22/09/2025

Impacto do clima no agro supera previsibilidade governamental

Impacto do clima no agro supera previsibilidade governamental

Lavoura de soja seca afetada pela estiagem no Rio Grande do Sul no início deste ano — Foto Felipe Biege Arquivo pessoal

 

Governo liberou R$ 12 bilhões, fora da meta fiscal, para renegociar dívidas rurais em todo o país

 

A liberação de R$ 12 bilhões de recursos federais extraordinários, fora da meta fiscal do ano, para a renegociação de dívidas de agricultores cuja produção foi prejudicada pelo clima nos últimos anos teve duas justificativas principais. A primeira é que medidas adotadas anteriormente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para saldar os débitos não tiveram alcance amplo por conta de custos aos produtores e ao Tesouro Nacional.

 

A segunda justificativa é que os extremos climáticos foram tão intensos que superaram os instrumentos usuais da política agrícola para solucionar os problemas causados no campo e a capacidade de planejamento governamental para enfrentar o problema.

O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) afirmou que a imprevisibilidade do impacto do clima na produção agrícola brasileira se deve à “forma súbita e a intensidade” com que ocorreram os eventos climáticos recentemente. Segundo a Pasta, isso se deu acima da capacidade de antecipação do planejamento governamental”.

 

“Os efeitos ultrapassaram os instrumentos usuais da política agrícola, criando uma demanda excepcional por recursos. Essa situação evidencia que o problema não poderia ter sido previsto na elaboração do orçamento do ano em curso, o que justifica a abertura do crédito extraordinário como medida emergencial”, diz o ministério na exposição de motivos da MP 1.316/2025, publicada na quarta-feira (17/9).

 

Segundo a Pasta, embora CMN já tenha autorizado outras medidas de renegociação, parte das operações de crédito rural ainda não pôde ser regularizada devido aos “custos para as instituições financeiras e para o Tesouro Nacional”. Com o recurso extraordinário e a linha criada na sexta-feira, o ministério afirma que será possível oferecer taxas de juros diferenciadas e prazos mais longos para pagamento das dívidas, o que dará “condições efetivas de recuperação financeira aos produtores”.

 

O governo ressaltou ainda que houve “relevância e a urgência” para adoção da medida por conta das dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais para regularizar suas dívidas.

 

“Sem essa iniciativa, muitos continuariam impossibilitados de acessar novas linhas de crédito, o que poderia interromper o processo de financiamento da produção agrícola”, aponta o ministério, na justificativa da MP.

 

“A proposta é fundamental para apoiar o setor agropecuário, garantindo o alongamento das dívidas em condições viáveis, evitando a elevação dos custos das lavouras e, por consequência, prevenindo aumentos no preço dos alimentos para o consumidor final”, concluiu.

 

Os R$ 12 bilhões são oriundos de superávit financeiro apurado no balanço patrimonial do governo em 2024. São R$ 600 milhões de recursos próprios livres da União e R$ 11,4 bilhões de programas financiados por operações oficiais de crédito. Os valores serão transferidos pelo Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que repassará a instituições financeiras credenciadas para emprestar aos agricultores na ponta a juros de 6%, 8% e 10% ao ano de acordo com o porte (20/9/25)