08/10/2026

Com bloqueios, exportações brasileiras de carnes caem 15%

Com bloqueios, exportações brasileiras de carnes caem 15%

Suino  Boi e Frango - Imagem criada por IA - Copilot

  • Receita total de setembro recua para US$ 2,65 bilhões, e volume fica em 863 mil toneladas
  • De julho a setembro, venda externa da proteína bovina teve redução de 25% ante mesmo período de 2025

 

As amarras colocadas pela China e pela União Europeia às exportações brasileiras de carnes tiveram impacto no mês de setembro. As receitas com as exportações das três principais proteínas —bovina, suína e de frango— caíram 15%, em relação a igual período de 2025. O volume exportado foi 12% inferior.

 

O ritmo das vendas externas brasileiras foi acelerado no final do primeiro semestre, devido à antecipação de compras pelos mercados da China e da União Europeia. No caso chinês, os importadores quiseram se livrar da taxa extra de 55% que seria cobrada sobre a carne bovina brasileira após o preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas. No europeu, as barreiras começaram após 2 de setembro.

 

A queda de vendas ocorre principalmente na carne bovina. Após ter atingido US$ 1,9 bilhão em setembro de 2025, as receitas do mês passado recuaram para US$ 1,38 bilhão, 28% a menos. De julho a setembro, período em que as exportações deste ano estão inferiores às de igual trimestre de 2025, o volume financeiro na carne bovina é 25% inferior.

 

No mês passado, quando ocorreu o esgotamento da cota da China liberada para o Brasil sem o pagamento de taxa extra, as vendas de carne bovina recuaram 93% em volume, em relação a setembro de 2025. Em comparação a agosto, o recuo foi de 32%.

 

Os chineses, que vinham sendo os líderes na lista de importação da proteína brasileira, adquiriram apenas 12,9 mil toneladas em setembro, caindo para a sexta posição, segundo dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras). As exportações para a União Europeia, que também impôs barreiras à carne brasileira, recuaram 15% no mês passado, em relação a agosto, mas ainda foram 30% superiores às de setembro de 2025.

 

O Brasil perdeu mercado na China e na União Europeia, mas ganhou nos Estados Unidos, que passaram a liderar as importações brasileiras. Juntas, China e União Europeia compraram 9.452 toneladas a menos de carne bovina do Brasil no mês passado, mas os Estados Unidos aumentaram as compras em 13,1 mil, somando 48,3 mil no mês. A queda de 41% nas compras da Rússia contribuiu também para uma desaceleração maior em setembro.

 

Com o desempenho negativo das vendas nos últimos três meses, o Brasil tem o primeiro recuo no volume acumulado de carne bovina exportada. De janeiro a setembro, foram 2,43 milhões de toneladas, 0,5% abaixo do volume de igual período do ano passado.

 

Já as receitas, devido ao aumento dos preços no mercado internacional, continuam crescendo. Neste ano, o país arrecadou US$ 14,2 bilhões, 14% a mais do que em 2025. Durante todo o ano passado, foram US$ 25 bilhões.

 

A exportação de carne de frango manteve ritmo forte, somando 500 mil toneladas em setembro, apesar de também sofrer barreiras na União Europeia. Os países desse bloco importaram 43 mil toneladas, produto que foi liberado antes de o embargo começar, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

 

A exportação de carne suína foi de 134 mil toneladas, abaixo das 150 mil de setembro de 2025, mas ainda dentro da média mensal deste ano. A Ásia comprou 26% a menos, influenciada pelas importações menores das Filipinas, China e Vietnã. Já Japão, Coreia do Sul e Malásia elevaram o volume de compras em setembro.

 

Os dados acumulados deste ano indicam que as receitas com a carne bovina somam US$ 14,2 bilhões, 14% a mais do que no período de janeiro a setembro de 2025. O frango rendeu US$ 8,7 bilhões, 21% a mais, e a carne suína, US$ 2,7 bilhões, 1% a mais (Folha, 8/10/26)