06/02/2026

Carne volta a liderar as exportações do agronegócio em janeiro

Carne volta a liderar as exportações do agronegócio em janeiro

Boi frango e suino - Imagem IA Copilot

  • Valor da venda externa da proteína bovina supera em 25% o do mesmo mês de 2025
  • Importação de fertilizantes recua, mas preço sobe e país gasta mais com o insumo

 

As exportações do agronegócio começaram 2026 com US$ 10,7 bilhões, considerando alimentos, grãos e produtos derivados da agropecuária, como celulose. O início do ano foi incrementado pelo ritmo forte das carnes, que atingiram US$ 2,44 bilhões, 25% a mais do que em janeiro de 2025.

 

Como sempre ocorre em janeiro, as carnes superaram a soja. Só que, desta vez, com uma evolução muito maior. As receitas com as exportações de proteína animal foram 194% superiores às de soja, que está em início de vendas externas.

 

A liderança é da carne bovina, que somou US$ 1,3 bilhão no mês passado. Cotas impostas por Estados Unidos e China à carne brasileira levam o exportador a acelerar as vendas no início do ano. A cota anual dos Estados Unidos foi preenchida logo nos primeiros dias de janeiro.

 

As vendas externas de carne de frango "in natura" também avançaram neste ano, somando US$ 795 milhões, 6% a mais do que no mesmo mês de 2025. O café ainda tem preços aquecidos, mas o volume exportado foi menor, derrubando as receitas de janeiro para US$ 1 bilhão, 24% a menos do que em igual mês do ano passado.

 

A balança comercial do mês passado também teve participação menor de celulose, cujas exportações recuaram para US$ 957 milhões, 6% a menos no período, e do açúcar, que teve queda de 27%.

 

Nas importações, o destaque vem de fertilizantes que, após o recorde do ano passado, começam 2026 com um volume de compras 4% menor em relação a janeiro de 2025. Os preços médios, no entanto, subiram 5%, fazendo o país gastar 1% a mais. Segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior), os gastos com as importações desse insumo somaram US$ 935 milhões no mês passado.

 

TILÁPIA ENTRA NA LISTA DE INFLAÇÃO

 

A produção de tilápia cresce, ganha mercado e entra na lista de pesquisa de inflação. Desde janeiro deste ano, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) inseriu a tilápia em sua lista, o que mostra que ela passa a ser um componente importante no dia a dia do consumidor.

 

O Brasil é o quarto maior produtor de tilápia do mundo. No ano passado, o país produziu cerca de 630 mil toneladas, e 97% desse volume ficou no país. O consumo per capita é de 3 kg por habitante por ano, 30% dos 10 kg de consumo médio nacional de peixes.

 

Dados da Peixe SP (Associação de Piscicultores em Águas Paulistas e da União) mostram que a produção vem crescendo anualmente, impulsionando o consumo interno e o potencial de exportação. Atualmente, as tarifas do governo americano fazem o setor perder fôlego no mercado externo.

 

A produção de tilápia está distribuída por quase todo o país, sendo exceção a região Norte, onde os peixes nativos, como tambaqui e pirarucu, lideram. Tocantins tem produção, mas ainda modesta em relação aos líderes Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina.

 

O setor, que passou a conviver com tarifas em suas exportações, com a dos Estados Unidos, enfrenta também a concorrência de outros produtores, como o Vietnã, no mercado interno.

 

Crédito no agro 

 

Com juros elevados, spreads bancários mais amplos e maior seletividade no crédito tradicional, o agronegócio passou a recorrer com mais intensidade aos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios. De agosto de 2024 a agosto de 2025, o patrimônio líquido dos FIDCs cresceu 41,4%, e alcançou R$ 800 bilhões.

 

Pedro Da Matta, da Audax Capital, diz que o avanço dos FIDCs representa uma mudança estrutural no financiamento do agro. O FIDC cria uma ponte direta entre a economia real e o mercado de capitais. O crédito bancário se tornou lento e caro demais em vários segmentos, segundo o executivo (Folha, 6/2/26)