14/11/2025

FLOP30: A feira riponga que virou caso de polícia – Por Paula Sousa

FLOP30: A feira riponga que virou caso de polícia – Por Paula Sousa

Imagem Reprodução YouTube

 

Há eventos internacionais que consolidam a imagem de um país, que exibem progresso, organização e liderança. E há a “FLOP30”, o espetáculo perfeito para mostrar ao mundo como transformar bilhões em caos, improviso e vergonha internacional. Para quem ainda tinha esperança de que o Brasil fosse protagonista no debate climático, basta acompanhar as notícias internacionais desta semana para perceber que, lamentavelmente, o país se tornou alvo de piadas na diplomacia global.

 

O evento que deveria colocar o Brasil em evidência como um defensor da sustentabilidade acabou mostrando algo bem diferente: uma nação totalmente despreparada, politicamente isolada, logisticamente desorientada e incapaz de garantir o básico — água, segurança e seriedade.

 

Chegamos ao ponto em que até água para dar descarga faltou. Um símbolo perfeito do que esse governo se transformou: muito discurso, pouca infraestrutura... e nenhuma noção do ridículo.

 

A invasão da “zona azul”: quando o caos encontrou a incompetência

 

O mais novo episódio que se tornou o cartão de visita da FLOP30: uma invasão digna de protesto universitário dos anos 90, mas ocorrendo em território administrado pela ONU — onde até a Polícia Militar é tratada como visita.

 

De acordo com informações de repórteres presentes no local, uma manifestação contou com a participação de médicos, enfermeiros, estudantes, líderes indígenas e ativistas da esquerda organizada, como o PSOL e o coletivo Juntos. Aquele “mix democrático" que surge apenas quando alguém avisa que as câmeras estão gravando.

 

O mais curioso não foi a invasão em si. Foi a sua estética.

Manifestantes com tênis da Nike, celulares de última geração e uma enorme bandeira da Palestina sendo erguida como se estivesse no centro de Gaza. Tudo isso durante um evento sobre clima, em Belém, dentro de uma conferência ambiental.

 

Talvez alguém ali acreditasse que a bandeira palestina é reciclável e, portanto, coerente com o tema da COP. Ou que o Hamas optou por enviar alguns representantes indígenas. Não sabemos. Mas o clima geral era de pura confusão ideológica — o que, convenhamos, combina bem com o governo atual.

 

O resultado? Detectores de metal destruídos, danos estruturais e dois seguranças da ONU feridos. Um vexame internacional digno de matéria de capa — mas tratado com a serenidade de quem acha normal transformar uma conferência global em um show de selvageria patrocinada.

 

Blue Zone: O território onde nem imprensa e nem lógica entram

 

A Blue Zone, área teoricamente destinada às negociações oficiais, se transformou em um espaço onde ninguém sabe o que está acontecendo. Nem mesmo a imprensa.

 

Segundo os relatos, os painéis são fechados, a imprensa é barrada e o público só sabe o que a organização decide divulgar em coletivas cuidadosamente roteirizadas. Ou seja, discursos prontos, nada concreto e muito teatro.

 

Enquanto isso, lá fora, os funcionários da ONU tentam explicar — em inglês — para policiais brasileiros e militantes perdidos onde termina o Brasil e onde começa o “território internacional”. Tudo isso dentro de uma estrutura improvisada, vulnerável e incapaz de suportar o próprio público que atraiu.

No fundo, a Blue Zone virou apenas um símbolo da FLOP30 inteira: um grande palco vazio, onde o que vale é a narrativa — não a realidade.

 

Green Zone: A feira hippie patrocinada por bilhões

 

Se a Blue Zone é o teatro diplomático, a Green Zone é o parquinho temático da esquerda global.

Uma enorme feira hippie, com tatuagens indígenas, venda de miçangas, cafés orgânicos, cremes artesanais e, claro, atores fantasiados de animais rastejantes — alguns lembrando as versões tropicais da “Carreta Furacão”. No meu caso, uma viagem de volta aos tempos de faculdade.

 

Sim, líderes mundiais andaram ao lado de pessoas fantasiadas de animais rastejantes pelo chão. A cena se tornou viral em segundos, como era de se esperar. A internet não deixa passar pérolas desse calibre.

Como justificar ao mundo que o Brasil investiu bilhões e apresentou, como atração, um desfile folclórico de zoológico humano?

 

Qual é a finalidade diplomática de observar autoridades internacionais evitando pessoas fantasiadas de jabuti?

A FLOP30 mais pareceu um evento escolar mal organizado, em que o professor (o governo) tenta convencer os pais (a comunidade internacional) de que o teatro infantil, mal feito e entediante, possui algum propósito pedagógico.

 

Calor insuportável e ar condicionado a diesel

 

A experiência sensorial da FLOP30 não passou em branco. O calor era tão forte que os jornalistas diziam ser “impossível ficar” em certos locais, mesmo com os enormes aparelhos de ar condicionado movidos a diesel.

Nada simboliza melhor a coerência ambiental do governo.

 

O Brasil não conseguiu convencer o mundo de que merece investimentos climáticos, mas conseguiu convencer o planeta inteiro de que Belém se tornou o aeroporto mais caro da história da Amazônia.

 

Bilhões gastos, e nem água para dar descarga

 

Se alguém ainda acreditava que o ponto mais constrangedor da FLOP30 seria a invasão, chegou a notícia que virou o símbolo máximo do fiasco: acabou a água dos banheiros.

Um evento internacional de bilhões, planejado por anos, com discursos sobre sustentabilidade e saneamento, foi incapaz de garantir o básico: água corrente.

 

Jornalistas precisaram usar álcool em gel para higienizar as mãos porque nem a torneira funcionava. Descarga? Só nos sonhos. Há décadas grande parte da população do Pará sabe o que é não ter água encanada.

 

O famoso “caminhão-pipa diplomático” precisou ser acionado para salvar a honra dos sanitários da ONU.

Esse é apenas o retrato fiel da gestão atual: Muita propaganda, pouca entrega, e nenhuma preocupação com o ridículo.

 

Fracasso diplomático: Lula isolado, China ausente, Alemanha desconfiada

 

Mas a vergonha logística ainda não foi o pior. O verdadeiro fracasso da FLOP30 está na esfera diplomática.

O Brasil apostou pesado no novo fundo florestal, o TFFF, projetado para captar investimentos bilionários de países ricos. Mas o que aconteceu?

  • A China recusou investir. Simples assim.
  • A Alemanha recuou por considerar o fundo arriscado demais.
  • Dos 50 países que prometeram apoio, apenas 3 ou 4 colocaram dinheiro de verdade.

 

Nem mesmo os aliados ideológicos de “painho” quiseram desembolsar seu rico dinheirinho.

O governo Lula gastou bilhões em estrutura, mas não conseguiu converter prestígio retórico em capital financeiro.

Um palco montado para que Lula brilhasse terminou iluminando apenas seu isolamento internacional.

Ele sonhava em liderar o debate climático.

 

Mas acabou reduzido a figurante num evento que deveria carregar seu selo de grande estadista.

O mundo o ouviu — mas não acreditou. E, mais grave, não investiu.

 

Brasil, vergonha mundial

 

Entre protestos descontrolados, militantes com roupas de marca e bandeiras que nada têm a ver com o tema, calor infernal, Comando Vermelho ameaçando a segurança, coxinhas a preço de joia, banheiros sem água e fundo florestal recusado, o Brasil conseguiu atingir o pior de todos os mundos:

 

  • fracassou na infraestrutura, fracassou na diplomacia, fracassou na organização, fracassou na credibilidade. Fracassou em tudo.

 

Nem mesmo a mídia mais militante conseguiu esconder o estrago. Quando chove dentro do estande da Globo, quando o repórter precisa narrar falta de saneamento básico numa conferência ambiental, não há narrativa possível que transforme caos em competência.

 

A COP30 não apenas expôs falhas.

Ela escancarou para o mundo um país desgovernado, improvisado, perdido em suas próprias contradições.

E o mais trágico — ou cômico, dependendo do ponto de vista — é que tudo isso aconteceu sob os olhos atentos da comunidade internacional, que agora sabe, sem sombra de dúvida, que o Brasil não está preparado para ser líder em nada que exija seriedade, honestidade, planejamento ou responsabilidade.

 

Um fiasco histórico

 

A FLOP30 ficará marcada como:

 

  • a conferência que gastou bilhões para entregar banheiros secos;
  • o evento climático resfriado por ar condicionado movido a diesel;
  • a feira hippie que se apresentou como política internacional;
  • a reunião diplomática que virou palco de protesto performático de militantes com roupa de marca;
  • e, acima de tudo, o episódio que expôs ao mundo que o Brasil perdeu o pouco prestígio que ainda restava.

 

De tudo isso, sobra apenas uma certeza amarga:

o Brasil merecia mais.

O mundo merecia mais.

E nós, brasileiros, merecíamos muito menos vergonha (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 14/11/2025)