meses da safra 26/27 o café conilon brasileiro já é bem aceito e disputado no mercado internacional pela sua qualidade e, principalmente por preço – UMA VEZ QUE O PRODUTOR BRASILEIRO DO CAFÉ CONILON ACEITA VENDER SEU CAFÉ COM UM DESÁGIO CONTRA A BOLSA DE LONDRES ENTRE -300/-400 US$/TONELADA X OS PREÇOS PRATICADOS NO VIETNAM! Fazendo o café conilon brasileiro ser o mais barato do mundo.
Em julho-26 o Brasil exportou +851 mil sacas de café conilon e em agosto-26 exportou +954 mil sacas! Em julho-25 e agosto-25 o Brasil exportou respectivamente 462 mil sacas e 621 mil sacas de café conilon! Ou seja, nos 2 meses da safra 26/27 o Brasil praticamente já aumentou suas exportações no café conilon em +80%.
Com relação as exportações brasileiras, em agosto-26, conforme já havíamos indicado, o Brasil exportou 4,15 milhões de sacas – sendo o maior volume já exportado no mês de agosto. Porém, o recorde mensal continua sendo o mês de outubro-24 quando o Brasil exportou +5,18 milhões de sacas.
Para o mês de setembro-26 as projeções (com base nos dados da Cecafé) indicam novamente uma exportação ao redor dos +4,00 milhões de sacas.
Ou seja, café existe! Compras continuam ocorrendo e o gargalo continua sendo a briga nos portos.
Problemas na infraestrutura brasileira seguem drenando milhões de dólares dos exportadores com custos abusivos das companhias marítimas com “detention*”, armazenagem, cláusulas “risco de guerra”, aumentos abusivos “respaldados” pelo aumento no petróleo, carga “deixada” para trás (em detrimento para o embarque de cargas que “pagam mais e são mais rentáveis para as companhias marítimas”), navios superlotados, e, falta de contêiners... Infelizmente esses problemas existem há mais de 2 décadas e os burocratas ambientalistas e os lobbies empresariais continuam atrasando e inviabilizando novos investimentos e em novos concorrentes na infraestrutura brasileira. Uma pena...
Voltando ao café...
As chuvas nos últimos dias e para a próxima semana tem sido extremamente benéficas para as lavouras. É verdade que algumas operações de varrição foram interrompidas e alguma quantidade de café de chão não será colhida. Porém, na minha visão, essa perda não será representativa pois aparentemente a safra brasileira 26-27 foi bem acima do previsto pela Conab (+66,70 milhões de sacas) e provavelmente os números deverão indicar uma safra final entre 72-75 milhões de sacas.
Recebi informações onde muitas lavouras que seriam esqueletadas e/ou podadas melhoraram muito nas últimas semanas e o produtor decidiu manter as lavouras e apostar na recuperação / na colheita para a safra 27/28. Por enquanto essa decisão vem se provando como correta.
Muitas lavouras já tiveram as primeiras floradas e a expectativa (com as chuvas recentes) é para uma super florada nas próximas semanas. Por enquanto, o “monstro” do El Nino ficou para trás.
Por enquanto, tudo está correndo muito bem para a próxima safra 27/28 brasileira vir a ser uma super safra com uma produção podendo superar as 80 milhões de sacas!
Possível? Sim!
Provável? Também creio que sim!
Essa expectativa já está refletindo nos mercados com todos os vencimentos julho-27-dez-27 encerrando a semana abaixo dos 275 centavos de dólar por libra-peso.
Vale notar que todos esses vencimentos encerraram a semana com os gráficos indicando “tendencia de baixa” pois todos encerraram abaixo dos principais suportes e médias-móveis dos 50, 100 e 200 dias.
Os fundos + especuladores continuam reduzindo a posição “comprada” e nessa semana voltaram a liquidar 5-6 mil lotes! O vencimento dez-26 voltou a testar por 3x os suportes dos 290-285 centavos de dólar por libra-peso. Perdendo esses suportes novos “stops de venda” poderão ser acionados e o vencimento dez-26 “derreter” contaminando os demais vencimentos.
Esse fechamento “horrível” do dez-26 @ 284,25 centavos de dólar por libra-peso indica a possibilidade para o mercado voltar a testar os 230-200 centavos de dólar por libra-peso (conforme venho alertando o produtor há pelo menos 2 meses).

O que vimos no mês de agosto, com os fundos + especuladores jogando o mercado para os 370 centavos de dólar por libra-peso no vencimento set-26 – e puxando os demais vencimentos a negociar acima dos 300-320 centavos de libra-peso – sempre foi analisado como sendo uma excelente oportunidade para o produtor se proteger e realizar vendas futuras acima dos 2.000/1.800 R$/saca com liquidação em US$/saca entre 380-410 US$/saca – tanto no mercado spot quanto para os vencimentos set-27 e set-28.
Infelizmente continuo com minha visão baixista para os próximos meses - e para os próximos 2-3 anos - com NY voltando a testar os 200 centavos de dólar por libra-peso (café arábica tipo 6, peneira 17-18 testando os 1.200-1.00 R$/saca) e Londres podendo buscar 2.500 US$/tonelada (voltando a negociar abaixo dos 700 R$/saca).
O mercado futuro sinaliza a percepção dos agentes do mercado (bancos, tradings, consumidores, fundos+especuladores). Infelizmente o produtor continua apenas “olhando”, “apostando” em “visões mirabolantes”, em “apostas de gurus” sem base em analises técnicas, gráficas, fundamentalistas... Apenas “chutômetros” que não acertaram um só pênalti nos últimos anos indicando preços podendo chegar em 3.000 – 5.000 – 10.000 R$/saca!
E, infelizmente olhando apenas para o Brasil e esquecendo que existem outros países também produzindo e investindo na expansão e melhoria no seu parque cafeeiro.
Produtor, como sempre, o mercado futuro precisa ser estudado, aprendido, e utilizado por você para realizar operações de hedge, proteção, seguro contra a sua produção, contra o seu patrimônio. E não uma operação “CONTRA” você, mas sim FAVORAVEL A VOCE!
Operação de hedge, analise e acompanhamento diário, semanal das notícias, dos fundamentos, do que afeta o seu mercado e o seu patrimônio precisam ser acompanhadas diariamente.
Infelizmente creio que o único fator que poderá fazer “preço” para o mercado voltar a subir acima dos 300 – 350 e eventualmente 450 centavos de dólar por libra-peso nos próximos 2-3 anos será apenas um evento climático severo afetando algum produtor mundial (ou claro, uma valorização do R$). Caso contrário continuo acreditando em NY voltando a negociar e a lateralizar entre 180-220 centavos de dólar por libra-peso. Com base em que?
- Com base no mercado voltando buscar o custo de produção do país mais eficiente do mundo – ou seja, do Brasil! Temos custos brasileiros variando (no caso do café arábica) entre 700-1.400 R$/saca. Claro, o produtor mais eficiente irá se beneficiar durante os períodos de stress! E o produtor “pequeno” precisa, o quanto antes, aprender a se proteger realizando as operações de hedge, seguro, proteção “pra ontem”.
- Com base no mundo voltando a produzir nos próximos 2-3 anos acima do consumo mundial, com a reposição dos estoques mundiais, com o índice “estoque x consumo” mundial voltando a ficar acima dos 25% já a partir da próxima safra 27/28, e com os estoques mundiais voltando a superar as 50 milhões de sacas já a partir do final da próxima safra 27/28 (estoque de passagem da safra 27/28 para o início da safra 28/29).
Então, produtor, como sempre: PROTEJA-SE!
Creio ser prudente o produtor realizar operações de hedge garantindo um preço ainda acima dos 1.550/1.600 R$/saca para o café arábica e acima dos 900-1.000 R$/saca para o café conilon pra os próximos 2 anos pelo menos (set-27 e set-28).
Ao realizar as vendas futuras, as travas, simultaneamente utilizar o mercado futuro comprando um seguro contra uma eventual alta – uma opção de compra “call*”, ou uma estrutura “call-spread*” para não “gastar tanto” e dormir tranquilo...
Novamente, o mercado já derreteu 400 R$/saca nas últimas 3 semanas...
Você produtor, vai esperar o mercado cair para 1.200-1.000 R$/saca para começar a “pensar” em se proteger?
Novamente, ficar apenas “olhando e torcendo” por preços melhores é um risco, uma aposta direcional que precisa / deveria ser mitigado.
Produtor: estamos à disposição para conversar e apresentar nosso trabalho de consultoria dedicado e exclusivo para assessorá-lo nas suas operações comerciais e de hedge. Tendo interesse entre em contato conosco.
Quer saber mais? Mande um e-mail para priscilla@archerconsulting.com.br
(Marcelo Fraga Moreira é um profissional há mais de 35 anos atuando no mercado de commodities agrícolas, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting; 12/9/26)

