17/03/2025

EUA correm risco de perder licenças para venda de carnes à China

EUA correm risco de perder licenças para venda de carnes à China

Tradicionalmente, os americanos fornecem cortes traseiros, de maior valor agregado, para os chineses. Foto Isirajohtauol - Wikimedia Commons

Brasil e Canadá poderiam atender à demanda do mercado chinês.

Os frigoríficos dos Estados Unidos correm o risco de perder suas licenças para exportações de carnes para a China e, se esta hipótese for confirmada, deixarão uma lacuna no mercado que pode ser suprida por outros fornecedores, como Brasil e Canadá.

Todo ano há uma renovação das permissões de exportação das plantas habilitadas pelos chineses. "Em 2025, as renovações ocorrem no domingo (16/3) e há rumores de que a China pode não renovar as permissões das plantas americanas devido à guerra comercial", disse uma fonte da indústria de carnes ao Valor.

Nesta semana, circularam rumores no mercado de que a China estaria cancelando contratos dos EUA, mas não houve nenhuma confirmação de que isso, de fato, aconteceu.

No entanto, de acordo com a fonte, há frigoríficos americanos que não estão ofertando produtos com embarque previsto para sair do país depois da data limite de renovação das licenças da China.

Caso as permissões realmente não sejam renovadas, gigantes do setor como JBS USA, Tyson Foods, Cargill e Smithfield Foods podem ser afetadas.

Na outra ponta, a expectativa do mercado é que não só o Brasil e Canadá, mas também Argentina, Uruguai e Nova Zelândia seriam beneficiados com alguma demanda adicional vinda de China, em detrimento da carne dos EUA.

Tradicionalmente, os americanos fornecem cortes traseiros, de maior valor agregado, para os chineses. Estes produtos são diferentes dos que a China costuma comprar do Brasil, que são os cortes dianteiros e mais baratos.

Desta forma, a China poderia passar a demandar produtos deste outro nicho ao Brasil ou buscar nos demais países que também vendem cortes nobres.

Dados compilados pela consultoria Agrifatto mostram que os EUA ficaram na sexta posição na lista dos principais fornecedores de carne bovina para a China em 2024, atrás de Brasil, Argentina, Uruguai, Nova Zelândia e Austrália.

"(Os EUA são) o país que fornece a preços mais caros para a China (dos grandes exportadores). O preço médio foi de US$ 10.276 por tonelada, 122% a mais que o preço médio da carne bovina brasileira que chegou lá em 2024", calcula a consultoria (Globo Rural, 14/3/25)