Faesp/Senar: Produtores rurais exigem mudanças estruturais e fim de dinastia

Dirigentes sindicais e produtores rurais paulistas, reunidos ontem no auditório da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, na área da Agrishow, em Ribeirão Preto, foram unânimes em defender mudanças estruturais e cumprimento do estatuto da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo – Faesp/Senar. Eles também querem fim da dinastia Meirelles nesta que é a maior e principal entidade que reúne sindicatos rurais do País.Foto BrasilAgro Douglas Intrabartolo
A iniciativa do encontro foi de Paulo Junqueira, advogado e produtor rural, presidente do Sindicato Rural e da Associação Rural de Ribeirão Preto e da Assovale – Associação Rural Vale do Rio Pardo. Ele também coordena o movimento “Nova Faesp” que contesta judicialmente a tentativa de Fábio de Salles Meirelles, que presidiu a entidade durante 48 anos mediante 12 reeleições e tenta transferir o comando da sua dinastia ao filho Tirso Meirelles, que preside a Faesp/Senar sub judice em decorrência da anulação da sua eleição em dezembro de 2023.
Paulo Junqueira relatou as dificuldades que encontrou quando, em 2021, assumiu a presidência do Sindicato e da Associação Rural de Ribeirão Preto, na relação institucional com a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo. “De imediato – explicou – percebi a total falta de transparência da entidade que se transformou em uma extensão dos interesses privados do presidente Fábio de Salles Meirelles. Durante a pandemia da Covid-19, o Senar adquiriu 500 mil doses para testes que deveriam ser distribuídos a todos os sindicatos rurais paulistas mas o nosso foi excluído sem qualquer justificativa ou explicação”.
“Com outras lideranças sindicais dos produtores rurais decidimos formar uma chapa para disputar as eleições. Todos os 50 nomes que formaram conosco esta chapa eram e são legítimos produtores rurais, de acordo com exigência estatutária, mas não sabemos se os componentes da chapa encabeçada por Tirso Meirelles são efetivamente produtores rurais. Eles tiveram recurso negado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região em ação de exibição de documentos, e, agora teremos acesso às informações da qualificação profissional dos componentes da chapa na eleição que foi anulada e saberemos se são, de fato e de direito, produtores rurais”, acrescentou Paulo Junqueira.
No encontro, o presidente do Sindicato Rural de Araraquara, Nicolau de Souza Freitas, comentou as dificuldades que foram impostas aos sindicatos que formam o grupo “Nova Faesp” com o corte total do repasse dos recursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar. “Judicializamos ação contra a Faesp/Senar e ganhamos em 1ª e 2ª instâncias, mas eles descumprem a decisão e se colocam acima da lei”.
Ricardo Sato, presidente do Sindicato Rural de Suzano, afirma que “não há representatividade política na entidade que serve para atender aos interesses dos seus dirigentes ao invés de se voltar aos interesses legítimos dos produtores rurais. A federação dá mais valor aos recursos do Senar ao invés de nos representar. Sequer atendem telefonemas nossos quando tentamos obter alguma informação deles”.
Thiago Jacintho presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente reclamou do descumprimento do estatuto da federação e defende a reeleição de apenas um mandato dos seus presidentes. O ex-presidente do Sindicato Rural de Fernandópolis e atual vice-prefeito da cidade, Marcos Mazeti, que ocupou cargo de diretoria da Faesp/Senar, relatou que sua saída da entidade foi provocada em protesto ao não cumprimento do seu estatuto.
Marco Antonio Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga reclamou da omissão dos verdadeiros e legítimos produtores rurais nas assembleias da federação e afirmou que “Tirso Meirelles é pior gestor do que seu pai que, quando presidente numa das campanhas dos seus 12 mandatos, prometeu acabar com as reeleições. Depois de 3 anos, mudou de discurso e partiu para nova reeleição, aumentando ainda os mandatos de três para quatro anos.

Paulo Junqueira reuniu presidentes e produtores rurais - Foto BrasilAgro Douglas Intrabartolo
O dirigente também revelou que a sentença da ação bilionária da Faesp/Senar e de sindicatos rurais contra a Cutrale deve ser conhecida nos próximos dias e é grande a probabilidade de revés aos produtores rurais. Angelo Munhoz, que integrou a diretoria da Faesp/Senar durante 11 anos, acusou Fábio de Salles Meirelles de “perseguidor dos produtores rurais que não honra e cumpre sua palavra”
Protesto em frente ao estande na Agrishow
Logo após a reunião, os dirigentes sindicais e produtores rurais se dirigiram até o estande da Faesp/Senar na Agrishow. O ingresso deles foi impedido pela diretora do Grupo Semeadoras do Agro, Juliana Farah, também companheira do presidente sub judice Tirso Meirelles, que usou seguranças para intimidar os manifestantes que exibiram faixas exigindo “Nova Faesp: cumprimento do estatuto e das decisões já, transparência já, eleições já e o cumprimento da lei”. Paulo Junqueira enfatizou que os cargos da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo devem ser preenchidos por legítimos produtores rurais, como estabelece o estatuto da entidade. (Da Redação, 2/5/25)

