Início de um novo tempo: O gigante acordou! – Por Paulo Junqueira

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“O agronegócio, que dá musculatura e orgulho ao interior dos Estados Unidos, empurra a economia nacional, mas ainda é visto por uma parte do Brasil bem pensante como um persistente Jeca Tatu. O Brasil tornou-se um exportador de alimentos e petróleo, mas, apesar do berço esplêndido, o gigante parece deitado numa cama de pregos” – Elio Gaspari, jornalista

Por Paulo Junqueira
Felipe Nunes, cientista político e fundador da consultoria Quaest, assina artigo publicado pelo O Globo na 2ª feira passada (10) transcrito pelo BrasilAgro (https://www.brasilagro.com.br/conteudo/felipe-nunes-flavio-se-saiu-melhor-que-jair-e-o-agro-estupido.html) que mostra que “Flávio Bolsonaro ampliou a votação do pai em quase todo o país.
Esse crescimento, porém, não foi uniforme. A mudança foi maior em cidades que dependem mais do agronegócio, especialmente da produção de grãos, da pecuária e das grandes propriedades. É nesses lugares que aparece a associação mais consistente para entender o avanço da direita e a perda de espaço do PT”.
Ao mesmo tempo, pesquisas feitas por cientistas e analistas políticos, como levantamentos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), demonstram que o encolhimento da votação da esquerda em relação a pleitos anteriores é proporcional à relevância do agronegócio na economia local:
- Municípios com mais de 50% do PIB atrelado ao agro: Registraram uma queda média de 8% a 8,8 pontos percentuais nos votos para o candidato Luiz Inácio.
- Municípios com menos de 5% do PIB atrelado ao agro: Tiveram uma oscilação negativa bem menor, de cerca de 2% a 3,9 pontos percentuais.
- Cidades de destaque: Em municípios do ranking dos mais ricos do agro, candidaturas alinhadas à direita, como a de Flávio Bolsonaro, venceram em 83 das 100 principais cidades agrícolas do país.
O fenômeno não se restringe apenas aos tradicionais polos do Centro-Oeste e do Sul. A perda de espaço da esquerda também avançou sobre novas fronteiras produtoras:
- A região do Matopiba: Cidades do Centro-Sul do Maranhão, Piauí, Tocantins e oeste da Bahia, que historicamente davam amplas maiorias à esquerda devido a programas de transferência de renda, registraram perdas significativas de votos progressistas em 2026.
- Mudança no perfil econômico: Cientistas políticos apontam que o crescimento do emprego formal privado e do empreendedorismo ligado às cadeias agrícolas diminui a dependência de auxílios governamentais, alterando a mentalidade política de trabalhadores locais e impulsionando uma visão mais conservadora ou focada no livre mercado.
Desafios do agro
Críticos e lideranças do setor argumentam que a falta de diálogo e as decisões do governo federal sufocaram a produção. Em 2026, o agro enfrenta uma conjuntura severa, caracterizada pelo aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial, altos custos de produção e endividamento.
Produtores rurais afirmam que a atual crise é agravada por decisões e omissões do desgoverno Lula:
- Inação e tensões políticas: Lideranças do setor no Estado de São Paulo e em outras regiões de grande relevância produtiva atribuem as dificuldades à falta de diálogo com o Palácio do Planalto e a uma agressiva e predatória política "anti-agro". Declarações do presidente Lula, como a afirmação em comício de que o agro deveria “se ajoelhar” em gratidão pelos recursos liberados, geraram forte reação negativa do setor.
- Atrasos e juros no Plano Safra: Críticos apontam problemas no planejamento de recursos federais. Episódios de suspensão de linhas de crédito do Plano Safra no passado geraram incertezas e atritos, forçando governos estaduais a criar fundos próprios para suprir a demanda regional.
- Aumento da insolvência: O primeiro semestre de 2026 registrou um salto expressivo nos pedidos de recuperação judicial por empresas e produtores rurais (CNPJs agrícolas), com o setor de soja liderando as estatísticas.
Só novo governo pode restabelecer a confiança do agro
A se confirmarem as análises dos cientistas políticos sobre a vitória de Flávio Bolsonaro no 2º turno no próximo domingo (25), nós produtores rurais teremos esta que será a única alternativa para vencermos as dificuldades que nos foram impostas pelo famigerado e predador “petismo”. Notícias veiculadas nos últimos dias, nos remetem ao significado do ideograma chinês “crise” que denota “risco e oportunidade”:
- Pesquisa realizada pela Oxford Economics, realizada com mais de 8 mil consumidores e entrevistas com agricultores em oito mercados europeus identificaram que o crescimento da produção agrícola na Europa ficou significativamente aquém do de seus pares globais entre 2011 e 2023, em média apenas 0,1% ao ano.
- Isso se compara ao avanço médio de 1% nos EUA, à média global de 2% e ao crescimento de 2% a 3% na China, Canadá e Índia. O Brasil esteve entre as nações com maior crescimento anual médio, de 3,3% ao longo do período.
- A americana FMC, uma das maiores empresas de defensivos agrícolas do mundo, atualizou nesta quinta-feira (15/10) suas projeções para o terceiro trimestre de 2026. A empresa espera uma receita entre US$ 65 milhões e US$ 125 milhões, entre 76% e 88% abaixo do mesmo período em 2025.
- O mercado de máquinas agrícolas também mostra fraqueza no Brasil. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) projeta queda de 20% nas vendas para 2026.
- Nenhum outro país do planeta têm as condições que o Brasil tem para produzir alimentos e energias limpas e renováveis.
- Com um governo permeado por técnicos competentes e responsáveis, com um presidente sensível aos anseios populares, um Legislativo comprometido com os interesses da Nação e um Judiciário que cumpra suas obrigações constitucionais podemos, juntos, construir um novo tempo deixando para trás os detratores dos valores que defendemos como “Deus, Pátria, Família e Liberdade”.
O novo governo pode reestruturar investimentos de infraestrutura e criar novo ambiente de negócios que permitam o aumento das exportações e abertura de novos mercados tendo como foco a transformação do agro em política de estado, como tem defendido o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.
Agro brasileiro produz alimentos para 190 países
Para atender a demanda mundial nas próximas décadas, a produção global de alimentos precisará aumentar entre 50% e 70% até 2050, impulsionada pelo crescimento da população (que deve atingir 9,7 bilhões de pessoas) e pela rápida urbanização. Olhando para um horizonte mais curto, a OCDE estima que o mundo precisa de um incremento de 20% na oferta de alimentos nos próximos 10 anos.
A transformação do Ministério da Agricultura em um superministério se faz necessária e impõe sinergias entre os produtores rurais do agro e os pequenos e médios agricultores. Ressalte-se que o agronegócio engloba todas as cadeias produtivas dos grãos, carnes, celulose e biocombustíveis, setores que o Brasil graças aos seus produtores lidera a nível global.
E, mais: o Brasil pode e deve exportar a tecnologia para que outros países, principalmente os localizados no hemisfério sul, também possam se engajar no compromisso de produzir alimentos e energias renováveis. É inegável a relevância global do agro brasileiro que produz alimentos para 190 países.
O ex-ministro e professor Roberto Rodrigues defende que “a segurança alimentar é a base fundamental para a estabilidade social e a paz global, afirmando categoricamente que não há paz onde há fome”. Para ele, o cinturão tropical do planeta atua como uma alavanca estratégica essencial capaz de alimentar o mundo e pavimentar o caminho para a harmonia geopolítica.
(Paulo Junqueira é advogado e produtor rural. É também presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto; 19/10/26)

