11/03/2026

Divisão interna paralisa reação do STF ao escândalo do Banco Master

Divisão interna paralisa reação do STF ao escândalo do Banco Master

Foto reprodução CNN

Por William Waack

 

Divisões internas levam à paralisia em um ambiente no qual a polícia e os vazamentos mandam no ritmo dos acontecimentos.

O STF (Supremo Tribunal Federal) está em busca da credibilidade perdida, fenômeno acelerado pelo escândalo do Banco Master, mas não está claro qual o caminho.  

 

Em parte, essa dificuldade se deve a divisões profundas na Corte, que sempre existiram, mas nunca tão cercadas de desconfianças mútuas, como acontece agora. 

 

Em parte, as dificuldades para encontrar um caminho de saída têm a ver com isso mesmo. Existe esse caminho, o caminho da recuperação da credibilidade perdida? 

 

O presidente da Corte acha que sim, que pode ser por meio de um código de conduta. Outros integrantes acham que o código não serve para nada, e que o melhor seria aprofundar investigações até mesmo contra colegas. 

 

Outra ala no Supremo também não gosta do código, por achar que serve apenas como confissão de culpa, e acredita que a Corte está sob ataque de interesses espúrios, inclusive por parte da imprensa, aos quais não se deve ceder. 

 

Nas proporções atuais do escândalo, é difícil mesmo imaginar que o STF saia sozinho da situação de descrédito. 

 

Divisões internas levam à paralisia em um ambiente no qual a polícia e os vazamentos mandam no ritmo dos acontecimentos. 

Não se sabe quais nomes ainda serão arrastados no escândalo, mas o impacto eleitoral já existe. A corrupção voltou para o topo da preocupação dos eleitores, favorecendo evidentemente a oposição e prejudicando quem está no poder. 

 

Saberá uma oposição com domínio do Legislativo - como se prevê - lidar com um Supremo, que no momento indica que não sabe o que fazer? 

 

Até aqui não há resposta clara para essa pergunta, em parte, por culpa do Master (CNN, 10/3/26)