16/10/2025

Correios são saco sem fundo no governo Lula – Editorial Folha de S.Paulo

Correios são saco sem fundo no governo Lula – Editorial Folha de S.Paulo
  • Planalto articula socorro à estatal após prejuízos na gestão petista; contribuinte pagará a conta

 

  • Trata-se de estrutura obsoleta que há muito perdeu condições de competir com setor privado que investe pesado em tecnologia e logística. Desde o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o conjunto das estatais federais consideradas no resultado das contas públicas —o que exclui a Petrobras e os bancos oficiais— tem sido constantemente deficitário, mesmo sem contar gastos com juros. Em 2024, o rombo chegou a R$ 6,7 bilhões, o maior já medido em termos nominais.

 

A administração petista tenta dourar a pílula com o argumento de que déficit fiscal não significa necessariamente prejuízo, e muitas das empresas estão apenas fazendo investimentos com recursos que já tinham em caixa. Se a diferença contábil parece complicada, os Correios tornam desnecessário compreendê-la: eles acumulam tanto déficits como prejuízos bilionários.

Esse descalabro financeiro vai enfraquecendo outra tese governista —a de que os balanços de estatais no vermelho não implicam riscos para as finanças do Tesouro Nacional, ou seja, para o dinheiro do contribuinte.

Conforme a Folha revelou, o Planalto articula com Banco do BrasilCaixa Econômica Federal e bancos privados um empréstimo de R$ 20 bilhões para socorrer os Correios. A fim de encorajar as instituições a participar da empreitada inglória, o Tesouro deverá ser o fiador da operação.

Nesta quarta-feira (15), o presidente da empresa, Emmanoel Rondon, confirmou o reforço no caixa e anunciou, sem detalhes, um plano de recuperação que incluirá demissões voluntárias, com previsão de volta dos lucros em 2027. Acredite quem quiser.

Funcionário de carreira do BB, Rondon está no cargo há somente um mês. Substitui Fabiano Silva dos Santos, advogado ligado a Lula que pediu demissão em julho. A demora na troca alimentou ambições de partidos que já contam com apaniguados na folha de pagamentos.

Tal mixórdia de loteamento político, rombos na contabilidade e socorro oficial resultam da decisão petista, movida a ideologia e corporativismo, de retirar a companhia do programa de privatização —ao lado de outros entulhos estatais como a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

Os prejuízos dos Correios se multiplicaram vertiginosamente, de pouco mais de R$ 600 milhões em 2023 para R$ 2,6 bilhões em 2024 e R$ 4,4 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano.

Tanto as receitas estão em queda como as despesas estão em alta, incluindo as com pessoal. São 80,3 mil funcionários contados em junho, número só inferior, entre as empresas federais, aos de BB (88,6 mil) e Caixa (83,3 mil).

Não se está diante de um problema conjuntural, mas de uma estrutura obsoleta que há muito perdeu as condições de competir com gigantes do setor privado que investem pesadamente em tecnologia e logística.

É nesse saco sem fundo que se pretende despejar mais dinheiro, com a certeza de que ao final a conta, como sempre acontece nessas situações, será paga pelo contribuinte brasileiro (Folha, 16/10/25)