Flávio Bolsonaro: União, estratégia e liderança para reconstruir o Brasil
Flávio Bolsonaro no programa Pânico do Sistema Jovem Pan
Por Camilo Calandreli
A entrevista concedida por Flávio Bolsonaro ontem (12) do programa Pânico do Sistema Jovem Pan revelou mais do que um pré-candidato: apresentou um líder consciente da responsabilidade histórica que carrega. Em um momento de tensão política, instabilidade econômica e divisão social, sua fala foi marcada por serenidade, firmeza e clareza estratégica.
Logo na abertura, ao tratar da situação de seu pai, Jair Bolsonaro, Flávio demonstrou humanidade e lealdade. Não explorou o tema com vitimismo, mas com respeito e sobriedade. Destacou a força mental do ex-presidente e a injustiça que, em sua visão, vem sendo praticada. Mais do que defender um legado, reafirmou um compromisso: o de dar continuidade a um projeto político que mobilizou milhões de brasileiros.
Postura e comunicação: firmeza sem agressividade
Flávio mostrou maturidade política ao reconhecer a necessidade de diálogo. Sua defesa da união entre forças de centro e direita foi clara: há um adversário comum, e a fragmentação apenas fortalece o campo oposto.
Ele foi direto ao ponto: a direita precisa se organizar estrategicamente. Não se trata apenas de ideologia, mas de matemática eleitoral, capilaridade política e construção de palanques fortes nos estados — como ressaltou ao citar o papel estratégico de São Paulo.
Ao reconhecer a importância de lideranças como Tarcísio de Freitas, demonstrou pragmatismo. Não há personalismo, há estratégia nacional.
Diagnóstico econômico: Crítica com fundamento
Flávio apresentou uma crítica consistente à atual política econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Destacou:
- Juros elevados que desestimulam o investimento produtivo;
- Carga tributária sufocante;
- Burocracia excessiva;
- Recorde de empresas fechando as portas.
Sua fala dialoga com uma visão liberal-conservadora: menos Estado ineficiente, mais ambiente favorável ao empreendedorismo.
Não foi apenas retórica. Ele apontou uma realidade concreta: quando o capital prefere um CDB ao risco produtivo, algo está estruturalmente errado na economia.
Estratégia nacional: São Paulo como eixo decisivo
Um dos pontos mais relevantes da entrevista foi a visão estratégica nacional. Flávio demonstrou compreender que eleições presidenciais não se vencem apenas com discurso, mas com organização territorial.
São Paulo foi apresentado como estado-chave — onde a vantagem histórica da direita precisa ser ampliada para compensar diferenças em outras regiões.
Essa visão demonstra preparo político. Ele não fala apenas para a militância, fala para o mapa eleitoral do Brasil.
União da direita: Pragmatismo acima do ego
Talvez o ponto mais forte da entrevista tenha sido sua defesa da união. Flávio afirmou que não se vence eleição sozinho. Reconheceu a importância de alianças, inclusive com setores do chamado “Centrão”, quando há convergência programática.
Essa postura indica maturidade. Ele compreende que governar é construir maioria — e maioria se constrói com diálogo.
Soluções exequíveis para reestruturar o Brasil
Com base nas diretrizes já defendidas pelo campo conservador e liberal, algumas propostas estruturantes dialogam diretamente com a linha apresentada por Flávio:
- Reforma Administrativa Real
Redução de privilégios, modernização da máquina pública e eficiência no gasto.
- Simplificação Tributária com Redução da Carga
Menos impostos sobre produção e trabalho, ampliando competitividade.
- Segurança Jurídica para Investimentos
Ambiente estável que atraia capital nacional e internacional.
- Fortalecimento do agro e da indústria
Retomada da agenda de infraestrutura, crédito produtivo e exportação estratégica.
- Política Externa Pragmatista
Relações internacionais baseadas em interesse nacional e comércio.
- Defesa da Liberdade de Expressão
Respeito às garantias constitucionais e equilíbrio entre Poderes.
O legado e a missão
Flávio Bolsonaro não nega o legado de Jair Bolsonaro — ele o assume. Mas não se limita a reproduzi-lo. Busca organizá-lo, ampliá-lo e estruturá-lo politicamente.
Sua trajetória — iniciada ainda jovem na política — mostra experiência acumulada. São mais de duas décadas de atuação legislativa, atravessando momentos de oposição e governo.
Ele representa continuidade, mas também adaptação estratégica ao novo cenário.
Um líder para o momento histórico
O Brasil atravessa um momento decisivo. Crise fiscal, polarização política e desafios econômicos exigem liderança com:
- União
- Inteligência estratégica
- Capacidade de articulação
- Experiência legislativa
- Conexão popular
Na entrevista, Flávio demonstrou reunir esses atributos.
Se organizar direitinho, como ele próprio indicou, o campo da direita tem potencial de reconstruir uma maioria política consistente no Brasil.
Mais do que um candidato, apresentou-se como coordenador de um projeto nacional.
E, para muitos brasileiros, isso é exatamente o que o país precisa agora: liderança firme, discurso claro e estratégia organizada para recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento, da liberdade econômica e da esperança social.
Sobre o Autor:
Camilo Calandreli é gestor cultural especializado em Gestão Pública e Museologia, ex-Secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura no Governo Bolsonaro, autor de Um Breve Ensaio Sobre a Cultura no Brasil, Um Breve Ensaio Sobre a Agricultura no Brasil e Os Cinco Atributos do Cristão na Edificação de Uma Nação.
Graduado pela ECA-USP, pós-graduado em Administração e Gestão Pública Cultural (UFRGS), pós-graduação em Gestão Pública, Chefia de Gabinete e Assessoria Parlamentar (PUCRS), Gestão Cultural e Museológica (Universidad Miguel de Cervantes – Sevilla), além de MBA em Política, Estratégia, Defesa e Segurança Pública (ESG/Instituto Venturo) e pós-graduação em Desenvolvimento Nacional, Política e Liderança (ESD). Atuou no Congresso Nacional (2021–2024) no Gabinete da Deputada Federal Carla Zambelli e, desde 2025, é Assessor Parlamentar do Deputado Estadual SP Lucas Bove; 13/2/26)

