26/01/2026

Corrupção e impunidade influenciam voto no Brasil, diz CEO da AtlasIntel

Corrupção e impunidade influenciam voto no Brasil, diz CEO da AtlasIntel

Imagem Reprodução Blog Tik Tok

 

 

Em participação no programa ‘WW Especial’, Andrei Roman analisa como a convicção do eleitor e a falta de punição moldam escolhas eleitorais.

 

A percepção de corrupção continua sendo um fator decisivo no comportamento eleitoral do brasileiro, mas seus efeitos variam conforme o grau de convencimento do eleitor e o sentimento de impunidade associado aos casos. A avaliação é do CEO do Instituto AtlasIntel, Andrei Roman, ao analisar o cenário político e eleitoral do país.   

 

Em participação no ‘WW Especial’, da CNN, Roman afirmou que a “conclusão de que um candidato é corrupto define voto e de forma bem contundente”, o que ajuda a explicar fenômenos centrais da política brasileira recente.  

 

Para ele, sem esse elemento, seria difícil compreender episódios como a Operação Lava Jato, a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o impeachment de Dilma Rousseff e o enfraquecimento eleitoral de figuras como o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. 

 

“Dificilmente poderíamos explicar, por exemplo, porque o Sérgio Cabral não vem como grande candidato no Rio de Janeiro na próxima eleição para governador”, afirmou Roman. Vale lembrar, no entanto, que o ex-governador está inelegível.  

 

O CEO da AtlasIntel destacou, ainda, que a corrupção não tem impacto uniforme sobre todos os líderes políticos. Na sua avaliação, tanto Lula quanto Jair Bolsonaro (PL) mantêm bases eleitorais expressivas porque parte significativa de seus apoiadores não acredita que eles sejam corruptos. “Existe uma massa crítica muito relevante de pessoas que não acredita na corrupção desses líderes”, disse. 

 

Roman observou que, nesses casos, eleitores tendem a minimizar ou desacreditar investigações e denúncias. No campo petista, citou a visão de que provas relacionadas à Lava Jato seriam “questões pouco relevantes”. Já entre apoiadores do bolsonarismo, episódios como o caso das joias sauditas ou as investigações sobre rachadinhas também são relativizados.

 

Para o pesquisador, mais do que a corrupção em si, o que mobiliza e revolta o eleitor brasileiro é a percepção de que crimes não são punidos. “O que irrita muito o brasileiro na prática é o sentimento de impunidade”, afirmou, acrescentando que o Judiciário entra nesse debate justamente por esse ângulo. 

 

No cotidiano, segundo Roman, a população convive com a sensação de injustiça, observa crimes sem punição e percebe o mau uso do dinheiro público. Escândalos de grande magnitude, como o envolvendo o Banco Master, acabam ganhando dimensão simbólica por refletirem “uma realidade social mais ampla”, marcada por fraudes, enriquecimento ilícito e ausência de responsabilização (CNN Brasil, 25/1/26)