13/07/2026

Cooperativas reduzem a exclusão e são, por consequência, defensoras da paz

Cooperativas reduzem a exclusão e são, por consequência, defensoras da paz

Foto Divulgação

Por Roberto Rodrigues

 

De 1844 em diante, o cooperativismo passou a ser chamado de terceira via para o desenvolvimento, entre o capitalismo e o socialismo, e cresceu até a queda do Muro de Berlim, em 1989.

 

No primeiro sábado do mês de julho, em todos os países do mundo, as organizações nacionais de cooperativas celebram — desde 1923 e sob a coordenação da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), localizada em Bruxelas, o Dia Internacional do Cooperativismo. Este ano a data caiu no sábado passado, 4 de julho.

 

E a cada ano a ACI escolhe um tema para celebrar este evento, sendo definido o de 2026 como: Cooperativas por um mundo pacífico. E a OCB seguiu o programa no Brasil.

 

Por que este tema? O que as cooperativas têm a ver com a paz mundial? Atualmente existem mais de 1 bilhão de pessoas filiadas a alguma cooperativa em todos os países.

 

A primeira cooperativa foi criada em 1.844 na pequena Rochdale, cidade inglesa, como reação à exclusão social de tecelões que perderam sua renda e seu trabalho em função da Revolução Industrial que se espalhava pela Europa.

 

Sem alternativa para se sustentarem, montaram um armazém para o abastecimento de suas famílias a preços menores do que os praticados na cidade. Deu certo, porque o novo armazém não precisava ter lucro. Só tinha que oferecer aos seus cooperados (e donos) produtos mais baratos.

 

O exemplo foi seguido por outros segmentos profissionais excluídos do mercado de trabalho pelas novas indústrias que surgiam em todos os rincões. Da Europa passou para as Américas, para a Ásia, África e muito rapidamente o mundo conheceu e adotou este novo modelo de trabalho associado

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Atualmente existem mais de 1 bilhão de pessoas filiadas a alguma cooperativa em todos os países, seguidoras de um ideário de 7 princípios universalmente admitidos e praticados. Se cada cooperado tiver 3 dependentes diretos, os cooperativistas são mais de 4 bilhões de pessoas, metade da população da Terra!

 

De 1844 em diante este movimento, o cooperativismo, passou a ser chamado de terceira via para o desenvolvimento, entre o capitalismo e o socialismo. E se equilibrou e cresceu espetacularmente até a queda do Muro de Berlim, um século e meio depois, quando perdeu importância.

 

Mas a globalização da economia que se seguiu gerou outra onda enorme de exclusão social com as fusões e incorporações entre empresas de todos os setores da atividade econômica. Milhões perderam seus empregos. E as cooperativas receberem grande parte deles, incluindo-os de novo no mercado.

 

Ora, milhões de excluídos são uma ameaça à paz em qualquer país. Se as cooperativas reduzem a exclusão, são por consequência defensoras da paz. Isso explica o tema definido pela ACI para 2026. Aliás, pela mesma razão a ONU chamou 2025 de Ano Internacional das Cooperativas. E a ONU é a guardiã da paz mundial... (Roberto Rodrigues é ex-ministro da Agricultura e professor emérito da Fundação Getúlio Vargas; Estadão, 12/7/26)