Divisão interna paralisa reação do STF ao escândalo do Banco Master
Foto reprodução CNN
Por William Waack
Divisões internas levam à paralisia em um ambiente no qual a polícia e os vazamentos mandam no ritmo dos acontecimentos.
O STF (Supremo Tribunal Federal) está em busca da credibilidade perdida, fenômeno acelerado pelo escândalo do Banco Master, mas não está claro qual o caminho.
Em parte, essa dificuldade se deve a divisões profundas na Corte, que sempre existiram, mas nunca tão cercadas de desconfianças mútuas, como acontece agora.
Em parte, as dificuldades para encontrar um caminho de saída têm a ver com isso mesmo. Existe esse caminho, o caminho da recuperação da credibilidade perdida?
O presidente da Corte acha que sim, que pode ser por meio de um código de conduta. Outros integrantes acham que o código não serve para nada, e que o melhor seria aprofundar investigações até mesmo contra colegas.
Outra ala no Supremo também não gosta do código, por achar que serve apenas como confissão de culpa, e acredita que a Corte está sob ataque de interesses espúrios, inclusive por parte da imprensa, aos quais não se deve ceder.
Nas proporções atuais do escândalo, é difícil mesmo imaginar que o STF saia sozinho da situação de descrédito.
Divisões internas levam à paralisia em um ambiente no qual a polícia e os vazamentos mandam no ritmo dos acontecimentos.
Não se sabe quais nomes ainda serão arrastados no escândalo, mas o impacto eleitoral já existe. A corrupção voltou para o topo da preocupação dos eleitores, favorecendo evidentemente a oposição e prejudicando quem está no poder.
Saberá uma oposição com domínio do Legislativo - como se prevê - lidar com um Supremo, que no momento indica que não sabe o que fazer?
Até aqui não há resposta clara para essa pergunta, em parte, por culpa do Master (CNN, 10/3/26)

