28/01/2026

Exportação de carne Angus certificada cresceu 260% e bateu recordes em 2025

Exportação de carne Angus certificada cresceu 260% e bateu recordes em 2025

Cortes certificados exportados chegaram a valer US$ 8.505 a tonelada — Foto Jean Segata Divulgação

Foram embarcadas 11,28 mil toneladas; dados foram apresentados nesta segunda-feira, em Porto Alegre.

O avanço brasileiro no segmento de carnes gourmet fez com que, em 2025, a raça Angus batesse recordes de produção e exportação de carne certificada. No ano passado, foram exportadas 11,28 mil toneladas, não apenas um aumento de 260% em relação a 2024, mas também um volume que supera as 10.993 toneladas que haviam sido embarcadas entre 2015 e 2023. Os dados foram apresentados pelo Programa Carne Angus Certificada nesta terça-feira (27/1), em Porto Alegre.

Além do volume, o faturamento estimado pelas vendas externas aumentou cerca de 380% no ano passado, passando de US$ 19,5 milhões em 2024 para R$ 93,5 milhões em 2025. Segundo dados da Associação Brasileira de Angus, os cortes certificados exportados chegaram a valer US$ 8.505 a tonelada, 53,5% a mais do que o valor obtido pela carne padrão exportação (US$ 5,539/t), e 27,2% maior do que a média obtida em 2024 pelo produto Angus certificado (US$ 6.687/t).

As vendas abrangem 35 países. O maior mercado foi a China, com 53% dos embarques, seguida de Israel (24%), e México (4%). “Tivemos uma demanda impressionante em 2025, e esperamos repetir esse desempenho em 2026”, afirma Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Certificada Angus. “Esperamos a abertura do mercado do Japão, o que deve gerar uma forte demanda por carne de qualidade superior”, comenta.

O resultado recorde do Angus brasileiro no exterior deve-se, principalmente, às dificuldades de abastecimento enfrentadas por concorrentes brasileiros.

“Os países que compram carne de qualidade estão desabastecidos. Isso ocorre porque fornecedores tradicionais, como Austrália e Estados Unidos, sofreram grandes reduções de rebanhos. E só o Brasil tem capacidade para atender essa demanda de qualidade com oferta abundante”, destaca Maychel Borges, gerente nacional do Programa Carne Angus.

Para impulsionar a exportação crescente, a produção de carcaças Angus certificadas também aumentou no ano passado. O abate somou 612 mil animais, um recorde nos 23 anos de funcionamento do programa, que começou em 2003, o mais antigo em certificação de carne bovina no Brasil.

O volume de bovinos abatidos no ano passado, que foi 20% maior do que em 2024, gerou 53 mil toneladas de cortes certificados, dos quais 78,7% foram destinados para o mercado brasileiro e 21,3% para exportação. O programa é desenvolvido em 60 frigoríficos de 30 empresas parceiras, localizados em 13 Estados.

No campo, os reflexos do sucesso também são sentidos, com a valorização de várias categorias de animais, de bezerros ao boi gordo, assim como na comercialização de matrizes e touros, destaca José Paulo Cairoli, presidente da Associação Brasileira de Angus. “Temos um projeto bem estruturado, e a tendência é de crescimento”, afirma o dirigente (Globo Rural, 27/1/26)