Economia estrangulada:O Brasil real que o governo Lula insiste em esconder
Foto André Borges EFE Reprodução Blog Gazeta do Povo
Por Lucia Festuccia
O peso de sobreviver no Brasil de 2026
No Brasil de 2026, sobreviver deixou de ser rotina — tornou-se resistência.
Trabalhar, pagar contas e tentar manter o mínimo de dignidade dentro de casa virou um exercício diário de sobrevivência. O brasileiro não vive mais; ele calcula, corta, renuncia. A sensação de “estrangulamento” não é exagero — é diagnóstico.
O que vemos hoje é o resultado direto de uma gestão econômica desordenada, voraz por arrecadação e indiferente ao sofrimento real da população. O dinheiro não rende, não circula — ele evapora. Antes mesmo de chegar às mãos do trabalhador, já foi capturado por um sistema que tributa, encarece e sufoca.
O Estado cresce. O povo encolhe.
Combustíveis: A engrenagem do abuso
O combustível no Brasil deixou de ser insumo — virou instrumento de pressão econômica.
Gasolina e diesel em níveis elevados não são apenas números — são o motor de um país mais caro, mais desigual e mais travado. Cada aumento não impacta apenas o tanque: ele reverbera em toda a cadeia produtiva, elevando preços, reduzindo margens e esmagando o consumidor.
E o que faz o governo federal?
Em vez de proteger o cidadão, permite — e muitas vezes incentiva — a manutenção de uma política de preços que favorece a arrecadação imediata em detrimento do alívio econômico. Soma-se a isso o peso dos tributos e ajustes silenciosos que transformam o combustível em uma fonte constante de extração fiscal.
O resultado é perverso: o brasileiro paga mais para trabalhar e mais para viver.
Frete: O imposto oculto que devora a economia
O Brasil escolheu depender das estradas — e hoje paga o preço dessa escolha com juros econômicos brutais.
O frete se tornou um imposto invisível, embutido em cada produto, em cada alimento, em cada item básico. Diesel caro, pedágios elevados, infraestrutura precária: tudo converge para inflar o custo de transporte e, consequentemente, o custo de vida.
O produtor perde margem. O transportador sobrevive no limite. O comerciante aperta preços. E o consumidor — sempre ele — paga a conta final.
É a economia do desperdício institucionalizado, onde o ineficiente é mantido e o cidadão é penalizado.
Energia elétrica: O confisco mensal legalizado
A conta de luz tornou-se um dos símbolos mais claros da falência do modelo atual.
Os aumentos sucessivos, muitas vezes acima da inflação real, transformaram a energia elétrica em um tributo disfarçado. Encargos, taxas, subsídios cruzados — uma engenharia tarifária complexa que esconde um fato simples: o brasileiro paga caro demais por um serviço essencial.
E quando o cidadão tenta fugir desse sistema — investindo em energia solar, por exemplo — o Estado responde com novas cobranças, como a taxação do Fio B.
Ou seja: quem busca autonomia é punido. Quem produz é taxado. Quem consome é drenado.
Não se trata de regulação — trata-se de captura.
A farsa da inflação oficial
O governo apresenta números frios. O povo vive uma realidade quente — e cada vez mais insustentável.
Falar em inflação controlada enquanto o preço dos alimentos dispara é, no mínimo, desonesto. A média estatística pode até ser tecnicamente correta, mas é socialmente falsa.
O índice oficial mistura o supérfluo com o essencial, mascarando o impacto real sobre o orçamento das famílias. Enquanto alguns itens pontuais seguram a média, o básico — comida, gás, energia — explode.
A inflação que importa não é a da planilha. É a da feira. É a do açougue. É a do carrinho cada vez mais vazio.
E essa inflação está fora de controle.
Carga tributária: O confisco disfarçado de política fiscal
O sistema tributário brasileiro deixou de ser complexo — tornou-se abusivo.
Não basta criar impostos: o governo também lucra ao não corrigir os existentes. A defasagem da tabela do Imposto de Renda é um exemplo claro de confisco indireto. O trabalhador recebe um reajuste ilusório, sobe de faixa e, na prática, empobrece.
É uma engrenagem silenciosa, mas extremamente eficiente em retirar renda da população sem que ela perceba imediatamente.
Cada nova taxa, cada encargo adicional, cada distorção mantida é mais um passo no processo de asfixia econômica.
O Estado não ajusta suas despesas. Ele ajusta o bolso do cidadão.
O Brasil precisa respirar
O país chegou a um ponto crítico.
Não se trata mais de ajustes pontuais, mas de uma mudança estrutural urgente. O Brasil não suporta mais ser tratado como fonte inesgotável de arrecadação para sustentar uma máquina pública ineficiente, cara e distante da realidade do povo.
A retomada do crescimento exige coragem: reduzir impostos sobre consumo, simplificar o sistema tributário, rever a política de preços de combustíveis e devolver ao cidadão o direito de prosperar pelo próprio esforço.
Prosperidade não nasce do peso do Estado. Nasce da liberdade econômica.
Enquanto o governo insistir em extrair, controlar e expandir, o Brasil continuará travado.
O que o país precisa não é de mais arrecadação.
É de alívio, de responsabilidade e de respeito ao trabalhador.
O Brasil não aguenta mais ser sufocado.
Sobre a autora
Lúcia Festuccia - Advogada com sólida atuação jurídica em Ribeirão Preto, Lucia Festuccia construiu uma trajetória marcada pela defesa de princípios, pela experiência prática no Direito e pelo engajamento nas discussões políticas contemporâneas.
Ativista e voz ativa no cenário público, passa a integrar o time de articulistas do portal BrasilAgro, contribuindo com análises jurídicas, institucionais e sociais. Também atua como membro da equipe pedagógica e consultora jurídica do Instituto Cultural Voluntários pelo Brasil, onde desenvolve ações voltadas à formação cidadã, à valorização da cultura e ao fortalecimento das instituições; 10/4/26)

