18/02/2025

Calor em excesso deve prejudicar produção de café em Minas Gerais

Calor em excesso deve prejudicar produção de café em Minas Gerais

Lavoura de café em Lavras, Minas Gerais. Foto Tony Oliveira - CNA

Os próximos cinco dias de altas temperaturas serão decisivos para o peso dos grãos de café em regiões produtoras do Brasil, especialmente em Minas Gerais. Com termômetros acima dos 35 graus e intensa exposição solar, a fase conhecida pelos produtores como granação fica ainda mais comprometida. Esse período é fundamental para determinar a quantidade de café que apresentará maior ou menor qualidade.

“Nas áreas produtoras de café do Sudeste e do Nordeste, a expectativa é de que o tempo seco continue predominando durante a maior parte desta semana. Além disso, as temperaturas seguirão em elevação, e o calor excessivo tende a acentuar o déficit hídrico nas lavouras e o estresse térmico nas plantas. Isso deve prejudicar o ganho de peso dos grãos de café”, aponta a Climatempo em nota enviada nesta segunda-feira (17/2).

A previsão preocupa produtores, especialmente aqueles com lavouras mais velhas, cujas plantas têm mais de oito anos de produção. No entanto, até o momento, não há consenso sobre a produtividade entre cafeicultores e corretoras de café, conforme apurou a reportagem.

Nas redes sociais, cafeicultores compartilham vídeos e relatos sobre a maturação das plantas, destacando que os grãos não crescerão como esperado, o que impactará a qualidade da safra. As irregularidades nas lavouras, especialmente nas de café arábica, têm sido tema de debate entre produtores. Dois cenários estão em discussão: um deles prevê uma quebra na oferta para os comercializadores, enquanto o outro envolve produtores que estariam aguardando um preço-alvo de R$ 3 mil por saca nas principais praças do Brasil para vender o café.

A corretora Comércio e Representação Pimentel, de Manhuaçu (MG), publicou há dois dias um vídeo de plantas de café em Caparaó (MG), na zona das Matas de Minas, mostrando que a quantidade de grãos nos pés com mais de seis e oito anos é baixa se comparada às de três ou quatro anos, o que será um desafio para o produtor, já que acentua irregularidades.

Outro problema que se arrasta há pelo menos duas semanas é a queda de chumbinhos, um fenômeno natural de autorregulação da planta, mas que foi intensificado pela seca prolongada de 2024 e pelo calor extremo desde o início do ano, mesmo com as chuvas registradas em janeiro.

De acordo com o relatório de fevereiro do banco holandês Rabobank, há registros de chuvas pontuais nas zonas cafeeiras, com exceção das Matas de Minas e do Espírito Santo. No entanto, o volume de precipitação não tem sido suficiente para compensar os danos causados pelo baixo pegamento da florada, principalmente no café arábica. A instituição está em fase de monitoramento de campo e deve divulgar sua estimativa para a safra brasileira de 2025/26 no fim do mês (Globo Rural, 17/2/25)