Como o Brasil se tornou o alvo favorito dos tarifaços globais
Por Camilo Calandreli
Taxações massivas de Washington, barreiras draconianas da China sobre a carne brasileira e sanções da União Europeia contra pescados revelam o colapso de uma política externa pautada pela ideologia e pelo descaso técnico do governo Lula.
O slogan ufanista "o Brasil voltou" derreteu-se diante da dura realidade do comércio internacional. O anúncio de que os Estados Unidos decidiram aplicar um devastador tarifaço de até 25% (que, somado a outras investigações do USTR, pode bater a marca avassaladora de 37,5% ou até 50% em setores metalúrgicos) sobre os produtos nacionais não é apenas um golpe financeiro sem precedentes; é o atestado de óbito de uma política externa amadora, ideológica e profundamente negligente sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva.
A diplomacia brasileira abandonou o pragmatismo econômico para se perder em retóricas de palanque e no alinhamento cego a autocracias. Enquanto o Palácio do Planalto gastava tempo e recursos em viagens pomposas e discursos anacrônicos contra potências ocidentais, as agências regulatórias, os mecanismos de defesa comercial e a articulação diplomática em Washington, Pequim e Bruxelas foram deixados ao total relento. O resultado é um cerco comercial sem precedentes históricos, onde o exportador brasileiro agora paga a conta do descaso técnico governamental.
A humilhação em Washington: A conta da insolvência diplomática
A iminente tarifação dupla de Washington, fundamentada nas investigações da Seção 301 conduzidas pelo Representante Comercial dos EUA (USTR), expõe a fragilidade da articulação brasileira. Alegações americanas que transitam desde a ineficiência no combate ao trabalho degradante até o avanço de lacunas regulatórias serviram de pretexto ideal para que as forças protecionistas norte-americanas impusessem barreiras duríssimas. O Nordeste, por exemplo, assiste assombrado à destruição da competitividade de seus calçados e pescados, enquanto o governo tenta, tardiamente, reverter o inevitável em reuniões infrutíferas de última hora.
A promessa de Lula de "agir com reciprocidade" e acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) soa patética. Trata-se de uma bravata de quem não possui munição econômica para sustentar uma guerra comercial de desgaste contra a maior economia do mundo. Ao retaliar unilateralmente em setores não tarifários e de propriedade intelectual, Brasília apenas adiciona mais instabilidade jurídica a um ambiente de negócios já severamente castigado por impostos e juros galopantes domésticos.
A Pinça Comercial Global: O Brasil vê-se espremido por todos os lados. Enquanto os Estados Unidos impõem uma tarifa brutal de 25% a 37,5% que fulmina calçados e pescados, a China opera uma sobretaxa assustadora de 55% sobre a carne bovina brasileira fora da cota reduzida, e a União Europeia impõe bloqueios e barreiras não tarifárias severas, que há anos paralisam as exportações nacionais de pescados e insumos agrícolas sob o pretexto de exigências sanitárias e ambientais que o governo Lula falhou em solucionar.
O "Alinhamento com o Sul Global" que custou caro: O tarifaço da carne na China
A maior ironia da debacle diplomática lulista está na relação com a China. Vendida pela propaganda petista como o grande triunfo da cooperação multipolar, a parceria sino-brasileira converteu-se em um cenário de vulnerabilidade explícita. A decisão chinesa de aplicar uma tarifa astronômica de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar o limite de 1,1 milhão de toneladas atinge o coração do agronegócio nacional.
O Brasil, maior produtor de proteína animal do planeta, capitulou diante de Pequim. Enquanto as autoridades brasileiras comemoravam recordes fictícios, o governo chinês silenciosamente desenhava um funil protecionista para blindar seu próprio mercado e punir a ausência de força negociadora do Itamaraty. A redução dramática de 27% na cota de exportação em comparação ao ano anterior força o produtor brasileiro a desovar o excedente no mercado doméstico com margens de prejuízo, travando investimentos e destruindo milhares de empregos no campo.
O abandono europeu e as barreiras aos Ppescados
Na Europa, o cenário não é menos degradante. O histórico bloqueio da União Europeia contra pescados brasileiros e outros insumos agrícolas é o símbolo definitivo da impotência técnica da administração lulista. Sob o disfarce de exigências sanitárias complexas, o bloco europeu impede a entrada de produtos brasileiros que poderiam liderar os mercados internacionais, como a piscicultura e a tilápia.
As tímidas tentativas de destravar o pré-listing e as regras de regionalização não resistem à letargia das agências estatais brasileiras, paralisadas pela ingerência política e pela falta de foco técnico. Enquanto o governo gasta sua energia tentando contornar crises diplomáticas geradas pelo próprio presidente com declarações desastrosas em palcos internacionais, setores fundamentais da produção primária brasileira são sumariamente asfixiados pelas barreiras protecionistas de Bruxelas.
Um país sem rumo e sem aliados
Não há precedentes na história moderna do Brasil para um isolamento econômico e tarifário dessa magnitude. Ao afastar-se do Ocidente sem conquistar a reciprocidade real das potências orientais, a política externa lulista entregou o pior de dois mundos: fomos taxados como inimigos geopolíticos em Washington, explorados como parceiros submissos em Pequim e rejeitados como inadequados em Bruxelas.
O tarifaço americano e as barreiras agrícolas globais não são acidentes de percurso; são os sintomas agudos de um país sem projeto nacional, desprovido de seriedade institucional e gerido por um governo cuja incompetência interna agora é punida exemplarmente pelas maiores potências do globo. Quem paga o preço de um Brasil apequenado, isolado e sobretaxado é, como sempre, o trabalhador, o produtor e o cidadão comum.
Sobre o Autor:
Camilo Calandreli é vereador em Ribeirão Preto, gestor cultural especializado em Gestão Pública e Museologia, ex-Secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura no Governo Bolsonaro, autor de livros como:
· Um Breve Ensaio Sobre a Cultura no Brasil;
· Um Breve Ensaio Sobre a Agricultura no Brasil;
· Os Cinco Atributos do Cristão na Edificação de Uma Nação.
Graduado pela ECA-USP, pós-graduado em Administração e Gestão Pública Cultural (UFRGS), pós-graduação em Gestão Pública, Chefia de Gabinete e Assessoria Parlamentar (PUCRS), Gestão Cultural e Museológica (Universidad Miguel de Cervantes – Sevilla), além de MBA em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública (ESG/Instituto Venturo) e pós-graduação em Desenvolvimento Nacional, Política e Liderança (ESD). Atuou no Congresso Nacional (2021–2024) no Gabinete da Deputada Federal Carla Zambelli e, na Assembleia Legislativa de São Paulo (2025-26) no gabinete do Deputado Estadual SP Lucas Bove; 16/7/26

