Flávio Bolsonaro:Alta em pesquisas no Carnaval que assustam aliados de Lula
Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Imagem Reprodução Blog Revista Veja
- A rejeição do presidente também subiu, chegando a ficar cerca de mais de quatro pontos acima da aprovação
- Na avaliação de uma liderança petista, índice não se estabeleceu em novos e mais altos patamares
Por Mônica Bergamo
Um salto em pesquisas diárias feitas para o mercado financeiro e que chegaram às mãos de lideranças do PT e de integrantes do governo assustaram os aliados de Lula: por dois dias, durante o Carnaval, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a ficar à frente do presidente nas simulações de segundo turno.
A rejeição de Lula, por sua vez, também subiu, e chegou a ficar cerca de mais de quatro pontos acima da aprovação.
Passada a folia, a desaprovação cedeu, e caiu —o mesmo ocorrendo com o principal adversário hoje do petista na corrida pré-eleitoral.
Na avaliação de uma das lideranças que viu a pesquisa, e que tem diálogo permanente com Lula, a rejeição ao presidente não se estabeleceu em novos e mais altos patamares.
O governo segue com o desafio, no entanto, de fazer com que a aprovação volte a superar a reprovação ao governo.
As pesquisas divulgadas em dezembro e janeiro mostraram que a rejeição superou a aprovação em todas as sondagens.
No começo de dezembro, o Datafolha mostrou que a situação era de empate: 49% desaprovavam, e 48% aprovavam o trabalho pessoal de Lula.
As sondagens divulgadas desde então, e até meados deste mês, mostraram a opinião negativa sempre superando a positiva (Folha, 21/2/26)
Gleisi tenta debelar rejeição evangélica;agressões tiveram aval no Planalto

Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais Foto: Wilton Junior/Estadão
Por Roseann Kennedy
Governo e oposição aguardam as próximas pesquisas para avaliar intenção de voto do eleitor por religião e mensurar qual foi o impacto do desfile em homenagem à Lula.
Até outubro falta tanto tempo no relógio da política que o eleitor já estará pensando no próximo carnaval. Mas o estrago deixado pelo desfile em homenagem ao presidente Lula, especialmente com a ala “famílias em conserva”, dificilmente será superado.
A avaliação avança entre governistas que agora lutam para tentar amenizar o mal estar com o eleitorado confessional.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hofmann, veio a público, na noite dessa quinta-feira, 19, falar como se não tivesse ideia do que a escola de samba planejava. Até comparou as críticas a pecado, para se aproximar da linguagem dos mais religiosos. Mas soou desafinada.
“É de muito oportunismo e hipocrisia as acusações de que o presidente Lula e o governo atacam as famílias e o povo evangélico por conta da homenagem que ele recebeu da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que através de um samba-enredo lindo contou a vida de Lula e homenageou a sua mãe”, disse.
Segundo a ministra, esse tipo de “abordagem mentirosa” foi usada na eleição de 2022 para alegar que Lula perseguiria as igrejas se fosse eleito. “É gente dissimulada e mentirosa. Os fatos estão aí para mostrar o pecado que cometeram”, completou Gleisi.
Uma semana antes do carnaval, a ministra do Planalto cantou o samba-enredo em homenagem a Lula na tribuna da Câmara dos Deputados.
Gleisi teve duas reuniões com representantes da escola de samba ano passado. A primeira-dama Janja foi ao último ensaio no barracão. Ou seja, o Planalto sabia e avalizava as ofensas aos opositores de Lula levadas à avenida.
O presidente de honra da acadêmicos de Niterói, vereador Anderson Pipico, é do PT. Também esteve com Gleisi, assim como o presidente da escola, Wallace Palhares.
A oposição poderá resgatar permanentemente as imagens do desfile. E ajudar a reforçar a rejeição de evangélicos e católicos.
Tradicionalmente esse público já manifesta rejeição ao presidente Lula e ao PT, especialmente os evangélicos. As pesquisas mais recentes de grandes institutos mostram que a rejeição evangélica ao governo petista fica entre 60% e 70%. A rejeição dos católicos fica em torno de 40%.
A base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a oposição aguardam os resultados das próximas pesquisas para olhar com lupa o recorte da intenção de voto do eleitor por religião e alinhar os próximos passos (Estadão, 21/2/26)

