11/08/2026

Custo de confinamento de gado no Sudeste caiu ao menor patamar em 23 meses

Custo de confinamento de gado no Sudeste caiu ao menor patamar em 23 meses

Custo alimentar (ICAP) no Sudeste caiu 2,63% em julho — -Foto Ramax Divulgação

 

O custo do confinamento do boi no Sudeste atingiu em julho o menor nível em 23 meses, enquanto no Centro-Oeste aumentou, segundo levantamento da empresa Ponta, baseado no Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP).

 

O ICAP é calculado a partir de dados de confinamentos monitorados por tecnologias da empresa, que gerenciam 62% do rebanho confinado do Brasil. A Ponta atua com tecnologias e sistemas de gestão de confinamentos e rebanhos a pasto, de genética, pesquisa e rastreabilidade.

 

No Sudeste, o custo alimentar (ICAP) de julho caiu 2,63% em comparação ao de junho, para R$ 11,48 por cabeça de gado bovino por dia - o menor patamar desde agosto de 2024. Na comparação com julho de 2025, a queda é de 9,46%. Para produzir uma arroba, o custo recuou 3,13%, para R$ 193,05.

 

Além disso, o valor da arroba subiu 3,77%, para R$ 344. Com custo menor e preço mais alto, foram necessárias 3,64 arrobas para pagar toda a alimentação do ciclo, menos da metade (47,9%) das 7,59 arrobas produzidas por animal. As 3,95 arrobas restantes ficam disponíveis para cobrir demais custos e formar margem de lucro, segundo a empresa.

 

Em outra leitura do dado, na relação de troca entre o custo do confinamento (ICAP) e o preço do boi gordo, o valor de uma arroba passou a pagar 29,97 dias de alimentação, quase um mês de cocho.

 

No Centro-Oeste, o custo dos confinamentos no mês passado (ICAP) aumentou 1,63% em relação a junho, para R$ 13,12 por cabeça por dia. O incremento não veio da dieta, que caiu 1,05% especialmente com a redução dos preços do milho, segundo a empresa. As razões do maior custo dos confinamentos foram, principalmente, o maior consumo de matéria seca (+2,11%) e os custos das fases de adaptação (+3,30%) e crescimento (+1,19%), disse a Ponta. Para produzir uma arroba, o custo em julho foi 3,08% menor, de R$ 180,62.

 

Menos custos, mais lucros

 

Nas duas regiões, a Ponta identificou aumento das lucratividades, que atingiram os maiores valores desde março. No Sudeste, chegou a R$ 1.145,71 por cabeça (+13,73%), e no Centro-Oeste, a R$ 1.138,30 (+8,08%).

 

O Sudeste retomou a liderança da lucratividade da arroba no mercado físico, mas por apenas R$ 7,41 por cabeça, mantendo as duas regiões em praticamente um empate técnico, de acordo com a empresa. No mercado de exportação (boi China), a vantagem se inverteu, com o lucro da arroba produzida em R$ 1.206,98 por cabeça no Centro-Oeste, contra R$ 1.191,25 no Sudeste.

 

“Julho reforça, portanto, uma tendência observada pelo ICAP ao longo de 2026: a gestão eficiente dos custos alimentares, combinada à eficiência da produção, amplia a capacidade do confinamento de proteger suas margens diante das oscilações de mercado.”, disse a Ponta em relatório (Globo Rural, 10/8/26)