Ex-presidente da Petrobras vê retrocesso na reação ao choque do petróleo
Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobras. Foto Reprodução Wikipédia
Ao WW, Roberto Castello Branco criticou postura do governo em segurar preços dos combustíveis em meio à alta internacional provocada pelo conflito no Oriente Médio.
O ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco criticou, em entrevista ao WW na quinta-feira (2), a postura do governo brasileiro diante do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, consequência da guerra no Oriente Médio.
Segundo Castello Branco, a atitude do governo representa uma "volta ao passado", com a Petrobras segurando os preços dos combustíveis em um cenário de alta, o que prejudica tanto a empresa quanto seus acionistas, incluindo o próprio governo federal.
"A Petrobras segurando preços em um ambiente de alta de preços, sacrificando seus acionistas, entre os quais o próprio governo, em benefício de uma política pública", afirmou o ex-presidente da estatal.
Castello Branco ressaltou que a Petrobras não é uma empresa totalmente estatal, mas sim uma sociedade de economia mista onde investidores privados possuem mais de 60% do capital. "Está sacrificando os seus acionistas privados. E sacrifica o governo também", destacou.
Críticas à tributação e sugestões
O ex-presidente da Petrobras também criticou a imposição do imposto de exportação sobre o petróleo, classificando a medida como distorciva. Segundo ele, se o governo permitisse que o mercado funcionasse livremente, haveria uma receita adicional de dividendos para o governo, além de maior arrecadação de impostos.
Castello Branco defendeu uma definição clara sobre o modelo de gestão da Petrobras: "Ou estatiza ou privatiza, 100%". Para ele, a estatização total seria uma "péssima decisão", com implicações negativas para o restante da economia, desestimulando investimentos e aumentando o endividamento público.
Por outro lado, o ex-presidente da estatal defendeu a privatização como um caminho benéfico para todos os envolvidos. "Privatizar poderia ser feito e todos ganhariam com isso. A sociedade brasileira, os acionistas, seria muito bom", concluiu (CNN 2/4/26)

