27/01/2026

Com R$ 90 bilhões para gastar, Lula ganha a eleição? – Por William Waack

Com R$ 90 bilhões para gastar, Lula ganha a eleição? – Por William Waack

Lula posa com ministros na última reunião com sua equipe, na Granja do Torto - Adriano Machado-Reuters

 

 

Lula espera injetar R$ 90 bilhões na economia este ano. Melhor dito, injetar R$ 90 bilhões na campanha eleitoral

 

São os programas de um pacote de bondades eleitoral, que vão do Gás do Povo à Tarifa de Eletricidade Social, passando por isenção de Imposto de Renda, crédito consignado facilitado e linhas para casa própria e compra de motocicleta. Diminuir o custo para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) também está nessa conta.

 

Calcula-se que, dependendo do programa, o número total de pessoas atingidas chegue a metade da população, uns cento e quinze milhões de pessoas. Parte desses programas tem impacto na já precária situação das contas públicas, nas quais se prevê um aumento de dez pontos percentuais na dívida bruta desde que Lula assumiu seu terceiro mandato.

 

Ou seja, trajetória insustentável. Mas não é nisso que o governo pensa; o foco é exclusivamente eleitoral.

 

Aí cabe a pergunta: os R$ 90 bilhões desse imenso pacote de bondades são suficientes para garantir a eleição? O problema está fora da economia — pelo menos por enquanto. Dois fatores de forte peso eleitoral se contrapõem a essas medidas para agradar o eleitor e estão interligados.

 

Um é a preocupação central do eleitorado com a segurança pública — reproduzindo o que aconteceu em eleições recentes em países ao nosso redor, dando vitória a forças de oposição ao governo. O outro é o pervasivo clima de "está tudo dominado", ou pelo crime, ou pela corrupção, ou por ambos, cujo exemplo mais atual é o escândalo do Banco Master.

 

O governo ainda está à procura de pacotes para responder a isso (CNN Brasil, 26/1/26)