Candidatura de Mello Araújo ao Senado ganha torcida de Ricardo Nunes
Cel. Mello Araujo e Paulo Junqueira líder dos produtores rurais paulistas. Foto Divulgação
Por Fábio Zanini
- Entusiasta da candidatura, prefeito diz que Mello Araújo será bom senador
- Nome do vice-prefeito de SP ganha força com o apoio de Jair Bolsonaro
A possibilidade de Ricardo Mello Araújo (PL), vice de Ricardo Nunes (MDB), concorrer ao Senado deixou funcionários da Prefeitura de São Paulo sob expectativa.
O próprio Nunes é entusiasta da candidatura, e Araújo costuma dizer que não é benquisto pela equipe da gestão municipal.
"Será um bom senador", escreveu o prefeito ao Painel.
Para disputar o pleito, o vice-prefeito deve se descompatibilizar do cargo até abril.
Conforme o Painel publicou nesta quarta-feira (25), Araújo é o nome preferido de Jair Bolsonaro (PL) para concorrer ao Senado. Escolhido pelo ex-presidente para ser o vice de Nunes, Araújo tem dito que cabe a Bolsonaro definir o seu destino.
"Se aparecer esta missão, vou fazer igual fiz na Ceagesp, acabando com toda sacanagem. Na Prefeitura de São Paulo, se tem coisa errada, vamos para cima", disse Araújo ao Painel nesta quarta.
"E no Senado vou me divertir, porque, infelizmente, tem muita coisa errada no Brasil."
O vice, no entanto, lida com a concorrência de outros nomes do PL, como os deputados federais Marcos Feliciano, Mário Frias e Rosana Valle e o estadual Gil Diniz (Folha, 27/2/26)
Os caros amigos do Master – Editorial Folha de S.Paulo

- Há muitas perguntas sem resposta sobre o escândalo, com possíveis envolvidos retardando investigações
- A apuração dessa fraude gigantesca mal começou; convocação de personagens por CPI do Crime Organizado remedia em parte a situação. O saldo do calote do conglomerado Master é desconhecido. É possível que existam haveres recuperáveis, mas o total de passivos ainda está sendo apurado. Sabe-se, por exemplo, que, apenas no banco, o Fundo Garantidor de Crédito cobrirá perdas de R$ 40,6 bilhões.
O FGC restitui a clientes depósitos a prazo (CDBs), depósitos à vista e títulos no valor de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. Muitas perdas não serão cobertas pelo fundo, que em última instância é financiado pela sociedade via custos bancários maiores. O dano certamente irá muito além de meia centena de bilhão de reais.
Para onde escorreu esse dinheiro? Quem se beneficiou das operações do banco ou de pagamentos fora da contabilidade?
Daniel Vorcaro e sócios contam com apoios de peso na política e no Judiciário. Quais são seus os interesses? Por que tentam barrar uma CPI, negociam empecilhos ou atrapalham a investigação, como o fizeram o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e parte do Tribunal de Contas da União (TCU)?
Em tese, um banco utiliza recursos que capta dos clientes, com depósitos ou vendas de títulos, a fim de comprar ativos. Isto é, conceder empréstimos ou adquirir outros haveres rentáveis.
O Master comprava precatórios de difícil recuperação, investia em fundos de propriedade secreta e ativos desconhecidos, emprestava a empresas de fachada e negociava participações cruzadas com outros empresários.
Por vezes, inventava que teria empréstimos a receber, como créditos que vendeu ao BRB, o banco estatal do Distrito Federal —fraude denunciada pelo Banco Central. Captava ainda investimentos de paus mandados de governos estaduais ou políticos em geral, caso do comando de fundos de previdência de servidores do Rio de Janeiro e do Amapá.
Com ativos fictícios ou superavaliados, não teria como honrar passivos quando a ciranda terminasse. A música parou. Vorcaro tentou vender o Master ao BRB.
Quem autorizou a compra pelo BRB? Quem deu ordem aos fundos de previdência? O que ganhavam parlamentares que propunham no Congresso leis de salvação ou proteção do Master?
A CPI contra o Crime Organizado convocou personagens graúdas envolvidas nessa história ou que podem explicá-la. Quebrou sigilos de empresas e do banco.
Remedia em parte a omissão suspeita dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), apoiada por parte da cúpula das casas. André Mendonça, que substituiu Dias Toffoli na relatoria do inquérito no STF, parece ter limpado o entulho de restrições à investigação da PF.
A apuração dessa fraude gigantesca mal começou. Sabe-se mais sobre o que se faz para encobri-la do que a respeito de quem fugiu com o dinheiro dos clientes e investidores e dos ganhos dos "amigos nos Poderes", que Vorcaro diz ter. Caros amigos ou amigos caros, todos devem ser expostos (Folha, 27/2/26)

