Crise do Master exibe instituições sem credibilidade – Por William Waack
William Waack. Foto Wikipedia
Não se apresenta justificativa plausível para o fato de o TCU (Tribunal de Contas da União) ter, na prática, arrogado para si o direito de investigar o Banco Central.
O escândalo do Banco Master está provocando uma crise institucional de graves proporções. Instituições brasileiras ligadas à política — entre elas o STF (Supremo Tribunal Federal) — já vêm sofrendo, há tempos, uma perda significativa de credibilidade, processo que os acontecimentos em torno do banco vêm acelerando.
Até o momento, não há explicação convincente para o envolvimento do STF na investigação do escândalo, ainda mais sob sigilo máximo. Da mesma forma, não se apresenta justificativa plausível para o fato de o TCU (Tribunal de Contas da União) ter, na prática, arrogado para si o direito de investigar o investigador, isto é, o Banco Central — também sob total sigilo.
A crise institucional não decorre do simples fato de um órgão averiguar o que outro faz ou deixa de fazer, pois isso está previsto na legislação e garantido pela Constituição. O problema reside no fato — demonstrado pela forte reação da sociedade civil organizada — de que não se acredita nos motivos alegados pelo STF e pelo TCU para justificar suas atuações no caso.
Em outras palavras, suspeita-se de que instituições de Estado não estejam agindo como instituições de Estado, mas sim como instrumentos em uma campanha de pressão política contra a autoridade monetária, em razão de esta ter liquidado um banco privado cuja atuação a Polícia Federal aponta como fraudulenta. Um banco que teria feito da compra de influência nas instituições da República a chave de sua longa sobrevivência, até a explosão do escândalo.
A sensação generalizada é a de podridão política, marcada por falta de pudor e atrevimento em escala inédita para um país que acreditava já ter visto de tudo em matéria de corrupção. Acreditava (CNN Brasil, 6/1/26)
Embate entre TCU e BC aumenta crise institucional – Por Thais Herédia

Thais Herédia. Foto Reprodução Blog CNN Brasil
Quanto mais a política domina o caso do Banco Master, mais imprevisível vai ficando o desfecho dessa história.
O embate entre o TCU (Tribunal de Contas da União) e o BC (Banco Central) no caso Master cresce e eleva a crise institucional em Brasília. O TCU avança, o BC reage, e vem uma nova rodada de provocações.
Sim, provocações, porque o fundamento jurídico para a atuação do TCU vai ficando cada vez mais frágil. Nesta terça-feira (6), o Banco Central respondeu ao pedido de inspeção do tribunal para que ela não seja uma decisão da cabeça de um único ministro, como tem sido.
Na outra ponta, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, pediu apoio aos colegas e defendeu que ninguém no Brasil está imune ao controle externo. Até aqui, a atuação do relator Jhonatan de Jesus é vista como uma tentativa de proteger o patrimônio do Banco Master e, de seu controlador, Daniel Vorcaro, acusado de crimes financeiros.
Ora, o TCU atua apenas sobre recursos da União, não de privados. Quanto mais a política domina o caso, mais imprevisível vai ficando o desfecho dessa história (CNN Brasil, 6/1/26)
Banco Master é sintoma de problema maior, diz ex-presidente do BC

Armínio Fraga. Foto Reprodução Wikipedia
Ex-presidente do Banco Central avalia que caso envolvendo o Banco Master reflete questões institucionais mais amplas e alerta para riscos fiscais no cenário econômico atual.
O ex-presidente do BC (Banco Central), Armínio Fraga, avaliou que o caso envolvendo o Banco Master representa apenas um sintoma de problemas institucionais muito maiores que o Brasil enfrenta atualmente. Em entrevista ao WW, Fraga comentou sobre o embate entre o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Banco Central em torno do caso.
ma de problema maior, diz ex-presidente do BCSegundo Armínio Fraga, a situação do Banco Master "pode ir muito longe se de fato as coisas forem expostas na sua plenitude". No entanto, ele reconheceu não ter condições de avaliar qual a probabilidade disso acontecer, embora torça pela transparência completa do processo.
Problemas institucionais mais amplos
Para o economista, a preocupação maior está relacionada ao funcionamento das instituições brasileiras como um todo. "O que me preocupa mais é uma coisa maior que diz respeito ao funcionamento das nossas instituições em geral", afirmou. Fraga citou questões importantes que estão surgindo em diferentes esferas, como no STF (Supremo Tribunal Federal), onde o ministro Edson Fachin apresentou proposta para criação de um código de ética.
Ele também mencionou as críticas às decisões monocráticas do STF em casos de grande relevância, o que gera insegurança jurídica. No Congresso Nacional, o economista apontou problemas como falta de transparência e dificuldade em definir grandes prioridades para o país.
Riscos na economia brasileira
Armínio Fraga fez um alerta contundente sobre a situação econômica do Brasil. Apesar de reconhecer três anos de crescimento razoável e baixo desemprego, ele classificou a situação fiscal como "totalmente insustentável", criticando a falta de avanços significativos do atual governo nessa área.
"O país está com juros de 15%, com uma inflação de 4%. Esse é um sintoma de um paciente que, se não está na UTI, corre o risco de entrar", alertou Fraga, usando uma metáfora médica para ilustrar a gravidade da situação econômica brasileira.
O ex-presidente do BC também expressou preocupação com a entrada em ano eleitoral, período em que, segundo ele, "os assuntos mais complexos e relevantes são frequentemente cancelados ou objeto de debates populistas". Ao concluir sua análise, Fraga reforçou que o caso do Banco Master, embora grave, é apenas um sintoma de problemas estruturais muito maiores que o Brasil precisa enfrentar (CNN Brasil, 6/1/26)

