Capacidade de compra de milho do Irã, líder em 2025, preocupa setor
Lavoura de Milho - Imagem IA- ChatGBT
- País adquiriu 9,1 milhões de toneladas no ano passado, 22% das vendas brasileiras
- Volumes maiores de exportação do cereal ocorrem no segundo semestre
O desenrolar da guerra no Oriente Médio é motivo de muita atenção no setor brasileiro de milho. O precário cessar-fogo atual ainda não traz segurança às expectativas das exportações nacionais, que têm aquele mercado como muito importante. O principal destaque é o Irã, que, no ano passado, ficou com 22% do total de milho exportado pelo Brasil.
Os países do Oriente Médio compraram 12,9 milhões de toneladas, e 10,1 milhões foram enviadas no segundo semestre. Só em agosto e setembro, os meses de maior embarque, foram 3,5 milhões, 35% do volume de julho a dezembro. O Irã ficou com 9,1 milhões de toneladas, seguido da Arábia Saudita (1,7 milhão) e do Iraque (668 mil).
O Brasil deverá produzir 132 milhões de toneladas do cereal neste ano, e 43 milhões serão exportados, se tudo correr bem com a safra de inverno, ainda em andamento. Segundo a AgRural, áreas de milho safrinha do Paraná seguem em alerta, devido à baixa umidade. A maior preocupação é no oeste do estado, onde muitas lavouras já estão em fase reprodutiva. Na semana passada, a AgRural já havia apontado preocupações de produtores no norte do Paraná, sul de Mato Grosso do Sul e sul de São Paulo.
O potencial de compra dos iranianos provavelmente não será o mesmo neste ano, devido aos estragos que a guerra provocou na economia do país. Com potencial menor de compra dos iranianos, o Brasil deverá disputar mercados com os Estados Unidos, que tiveram uma supersafra de 432 milhões de toneladas em 2025/26, e vão exportar 84 milhões de toneladas até 31 de agosto, fim do ano comercial americano. Esse volume é 15,5% superior ao do período anterior. A safra que está sendo semeada nos EUA agora será comercializada em 2026/27.
Além de maior presença americana no mercado, a Argentina também eleva as suas exportações em 28%, e a Ucrânia, em 10%. Um alento é que as importações chinesas sobem para 8 milhões de toneladas. A produção mundial foi projetada pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em 1,3 bilhão de toneladas, nesta quinta-feira (9). O consumo também está nesse patamar.
Além de Irã, Egito, Vietnã, Arábia Saudita, China, Marrocos e Argélia lideram a lista de importadores do cereal brasileiro
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PREÇO DO CAFÉ CAI 15% NO ANO, APONTA CONSULTORIA
A saca de café deverá terminar o ano em R$ 1.976, com uma retração de 15% nos cálculos da MacroSector. Oferta maior provoca essa redução. A produção brasileira sobe para 70,6 milhões de sacas, 12% a mais do que a anterior, e o consumo vai a 22,8 milhões. Os estoques, que eram suficientes para oito dias de consumo em 2025/26, sobem para 56 dias em 2026/27. Na avaliação da consultoria, crescem para 3,5 milhões de sacas.
Com a redução de preços dos últimos meses e o aumento de custos, a relação de troca ficou mais desfavorável para o produtor. Em abril de 2025, o agricultor necessitava de um pouco menos de uma saca de café para a compra de uma tonelada de fertilizante. Neste ano, a relação é de 1,34.
A safra mundial de café sobe para 183 milhões de sacas em 2026/27, acima dos 179 milhões do período anterior. O consumo fica em 175 milhões, e os estoques aumentam para 23 milhões de sacas, segundo dados do Usda e projeções da consultoria para 2026/27.
Dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) indicaram que a saca de café arábica foi negociada a R$ 1.821 nesta quinta, com queda de 3,5% no mês. A de café robusta recuou para R$ 900, uma baixa acumulada de 7% no mês (Folha, 10/4/26)

