Combustíveis: Novas medidas devem ter efeito limitado, dizem especialistas
Medidas têm duração inicial de dois meses e devem totalizar, somadas com ações anteriores, custo de R$ 31 bilhões aos cofres públicos • Ilustração gerada por IA
Avaliação é que alta é inevitável e consumidor final deve sentir pouco das ações do governo.
As novas medidas anunciadas pelo governo na segunda-feira (6) para suavizar o impacto da guerra devem gerar efeitos limitados nas bombas de combustíveis, segundo especialistas ouvidos pelo CNN Money.
Um executivo do setor ouvido pela reportagem avalia que, por ora, a ação não será suficiente e terá pouca adesão por parte do setor privado.
Desse modo, o socorro anunciado pelo Executivo não deve derrubar preços, mas se limitar a amortecer o aumento, que é inevitável, segundo David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), professor do Instituto de Energia da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e colunista da CNN Infra.
"Estamos em uma situação de guerra e de restrições. É óbvio que as aões do governo podem amortecer esse processo, mas não estamos em uma situação de estabilidade", diz Zylbersztajn.
A redução do custo tributário pode impactar positivamente no equilíbrio dos preços, na percepção de Francisco Neves, diretor-executivo da ANDC (Associação Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis).
Contudo, ressalta que é preciso "aguardar um pouco" para avaliar melhor o cenário e o quão profundo será o efeito.
O governo federal editou, na tarde desta segunda, medidas para evitar o aumento do preço dos combustíveis, dentre elas novas subvenções para o diesel, isenções para o setor aéreo e paridade de preço para o gás de cozinha.
As medidas têm duração inicial de dois meses e devem totalizar, somadas com ações anteriores, custo de R$ 31 bilhões aos cofres públicos.
Olhando para o teor das medidas, o economista e consultor Murilo Viana avalia que elas não necessariamente resultarão em redução de preços para os consumidores finais, mas sim facilitarão o repasse dos preços internacionais para importadores.
"Do ponto de vista dos consumidores, fica ali a dúvida se, de fato, esse alívio vai chegar na ponta ou se vai ser suficiente para poder, digamos, compensar esse grande choque do petróleo", aponta.
Viana ressalta a questão da defasagem do diesel em relação ao preço internacional, diferença que, se repassada integralmente, causaria forte impacto inflacionário e poderia desencadear instabilidades nas cadeias de fornecimento doméstico, incluindo o risco de greves de caminhoneiros, como ocorreu em 2018 (CNN, 7/4/26)

