05/12/2022

Europa vê janela apertada para Lula negociar acordo com Mercosul

Europa vê janela apertada para Lula negociar acordo com Mercosul
MERCOSUL UE Imagem Blog FinanceOne.jpg

Representantes da União Europeia avaliam que prazo para selarem negociações vence em 2024; guerra da Ucrânia mobiliza europeus, mas há riscos.

Delegados da União Europeia querem aproveitar a posse de Lula para acelerar o acordo com o Mercosul. A pressa dos europeus também ficou registrada na última reunião com o Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), ocorrida no fim de novembro. Segundo relatos, querem aproveitar a janela de pouco mais de um ano para que os termos do acordo sejam selados. Um dos motivos é a tentativa de diversificação de fornecedores de matéria-prima e de combustíveis vindos da Rússia.

A delegação da Europa afirmou que, no entanto, há uma janela muito apertada para o avanço de um possível acordo com o bloco. Embora a chegada de Lula ao poder colabore positivamente, a eleição do Parlamento europeu —prevista para 2024— pode, por outro lado, colocar o acordo na gaveta mais uma vez.

A disposição europeia pró-Mercosul neste momento ganhou urgência em decorrência da Guerra da Ucrânia. A ideia é mudar a cadeia de fornecedores. O Mercosul desponta como alternativa mais viável.

Entre os diversos itens hoje fornecidos pela Rússia, o bloco latinoamericano poderia oferecer trigo, carnes e energia —atraindo, além disso, investimentos para a exploração do gás, por exemplo—outra fonte importada dos russos.

O alinhamento político de Lula com o presidente da Argentina é outro fator que pode impulsionar. Os argentinos são os que mais se beneficiam do Mercosul, na avaliação de analistas. Com a economia em crise, a tarifa interna para exportações e importações no bloco serve de proteção aos produtores locais.

Em caminho oposto, o Uruguai tenta se descolar do bloco e fechar um acordo bilateral com a China, que compraria a grande maioria dos produtos exportados pelos uruguaios – carnes, vinhos, leite, entre outros artigos. Para analistas que participaram das discussões, o ideal seria o Brasil firmar acordo com o Uruguai para adquirir esses produtos, como forma de preservar o Mercosul e avançar com a Europa.

O empresariado nacional, particularmente os industriais ligados à Fiesp, e o dos países vizinhos aguardam a conclusão para impulsionar exportações para países da Europa onde hoje não têm entrada (Folha de S.Paulo, 3/1/22)