CNC: Balanço Semanal de 2 a 6/11/2020
Certificadora sinaliza otimização da Norma de Agricultura Sustentável 2020
CNC, Cecafé e CNA discutiram a inclusão de origens produtoras, cooperativas e universidades em debates com Rainforest Alliance.
O Conselho Nacional do Café (CNC), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se reuniram, ontem (05), com representantes internacionais e locais da Rainforest Alliance para dar sequência ao debate sobre a necessidade de ajustes na Norma de Agricultura Sustentável 2020 para as realidades das regiões produtoras de café do país.
A reunião foi motivada pela ação organizada no último mês pelo CNC (saiba mais), com apoio de Cecafé e CNA, que resultou no envio de uma carta das entidades ao presidente do Conselho da Rainforest Alliance, Daniel Katz, solicitando a abertura de diálogo com as regiões produtoras brasileiras.
“Expusemos que os cafeicultores estão perdendo o interesse no programa de certificação da Rainforest Alliance, pois entendem que as exigências são irreais e dificultam o controle de pragas e doenças dos cafezais, podendo gerar perdas significativas de produtividade”, revela o presidente do CNC, Silas Brasileiro. “Isso anula o valor da certificação e inviabiliza o cultivo de café em algumas regiões”, completa.
Conforme ele, a entidade solicitou que, enquanto não houver alternativas de controle validadas, eficazes e acessíveis, capazes de preservar os níveis de produtividade, a Rainforest Alliance observe a decisão das autoridades nacionais responsáveis pelo registro de defensivos agrícolas.
“Com base em procedimentos científicos de avaliação de risco, as autoridades brasileiras atestam que as moléculas são seguras para uso agrícola, sob medidas de mitigação de riscos, como o uso de equipamentos de proteção individual, o respeito ao período de aplicação para não impactar as populações de polinizadores, entre outras”, explica.
Os representantes da certificadora informaram que a norma publicada é global e reconhecem a necessidade de ajustes às realidades de cada país e produtos cultivados, mantendo o equilíbrio entre as dimensões econômica e ambiental da sustentabilidade. Eles pontuaram, ainda, que esses ajustes serão realizados em todos os países.
No Brasil, a Rainforest Alliance contratou um time de consultores para avaliar questões específicas de manejo de cada cultura certificada, apontando se existem alternativas viáveis aos defensivos proibidos na norma global. O primeiro resultado dessa pesquisa será discutido com representantes das regiões produtoras, cooperativas, universidades, entre outros atores da cadeia produtiva. Após o recebimento desses subsídios, serão realizadas as adaptações necessárias para a aplicação da nova Norma no Brasil.
“Consideramos que essa pesquisa contratada pela certificadora será uma oportunidade positiva para o efetivo engajamento das regiões cafeeiras na discussão da norma, visando sua adequação à realidade do campo. Esse diálogo é fundamental e, sem dúvida, foi deficiente durante o processo anterior de consulta pública, por isso estamos enfrentando essa discussão agora”, analisa Brasileiro.
O presidente do CNC conta que o Conselho, o Cecafé e a CNA participarão dessa pesquisa e facilitarão os contatos com seus associados e as regiões produtoras. “Nosso intuito sempre foi o de buscar um processo inclusivo e que impacte positivamente a oferta de cafés certificados pelo Brasil”, finaliza.
CNC debate cenário do mercado cafeeiro com StoneX
Melhor estratégia para mitigar o comportamento cíclico dos preços é o estabelecimento de campanha global para alavancar o consumo.
O Conselho Nacional do Café (CNC) participou, ontem (5), de reunião virtual com a StoneX Financial Inc. para debater o cenário mercadológico da commodity diante da crise desencadeada pela pandemia do novo coronavírus em esfera global.
Segundo Albert Scalla, vice presidente de Trading da corporação, o cenário cafeeiro necessita, "com urgência", de um programa mundial de aumento do consumo, pois o setor está atrasado em relação a outros segmentos nesse sentido.
Ele destaca que a instabilidade econômica gerada pela Covid-19 reflete em maior volatilidade nos preços do café, um desafio constante para produtores, traders e industriais.
A falta de estatísticas confiáveis, a exemplo de um claro quadro global de oferta e demanda, dificulta avaliação mais precisa dos impactos da pandemia sobre a evolução do consumo.
Contudo, são pontos de atenção a perda massiva de empregos, reduzindo a renda de consumidores, e a segunda onda de lockdowns na Europa, já que 35% do café consumido se dá fora dos lares, no setor HoReCa.
O presidente do CNC, Silas Brasileiro, relata que um importante ponto levantado foi a necessidade de uma estratégia global para se evitar a repetição dos erros do passado, que desencadeiam nos mesmos ciclos de queda nos preços do café.
"Cotações em baixa geram menor produção devido à incapacidade de investimentos dos cafeicultores. Anos depois, observamos alta com a redução da oferta, fomentando novos plantios, voltando a ocasionar excesso de oferta e novo declínio dos preços. Para evitar esse ciclo, precisa-se de um trabalho urgente, proativo e permanente de estímulo ao consumo, envolvendo os países em uma corporação multinacional", explica.
Ele recorda que o CNC, em ação coordenada junto ao segmento privado no Brasil, encaminhou proposta de promoção nesse sentido ao grupo de trabalho que revisa o Acordo Internacional do Café, sugerindo que a Organização Internacional do Café seja esse agente.
"A OIC pode ser essa representação multinacional e focar no maior volume de café consumido, principalmente nos países produtores, que, exceto o Brasil, têm baixo índice de consumo. O aumento per capita nessas nações é a melhor estratégia para evitarmos a formação de excedentes que aviltem os preços ", conclui.
Mercado do café encerra semana sem direção definida

Agentes estão cautelosos quanto à demanda, ao comportamento do dólar e às condições climáticas em importantes regiões cafeeiras do mundo.
Em uma semana de baixa volatilidade, o mercado internacional do café encerra sem um direcionamento definido, à medida que os agentes adotam cautela diante de sinais que podem apresentar problemas relacionados à demanda, devido à segunda onda de Covid-19 em países da Europa e nos Estados Unidos, do comportamento do dólar e das condições climáticas nas regiões cafeeiras do mundo.
Na Bolsa de Nova York, o vencimento dezembro/20 encerrou a quinta-feira (5) a US$ 1,0595 por libra-peso, acumulando leve valorização de 155 pontos em relação ao fim da semana passada. Na ICE Europe, o vencimento janeiro/20 do café robusta caiu US$ 12 no intervalo, cotado a US$ 1.339 por tonelada.
O dólar comercial recuou na semana, à medida que a apuração dos votos para a eleição presidencial dos EUA sinaliza vitória do candidato democrata Joe Biden, o que é visto por analistas como uma possibilidade para a implantação de um pacote de estímulo fiscal em 2021 e a existência de um governo mais previsível do que o do republicano Donald Trump. A moeda fechou, ontem, a R$ 5,545, acumulando perdas de 3,4%.
Em relação ao clima, o mercado volta sua atenção não apenas ao Brasil, mas para outras importantes regiões produtoras, como o Vietnã e América Central. No país asiático, fortes chuvas e tufões podem prejudicar a qualidade do café e o andamento das exportações. Nas nações centrais, há previsão de avanço do furacão Eta nos próximos dias, o que coloca sob alerta áreas cafeeiras de Honduras, Nicarágua, El Salvador e Guatemala.
Para o Brasil, a Somar Meteorologia informa que haverá pouca chuva sobre as áreas cafeeiras até o domingo. A partir de segunda-feira, o serviço prevê ocorrência de novas pancadas dispersas em São Paulo e Minas Gerais. Apesar da dispersão, espera-se que as precipitações caiam durante 10 dias e que os acumulados cheguem a até 50 milímetros entre Mogiana Paulista, Cerrado Mineiro e sul de Minas.
No mercado físico, os agentes permaneceram retraídos, monitorando o cenário externo relacionado à segunda onda da Covid-19 nos EUA e na Europa e as adversidades climáticas na América Central e no Vietnã. Os indicadores calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon se situaram em R$ 543,05/saca e R$ 409,12/saca, com variações, respectivamente, de 1% e -1,1% (Assessoria de Comunicação, 6/11/20)

