21/08/2026

Índia autoriza importação de 1 milhão de toneladas de açúcar sem tarifas

Índia autoriza importação de 1 milhão de toneladas de açúcar sem tarifas

País está com estoques baixos — Foto: Freepik

 

Decisão foi tomada para reduzir a pressão dos elevados preços domésticos.

 

Após os rumores do início da semana, o governo da Índia autorizou oficialmente uma cota de importação de açúcar de 1 milhão de toneladas isenta de tarifas para esta safra 2025/26.

 

A decisão se deu diante do aumento acelerado dos preços domésticos, que desde o início do período das monções saíram de 4.100 rúpias o quintal para 6.400 rúpias o quintal em Kolhapur (Maharashtra), valorização de 56%, renovando recordes dia após dia, segundo a consultoria StoneX.

 

A consultoria lembrou que os estoques indianos já se posicionavam em patamares historicamente baixos, em apenas 4,9 milhões de toneladas, o equivalente a 2 meses de consumo, e a temporada 2025/26 cresceu, mas aquém do esperado pelo mercado. A medida foi tomada às vésperas do período de festas na Índia, quando a demanda costuma crescer.

 

“Esperava-se que sem importações a Índia poderia chegar ao final de setembro de 2026 com estoques próximos a 4 milhões de toneladas, e os meses de outubro e novembro, no início da colheita, caminhariam para disponibilidade mínima de açúcar em um momento de importantes festivais e feriados no país”, observou a StoneX, em nota.

 

A Índia é o segundo maior produtor de açúcar do mundo. Diante da oferta restrita no país, os preços da commodity já estão sendo negociados próximos a 18 centavos na bolsa de Nova York, maior patamar desde abril de 2025.

 

A liberação das importações pela Índia acontece em um momento de tensão no mercado com as baixas chuvas no Hemisfério Norte. Além de precipitações 10% abaixo da média na Índia, a Tailândia deve observar quebra de safra em 2026/27.

 

O cenário é mais crítico ainda para a União Europeia, que enfrenta uma das piores estiagens de sua história, em paralelo a temperaturas elevadas. Para a StoneX, o bloco terá mais necessidade de importação de açúcar, especialmente nos três primeiros trimestres do ano que vem, o que favorece a tendência de alta para os preços do açúcar refinado (Globo Rural, 20/8/26)