Faria Lima foi incendiada por pressão de Alexandre de Moraes sobre Galípolo
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto Adriano Machado Reuters
Por Mônica Bergamo
- Empresários e banqueiros ficaram perplexos com possível interesse do magistrado nos rumos da instituição financeira; rumores também circulavam em Brasília
- Ministro e presidente do Banco Central não se manifestaram publicamente até agora sobre o assunto
Empresários e banqueiros que a imprensa define como "Faria Lima", por alguns terem escritórios na célebre avenida paulistana, receberam há alguns meses, de autoridades e políticos de Brasília, a informação de que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes havia pressionado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para que atuasse a favor do Banco Master.
O presidente da instituição bancária, Daniel Vorcaro, era mal visto por diversos empresários, e a disseminação do rumor foi imediata. O possível envolvimento de Moraes com o banco também causou perplexidade.
Vorcaro e outros executivos foram presos em 18 de novembro, e o BC decretou a liquidação do banco. O dono do Master deixou a cadeia dias depois e é monitorado com tornozeleira eletrônica.
A informação inicial, restrita a um grupo seleto, rapidamente se espalhou por diversos escritórios, chegando em seguida a bancas de advogados, a assessorias e à imprensa, por diversas fontes.
Os rumores também ganharam corpo em Brasília, com notícias de que inclusive o presidente Lula estava a par das pressões. As versões variavam, mas o interesse de Moraes pelos rumos de questões envolvendo o banco estava presente em todas elas.
O presidente do BC nunca confirmou a informação – naquele momento, ele negou com contundência para interlocutores que havia sido pressionado, afirmando que suas conversas com Moraes tinham como tema central a Lei Magnitsky. O ministro havia sido sancionado pelos EUA e queria informações sobre as consequências da medida para suas finanças.
A informação sobre as pressões do magistrado sobre o BC foi publicada nesta semana pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo , que afirma ter ouvido os relatos sobre as conversas dele com Galípolo de seis fontes diferentes.
Moraes, ao ser informado de que a fraude em repasses do Master ao BRB (Banco Regional de Brasília) chegava a R$ 12,2 bilhões, teria refluído da pressão.
Galípolo e Moraes não se manifestaram publicamente até agora.
MAIS COBRANÇAS SOBRE MORAES
Com este novo capítulo do caso, foram ampliados os questionamentos sobre o magistrado.
Antes, a informação de que o escritório de advocacia comandado pela mulher dele, Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de R$ 129 milhões com o Master, também divulgada também pelo Globo, já havia dado impulso à apuração de que o magistrado atuara em Brasília a favor do banco.
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou que o episódio configura conflito de interesses e defendeu a eleição, em 2026, de congressistas dispostos a uma reforma no Judiciário, numa sinalização de que a direita perseguirá o impeachment de ministros caso obtenha maioria ampla na Casa.
Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que não é alinhado ao bolsonarismo, afirmou que pretende coletar assinaturas para investigar as informações sobre a contratação, pelo Master, do escritório da mulher de Moraes (Folha, 23/12/25)

