02/03/2026

Entre roubanças e escândalos perdemos 1 mi de alunos – Por Paulo Junqueira

Foto tirada pelo fotógrafo Kevin Carter, no Sudão em 1993. Em 1994, a imagem ganhou o Prêmio Pulitzer de Fotografia Especial. O menino da foto era Kong Nyong, que estava sofrendo de má nutrição severa na época, mas já tinha começado a receber ajuda da ONU. Três anos depois, depois de ser duramente criticado, Kevin Carter se suicidou

 

“A economia brasileira em 2026 enfrenta um cenário desafiador, caracterizado por um "descompasso" entre políticas fiscais expansionistas (gastos elevados) e uma política monetária contracionista (juros altos), o que analistas apontam como um freio ao crescimento econômico.

 

Com a necessidade de conter a inflação, influenciada por gastos fiscais altos, a taxa Selic deve permanecer em patamares elevados (projetada em torno de 12,75% a.a. para 2026), encarecendo o crédito e reduzindo o ritmo de investimentos e consumo. O Brasil registrou um dos maiores gastos com juros sobre a dívida pública no mundo em 2024 (8,28% do PIB), atingindo picos de R$ 987 bilhões em 12 meses até outubro de 2025.

 

Embora importantes para a renda, transferências governamentais elevadas, combinadas com o custo da dívida, criam um desequilíbrio macroeconômico. Analistas indicam que o "impulso fiscal" do governo conflita com a tentativa do Banco Central de desacelerar a economia, gerando uma ineficiência que trava o crescimento.

 

Após um crescimento robusto de 3,4% em 2024, a economia brasileira mostra sinais de perda de fôlego, com projeções de avanço menor (aprox. 2,0% a 2,5%) para 2026.

 

A insegurança jurídica e as incertezas sobre o cumprimento das metas fiscais — com um rombo de R$ 61,7 bilhões anunciado no fechamento de 2025 — dificultam o investimento privado, essencial para aumentar a produtividade

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Analistas do mercado, citados pela CNI e Ipea, sinalizam que a alta de juros é excessiva para conter a inflação, prejudicando investimentos e o crescimento de longo prazo (IA Google)”

Por Paulo Junqueira 

A face mais triste e preocupante do “desgoverno” dos sucessivos governos do PT e partidos aliados pode ser expressada pela notícia divulgada pela imprensa nesta semana com destaque para a matéria publicada pelo portal g1 do Grupo Globo que sintetiza em poucas palavras a seguinte denúncia: “Em um ano, Brasil tem queda de 1 milhão de matrículas nas escolas entre 2024 e 2025, diz Censo; ensino médio registra menor número de alunos do século.”

 

O Censo Escolar registrou 46.018.380 matrículas na educação básica em 2025, em 178 mil escolas públicas e privadas de todo o país. O total de alunos representa redução de 2,3% ante o apurado no ano anterior, quando eram 47.088.922 matrículas. Em 2024, a redução tinha sido de 0,45%, na comparação com 2023.

 

“Mudança demográfica, redução de repetência e alteração em cadastro de matrícula explicam queda, diz ministério”. Já a variação negativa mais intensa ocorreu no ensino médio, segundo o Censo Escolar de 2025. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Educação 2024, divulgados pelo IBGE em junho de 2025, o Brasil possui 9,1 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade.

 

Em sua coluna publicada na edição de ontem (1) na Folha de S.Paulo, o jornalista Elio Gaspari escreveu que “o ministro da Educação Camilo perdeu oportunidade de discutir os resultados do Censo Escola e resolveu reagir aos números do com o jogo do contente. Sumiram 1 milhão de matrículas, e o sistema melhorou; quem acredita nisso ganha um fim de semana na Groenlândia”.

 

Elio Gaspari também afirma que “o ministro não explica a queda no ensino médio, onde o governo investiu mais de R$ 16,6 bilhões em 2025, com o programa Pé-de-Meia, concedendo ajudas a 4 milhões de jovens do ensino médio. As redes estaduais públicas, que concentram 80% dos alunos, perderam 428 mil matrículas entre 2024 e 2025. Já a rede privada teve uma pequena alta de 0,6%.”

 

A corrupção sistêmica e os escândalos recorrentes no Brasil, muitas vezes referidos no debate público como "roubança", consolidaram uma "tragédia social" ao desviar recursos essenciais para educação, saúde e infraestrutura, impactando diretamente a qualidade de vida da população.

 

Corrupção sistêmica

 

Dados recentes indicam que o Brasil enfrenta um cenário de estagnação e persistência em altos níveis de corrupção, mantendo em 2025/2026 uma de suas piores posições históricas no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) da Transparência Internacional.

 

Principais Destaques (2025-2026):

 

  • Posição no Ranking: O Brasil ocupa a 107ª posição entre 182 países avaliados no IPC, divulgados em fevereiro de 2026.
  • Pontuação: Com 35 pontos (em uma escala de 0 a 100), o país repetiu um dos piores níveis históricos, indicando alta percepção de corrupção e fragilidade institucional.
  • Percepção de Crise: A corrupção voltou a ser considerada um dos três maiores problemas do Brasil, acompanhada pela segurança pública e inadimplência.

 

Fatores que Sustentam a Percepção de Corrupção Desenfreada:

 

  1. Macrocorrupção e Impunidade: Relatórios apontam a inércia em investigar grandes esquemas, com interferências indevidas e anulação de provas, criando a sensação de um sistema que impede a responsabilização de autoridades.
  2. Infiltração do Crime Organizado: Especialistas destacam o aumento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro.
  3. Emendas Parlamentares: A expansão e a falta de transparência no uso de emendas parlamentares (como as "emendas Pix" e orçamento secreto) são vistas como facilitadores de corrupção.
  4. Escândalos Recentes (2025/2026): Investigadores apontaram casos como o do "Rei do Lixo", desvios no INSS, fraudes no Banco Master e uso de IA para rastrear possíveis irregularidades de milhões de reais em emendas.

 

A corrupção crônica afeta diretamente o bem-estar da população ao desviar recursos de áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, aumentando a desigualdade social e econômica.

Embora a transparência tenha aumentado devido à tecnologia (cruzamento de dados públicos por inteligência artificial), os mecanismos de responsabilização têm demonstrado baixa efetividade, perpetuando o cenário de estagnação (Com IA Google)

 

Fatos & Perspectivas

 

  • Encontro com o presidente Jair Bolsonaro 1: Com autorização do Supremo Tribunal Federal estaremos nos encontrando na próxima 4ª feira (4) com o amigo e ex-presidente Jair Bolsonaro na “Papudinha” em Brasília. O encontro permitirá que possamos colocar nossas conversas em dia e levar a ele nossa solidariedade e respeito.

 

Paulo Junqueira, presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto, em momento de descontração ao lado do amigo ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto Reprodução Blog Prosa com Dutra

 

 

  • Encontro com o presidente...2: Transmitiremos também parte do grande número de manifestações que nos foram transmitidas, principalmente por parte dos produtores rurais. Retransmitiremos que os produtores do agro brasileiro, que sempre estiveram ao seu lado já começam a se engajar na candidatura do seu filho Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

 

  • Encontro com o presidente...3: E o fazem por terem a convicção de que ele dará continuidade ao legado construído no mandato do ex-presidente que foi interrompido por este desgoverno abominável que aí está.

 

  • Ninguém vai chorar pelo Irã 1: Em um dos seus editoriais publicados ontem, o jornal O Estado de S.Paulo, comenta os ataques perpetrados no último sábado pelos governos dos EUA e de Israel em território iraniano. “O Irã é um Estado pária, que massacra seu povo, quer a bomba para destruir Israel e financia o terror contra o Ocidente. Se o ataque derrubar esse regime criminoso, o mundo agradecerá.

Ali Khamenei, líder supremo da teocracia iraniana. Foto Reprodução AP

 

  • Ninguém vai chorar...2: O editorial prossegue: “Há quatro décadas a República Islâmica acumula um histórico de repressão interna, apoio a milícias terroristas e hostilidade aberta contra os EUA, Israel e países árabes, razão pela qual ninguém, no mundo civilizado, vai chorar pelo Irã.

 

  • Ninguém vai chorar...3: “Três cenários se desenham, todos plausíveis neste estágio inicial. O primeiro é o de um conflito calibrado: ataques intensos, mas circunscritos, seguidos de nova rodada de negociação sob pressão. O segundo é o de uma escalada regional controlada, com ciclos de retaliação que elevem custos sem produzir colapso imediato. O terceiro, mais ambicioso e incerto, seria uma tentativa prolongada de enfraquecer o regime a ponto de efetivamente precipitar sua transformação.”

 

  • Mídia fascista 1: A mídia fascista se esmera em tentar criar narrativas que não passam de mentiras descaradas e deslavadas. Em sua coluna de ontem, Elio Gaspari na “Folha”, comenta que “Flávio Bolsonaro não está tão parado quanto parece. Cinquenta e cinco apoiadores de sua candidatura pagaram para impulsionar críticas ao PT pelo desfile da Acadêmicos de Niterói. Receberam entre R$ 100 e R$ 300.

  • Mídia Fascista 2: Ao mesmo tempo o jornalista Claudio Humberto em sua coluna “Diário do Poder”, revela que “Lula torra R$ 3,7 milhões no Facebook em 1 mês.

 

  • Aumento do imposto de importação 1: O aumento do imposto de importação para mais de mil produtos tem o potencial de gerar uma arrecadação adicional de até R$ 20 bilhões para o governo Lula neste ano, mas pode comprometer o setor produtivo ao taxar produtos essenciais para os investimentos da economia brasileira, segundo análise da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado.

Presidente Lula afaga ministro da Fazenda Fernando Haddad. Foto Wilton Junior/Estadão

 

  • Aumento do imposto... 2: O governo aumentou no início de fevereiro as alíquotas do imposto de importação de uma lista ampla de bens de capital, incluindo máquinas, ferramentas e equipamentos, e de bens de informática e telecomunicação. São englobados mais de 1.200 produtos eletrônicos, incluindo smartphones, freezers e painéis com LED.

 

  • Aumento do imposto... 3: O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana argumenta que o aumento do imposto pode ter reflexos sobre a produtividade do País, ao encarecer a importação de bens de capital.

 

  • Aumento do imposto... 4: “A única chance de superar a renda média e entrar no mundo desenvolvido é aumentando produtividade. Tem que fazer mais e melhor com cada hora”, afirma. “Isso se faz com inovação, com bem de capital. Com máquina, equipamento mais eficiente, software, informática.”

 

  • Aumento do imposto... 5: O jornalista William Waack avalia que o governo preparou duas bombas para si mesmo: a primeira, bastante óbvia, é arrumar uma avalanche de críticas nas redes sociais para mais um aumento de imposto, pois sistematicamente se recorre a aumento de receita para equilibrar - sem conseguir - as contas públicas. 

 

  • Aumento do imposto... 6: A segunda bomba se refere à forma de proteção da indústria nacional. A descrença sobre a capacidade de se aumentar investimentos e produção local através de sobretaxas é generalizada nesse setor de eletrônicos. Como sempre, o consumidor pagará mais, enquanto o governo vai pagar outro tipo de preço: o de perda de popularidade.

 

  • Perdas e Lucros 1: O Banco Central registrou um prejuízo de R$ 119,97 bilhões no exercício de 2025, divulgado em fevereiro de 2026. Esse resultado foi impactado pela apreciação cambial.

 

  • Perdas & Lucros: 2: O Itaú Unibanco registrou um lucro líquido recorde de R$ 46,8 bilhões em 2025 e o Bradesco obteve lucro líquido recorrente de R$ 24,652 bilhões enquanto o Banco do Brasil teve lucro líquido ajustado de R$ 20,68 bilhões em 2025.

 

(Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto; 2/3/26)