Editorial: Lula dá as costas ao agro, assusta e envergonha os brasileiros

Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto após ser empossado como novo presidente em Brasília, em 1º de janeiro de 2023. Foto Eraldo Peres AP
Na véspera da abertura dos portões da Agrishow/2025, durante o Agro Talk Show, evento que marcou o início da semana da maior feira de negócios do agro da América Latina e a 3ª maior do mundo, o brado de alerta feito pelo líder rural Paulo Junqueira, presidente do Sindicato e Associação Rural de Ribeirão Preto, de que “Só há um nome para 2026 e o produtor rural que pegar dívida com 15% de juros vai quebrar’, ecoou fortemente e foi amplificado pela mídia nacional e internacional.

Advogado e produtor rural disse que o setor está completamente abandonado pelo Governo em evento que antecedeu o 1º dia da Agrishow. Foto Kaique Oliveira AgroTalk
Produtores rurais de outros países celebraram o temor dos agricultores brasileiros com a falta de comprometimento e responsabilidade do presidente Lula e do seu governo com o agro verde-amarelo. O alerta de Paulo Junqueira pegou em cheio o ministro da Agricultura Carlos Favaro, que assustado e acuado, deixou de, pela segunda vez visitar a Agrishow. Historicamente, é o primeiro ministro da pasta a não visitar o maior e mais importante do evento do principal setor econômico e social do Brasil.
Segundo fonte do gabinete de Fávaro, ele temia ser hostilizado pelos produtores rurais e, a exemplo de 2023, quando não veio à Ribeirão Preto criando a falsa narrativa de ter sido “desconvidado” quando na verdade sabia que cruzaria com o ex-presidente Jair Bolsonaro que visitaria a feira no mesmo dia e horário. Na semana passada, o ministro esteve em evento na capital de São Paulo, distante apenas 300 kms de Ribeirão Preto e preferiu relegar a importância e o protagonismo da Agrishow.
Produtores rurais, dentre eles Paulo Junqueira que também preside a Assovale - Associação Rural Vale do Rio Pardo e coordena o movimento “Nova Faesp – Eleições Já”, acreditam que a atitude acintosa de Fávaro foi um prenúncio de que o anúncio oficial do Plano Safra 2025/26 pode não corresponder ao que é esperado. E, que, o aumento de juros acima de 15%, desanima os produtores e ameaça os volumes estimados para a nova safra, o que pode comprometer a balança comercial brasileira.
Nos próximos dias, o presidente Lula e grande caravana de apaniguados, embarcam para a China e a única coisa que terão a oferecer são os produtos agrícolas produzidos pelos produtores que não têm nenhuma empatia e confiança num governo marcado por narrativas falaciosas e envolvido com sucessivas denúncias de corrupção. O mesmo governo que nunca apresentou um projeto consistente para a economia do País e marcado pela corrupção e gastança oficial.

“Agrishow expõe relação delicada do governo Lula com agronegócio. Blog CNN Brasil”
Ainda sobre a Agrishow, a cerimônia oficial de abertura realizada, a portas fechadas num domingo, a exemplo do que houve no ano passado, não teve nenhuma expressão e menos ainda repercussão, já que apenas o vice-presidente Geraldo Alckmin compareceu a este evento pífio. Fontes de Brasília também lembram que a disputa judicial envolvendo os opositores do presidente sub judice Tirso Meirelles, da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar, também pesou para o não comparecimento do ministro da Agricultura e outras autoridades ligadas ao governo federal à feira.
A propósito, no último dia 1º de maio, no auditório da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, no recinto da Agrishow, Paulo Junqueira reuniu presidentes de sindicatos e produtores rurais que integram o movimento “Nova Faesp”. Na oportunidade, ele listou as ações que foram impetradas contra a tentativa de manter a “dinastia Meirelles” que se mantém há meio século no comando da maior e principal entidade do setor rural no País. Fábio de Salles Meirelles presidiu durante 48 anos a Faesp/Senar e tenta agora impor seu filho Tirso para sucedê-lo, transformando a entidade em “Capitania Hereditária do Agronegócio”.
A eleição da entidade, em dezembro de 2023, foi anulada por fraudes e irregularidades em 1ª e 2ª instâncias no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. O processo encontra-se no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho. Sentenças judiciais têm sido descumpridas e o presidente sub judice promove aguerrido revanchismo aos sindicatos de oposição, reduzindo e mesmo suspendendo a transferência dos recursos federais do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar para formação e qualificação profissional em total contradição ao estatuto da entidade que prega o princípio da isonomia.
Logo após o final do encontro entre dirigentes sindicais e produtores rurais, um grupo capitaneado pelo próprio Paulo Junqueira se dirigiu ao estande da Faesp/Senar na Agrishow portando faixas exigindo “Cumprimento do estatuto da federação; Eleições e Transparência Já”. Em seu discurso à frente do estande, depois de serem impedidos de entrarem por Juliana Farah, presidente do Grupo de Semeadoras do Agro e companheira do presidente sub judice Tirso Meirelles, Paulo Junqueira e seus companheiros também exigiram que a Faesp/Senar seja presidida por legítimos produtores rurais. Há dúvidas entre agricultores se a chapa formada por Tirso Meirelles tenha sido formada realmente por produtores rurais (Da Redação, 5/5/25)

