03/05/2026

Derrotas não são só do governo, mas de todo o sistema – Por Paulo Junqueira

Derrotas não são só do governo, mas de todo o sistema – Por Paulo Junqueira

Paulo Junqueira abre o encontro de lideranças do agro, empresários e políticos com o governador Tarcísio de Freitas e o pré-candidato à Presidência da República senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Fazenda Santa Maria na última 2ª feira (27). Além deles, a mesa dos trabalhos reuniu o deputado estadual Lucas Bove (PL), o presidente de honra da Agrishow Maurilio Biagi Filho, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo André do Prado (PL), o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) e o ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo Guilherme Piai. Foto Douglas Intrabartolo

“Indicação de Messias foi ponto alto da onipotência petista, e saltos altos quebraram.

Lula sabia desde dezembro que o advogado-geral da União poderia ser rejeitado pelo Senado. Congresso derruba veto à dosimetria no dia seguinte à rejeição do indicado.

A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal foi o ponto alto da onipotência petista durante o Lula 3.0. Sua rejeição marcou o momento em que o salto alto do comissariado quebrou-se. No dia seguinte, com a derrubada do veto da dosimetria, quebrou-se o salto do Supremo Tribunal.” – Elio Gaspari, Folha de S.Paulo, 3/5/26

Por Paulo Junqueira

A rejeição de Jorge Messias para ocupar uma vaga no STF imposta pelo Senado e a derrubada do veto ao PL da Dosimetria pelo Congresso Nacional provocaram um tsunami entre a esquerda e os manipuladores do “sistema” que tenta a reeleição do presidente Lula.

 

Flávio Bolsonaro comemora com aliados ao fim da sessão que derrubou o veto de Lula ao projeto da dosimetria. Foto Wilton Junior Estadão

Até mesmo a mídia ativista acolheu o golpe, haja vista o comentário de Eliane Cantanhêde em seu artigo publicado na edição deste domingo (3) no Estadão: “Flávio Bolsonaro foi articulador e grande beneficiário das duas derrotas de Lula. Congresso entrou na guerra eleitoral e o Centrão, com uma exceção ou outra, já tem candidato; muita água, ou muita batalha, ainda vai rolar”

Em sua visita a Ribeirão Preto, na última 2ª feira (27), acompanhado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), depois de visitar a Agrishow, Flávio Bolsonaro foi recebido em almoço na Fazenda Santa Maria. Em seguida participou de reunião com  lideranças do agro e empresariais.

O senador Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas na reunião com lideranças do agro e empresariais na Fazenda Santa Maria. Foto Divulgação

Também participaram do evento os possíveis pré-candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo Guilherme Derrite (Deputado Federal – PP/SP) e André do Prado (Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo PL), além do Deputado Estadual Lucas Bove, do ex Secretário da Agricultura Guilherme Piai, dentre outras autoridades. Na oportunidade os produtores rurais relataram o absoluto e total descaso do desgoverno Lula ao setor mais relevante da economia nacional que é o agronegócio

 

Lula em queda livre

Montagem Brasilagro com IA  Lula foto de Mateus Bonomi- reuters

A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, último ano do seu terceiro mandato, é um tema central no debate político brasileiro, com opiniões divididas entre opositores, apoiadores e analistas, refletindo um cenário de alta polarização.

Levantamentos recentes de 2026, como o da Genial/Quaest (abril 2026), apontam desaprovação na faixa de 51% a 52%, com oscilações. Outras pesquisas, como o AtlasIntel, indicaram níveis de rejeição acima de 50% no final de 2025. Dentre os pontos de crítica (desgoverno) estão a gestão econômica incluindo desafios para conter o déficit fiscal, alta carga tributária e embates com o Banco Central sobre juros elevados.

O governo também enfrenta dificuldades em aprovar pautas prioritárias, resultando em derrotas no Congresso Nacional, especialmente no Senado, o que gera percepção de enfraquecimento da articulação política. As pesquisas indicam que áreas como segurança pública e corrupção são pontos sensíveis e fontes de desaprovação para o eleitorado.

R$ 12 bi para emendas parlamentares e R$ 10 bi em crédito para máquinas agrícolas

Por Rafaela Debiasi

Foto Reprodução Instagram

O governo liberou R$ 12 bi em emendas parlamentares às vésperas da sabatina de Jorge Messias para uma das vagas do STF. Coincidência? Claro que não. E para os produtores rurais mandaram um presente: R$ 10 bi em crédito para maquinário com juros abaixo de 10% ao ano.

Quanta generosidade. O setor que sustenta esse País inteiro, recebe menos do que parlamentares que distribuem valores sem prestar conta nenhuma e a solução do governo é tentar endividar ainda mais os produtores rurais que já estão no limite.

O que falta não é o crédito para comprar maquinário: faltam silos, renegociação da dívida, carência, prazo, falta fôlego e medidas que mudem a margem de verdade, essas não vieram.

Doze bilhões para distribuir no Congresso, dez bilhões para fingir que cuidam do agro. Isso não é política agrícola, isso é descaso, isso é falta de planejamento! (Rafaela Debiasi é comunicadora e palestrante Agro&Negócios; Instagram)

 

Lula tornou a maioria dos trabalhadores mais pobres

Cláudio Branchieri-Foto Reprodução Blog Revista Oeste Foto Raul Pereira - agencia ALRS

 

Por Cláudio Branchieri

Os brasileiros estão se endividando para colocar comida na mesa, pagar água e luz. Esse é o nível da tragédia. É impressionante como a inflação acelerou no País e foi de 0 a 100 em 3 segundos. Saiu o IPCA 15, veio a 0,89%. O nível de endividamento e de dificuldades das famílias chegou ao nível da insustentabilidade. Dois dados demonstram isso.

O primeiro dado, é um estudo da Consultoria Tendências, mostrando que a renda disponível dos brasileiros é menor dos últimos 15 anos. Eles definem a renda disponível como a renda que é o salário do trabalhador, menos impostos, menos pagamento das dívidas, menos aluguel, menos cesta básica, menos energia, menos combustível.

Só 21% da renda sobram para consumo. É o menor nível desde que se começou o estudo. Nada menos do que 59% dos brasileiros acham que a renda é insuficiente para pagar as contas.

Segundo o BTG, 50% das famílias dizem que a causa do endividamento é pagar a comida. As pessoas estão se endividando para colocar comida na mesa, para pagar água e luz. Esse é o nível da tragédia!

Não faz diferença se é para comprar comida, se é para pagar água, luz, se é para comprar TV, comprar roupas, calçados, remédios. Não faz diferença alguma de qual grupo você está falando aqui. Os brasileiros entendem que está muito pior pagar estas despesas ou fazer compras no governo Lula do que era no governo Bolsonaro.

Nós alertamos que o resultado da política econômica suicida era exatamente esse da incompetência do governo Lula. E é nesse cenário da penúria que o PSOL vem com o fim da escala 6x1. 45% dos brasileiros estão precisando ter um segundo trabalho para ter renda extra.

Este é o “pleno emprego” do Lula, o pleno emprego que tornou a maioria dos trabalhadores  brasileiros mais pobres! (Cláudio Branchieri é professor e parlamentar)

Fatos & Perspectivas

Imagem Instagram

  • Destoando do mundo – 1: Manchete principal da edição deste domingo do jornal O Estado de S.Paulo: “PIB per capita do Brasil cresce em ritmo menor que o global há 45 anos.”
  • Destoando... – 2: O brasileiro ficou para trás nos últimos 45 anos. Preso na chamada armadilha da renda média, o País viu o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita global superar, de forma consistente, seu ritmo. Pior: o desempenho econômico recente tem sido insuficiente para reduzir essa diferença.
  • Destoando...3: Entre 1980 e 2025, o PIB per capita global subiu de US$ 3.380,47 para US$ 26.188,94, um aumento de 675%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). No mesmo período, o Brasil saiu de US$ 4.427,94 para US$ 23.380,98, alta de 428%.
  • Governador Tarcísio de Freitas – 1: O governador Tarcísio de Freitas, desde que assumiu o cargo em 2023, nunca participou de nenhuma das cerimônias oficiais de abertura da Agrishow. Em 2023, primeiro ano do seu mandato, a Agrishow não teve cerimônia de abertura depois que o então ministro Carlos Fávaro, criou narrativa mentirosa de ter sido “desconvidado”.
  • Governador... - 2: Em 2024, o governador desembarcou em Ribeirão Preto e seguiu direto para o evento promovido nas esquinas das avenidas Presidente Vargas e Professor João Fiúsa que contou com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro e também do então governador de Goiás Ronaldo Caiado.
  • Governador...- 3: Em 2025, Tarcísio visitou a feira 48 horas após a cerimônia de abertura oficial. Este ano, o governador acompanhou o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na última 2ª feira (27) na visita à feira cuja cerimônia oficial ocorreu na véspera (26).
  • Ministros da Agricultura: A exemplo do seu antecessor Carlos Favaro, em 2025, o atual ministro da Agricultura André de Paula não acompanhou o vice-presidente da República Geraldo Alckmin na cerimônia oficial de abertura da Agrishow. A bem da verdade, a ausência de ambos, além de irrelevante, não foi sentida e não fez falta a ninguém...
  • Geraldo Alckmin - 1: O anúncio do “Move Agrícola” e a liberação de R$ 10 bilhões em linhas de crédito voltadas ao financiamento e à modernização de máquinas e implementos agrícolas na cerimônia oficial de abertura da Agrishow feitos pelo vice-presidente Geraldo Alckmin foi considerado por lideranças do agro como “um misto de acinte e deboche”.

Alckmin anuncia o “Move Agrícola” para o deleite de Tirso Meirelles, presidente sub judice da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo. A cena remete ao provérbio popular “dize-me com quem andas e eu te direi quem és"

  • Geraldo...2: A expressão "misto de acinte e deboche" é frequentemente usada para descrever comportamentos, falas ou atos que misturam uma afronta deliberada (acinte) com uma zombaria desrespeitosa (deboche), gerando grande revolta ou indignação.
  • Geraldo...3: Duas frases marcaram Alckmin antes de se unir à Lula: “Ele é o retrato do PT, sem ética, sem limites” e “após ter quebrado o Brasil e diante dos escândalos de corrupção investigados na época, o retorno de Lula ao poder significaria voltar à cena do crime”.
  • Simone Tebet...1: A ex-ministra do Planejamento e pré-candidata ao Senado pelo Estado de São Paulo, a sul-matogrossense Simone Tebet, foi redundante ao participar do ato da Força Sindical nesta última 6ª feira (1º de maio) ao afirmar que “eu garanto que o Brasil não quebra” sobre o fim da escala 6x1). A redundância ocorre porque não se pode quebrar o que já foi quebrado pelo desgoverno Lula!
  • Juros & PIB – 1: Importante constatação do Prof. José Márcio Camargo, da PUC/Rio: “O Brasil convive, nos últimos 12 meses, com taxa básica de juros em 15% ao ano. Como a taxa de inflação está em torno de 4,5%, a taxa real de juros está próxima de 10% ao ano, fazendo com que o governo gaste com juros aproximadamente R$ 1,3 trilhão, ou 8,5% do Produto Interno Bruto (PIB).”
  • Juros & PIB - 2: “O gasto com juros da dívida pública em 2026 será maior do que o gasto do governo com os programas sociais. E essa não é a taxa de juros média paga pelos agentes econômicos no mercado. A taxa de juros média em março atingiu 33,1% ao ano, recorde da série histórica.”
  • Juros & PIB – 3: “Nos últimos três anos e meio, a relação entre a dívida pública e o PIB do Brasil passou de 71,1% para 80,8% e para 78,7% do PIB. Neste período, o déficit primário do setor público foi de -2,3%, -0,4% e -0,6% do Produto Interno Bruto, respectivamente.”
  • Juros & PIB – 4: “Em outras palavras, ao mesmo tempo em que o Banco Central adotava uma política monetária fortemente contracionista, o governo implementava uma política fiscal bastante expansionista. É dar com uma mão e retirar com a outra.”

(Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto; 4/5/26)