05/01/2026

Faria Lima foi incendiada por pressão de Alexandre de Moraes sobre Galípolo

Faria Lima foi incendiada por pressão de Alexandre de Moraes sobre Galípolo

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto Adriano Machado Reuters

Por Mônica Bergamo

 

  • Empresários e banqueiros ficaram perplexos com possível interesse do magistrado nos rumos da instituição financeira; rumores também circulavam em Brasília
  • Ministro e presidente do Banco Central não se manifestaram publicamente até agora sobre o assunto

 

Empresários e banqueiros que a imprensa define como "Faria Lima", por alguns terem escritórios na célebre avenida paulistana, receberam há alguns meses, de autoridades e políticos de Brasília, a informação de que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes havia pressionado o presidente do Banco CentralGabriel Galípolo, para que atuasse a favor do Banco Master.

 

O presidente da instituição bancária, Daniel Vorcaro, era mal visto por diversos empresários, e a disseminação do rumor foi imediata. O possível envolvimento de Moraes com o banco também causou perplexidade.

 

Vorcaro e outros executivos foram presos em 18 de novembro, e o BC decretou a liquidação do banco. O dono do Master deixou a cadeia dias depois e é monitorado com tornozeleira eletrônica.

 

A informação inicial, restrita a um grupo seleto, rapidamente se espalhou por diversos escritórios, chegando em seguida a bancas de advogados, a assessorias e à imprensa, por diversas fontes.

 

Os rumores também ganharam corpo em Brasília, com notícias de que inclusive o presidente Lula estava a par das pressões. As versões variavam, mas o interesse de Moraes pelos rumos de questões envolvendo o banco estava presente em todas elas.

 

O presidente do BC nunca confirmou a informação – naquele momento, ele negou com contundência para interlocutores que havia sido pressionado, afirmando que suas conversas com Moraes tinham como tema central a Lei Magnitsky. O ministro havia sido sancionado pelos EUA e queria informações sobre as consequências da medida para suas finanças.

 

A informação sobre as pressões do magistrado sobre o BC foi publicada nesta semana pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo , que afirma ter ouvido os relatos sobre as conversas dele com Galípolo de seis fontes diferentes.

 

Moraes, ao ser informado de que a fraude em repasses do Master ao BRB (Banco Regional de Brasília) chegava a R$ 12,2 bilhões, teria refluído da pressão.

 

Galípolo e Moraes não se manifestaram publicamente até agora.

 

MAIS COBRANÇAS SOBRE MORAES

 

Com este novo capítulo do caso, foram ampliados os questionamentos sobre o magistrado.

 

Antes, a informação de que o escritório de advocacia comandado pela mulher dele, Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de R$ 129 milhões com o Master, também divulgada também pelo Globo, já havia dado impulso à apuração de que o magistrado atuara em Brasília a favor do banco.

 

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), declarou que o episódio configura conflito de interesses e defendeu a eleição, em 2026, de congressistas dispostos a uma reforma no Judiciário, numa sinalização de que a direita perseguirá o impeachment de ministros caso obtenha maioria ampla na Casa.

 

Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que não é alinhado ao bolsonarismo, afirmou que pretende coletar assinaturas para investigar as informações sobre a contratação, pelo Master, do escritório da mulher de Moraes (Folha, 23/12/25)