JBS prevê bons resultados para área de bovinos no Brasil apesar do tarifaço
CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, ressaltou que apenas algumas unidades específicas da Friboi, que exportavam mais para o mercado americano, sofreram impacto devido à nova taxa — Foto: Silvia Zamboni/Valor
Empresa espera melhora na operação de suínos nos Estados Unidos após impacto da China.
O CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, acredita que as operações de bovinos da companhia no Brasil, com a Friboi, devem obter desempenho positivo no decorrer deste ano, mesmo em meio ao aumento de tarifas dos Estados Unidos contra produtos do Brasil, país que até o mês passado era o segundo maior comprador de carne bovina brasileira.
"Para o próximo tri (3º trimestre do ano), as nossas operações de bovinos no Brasil vão continuar entregando bons resultados", estimou o executivo em teleconferência para comentar o balanço financeiro da empresa, realizada nesta quinta-feira (14/8).
Tomazoni ressaltou que apenas algumas unidades específicas da Friboi, que exportavam mais para o mercado americano, sofreram impacto devido à nova taxa que chegou a 76,4%.
No entanto, de maneira geral, a percepção do CEO é de que as tarifas não terão efeito relevante para a companhia como um todo, visto que há possibilidade de redirecionar cargas e o grupo conta com uma plataforma de diversificação geográfica.
"A Friboi está com um crescimento forte em volume e dividendos", enfatizou.
No segundo trimestre deste ano, a JBS Brasil, operação de bovinos do grupo no país, viu uma elevação de 20,2% na receita líquida em relação ao mesmo período de 2024, para US$ 3,58 bilhões. Os dados foram divulgados em balanço na noite de ontem (13/8).
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado subiu 1% no período, para US$ 228,6 milhões. A margem Ebitda, porém, caiu 1,2 ponto percentual para 6,4%.
"Nós perdemos um pouco em relação às margens, mas conseguimos compensar isso com um volume maior", pontuou Tomazoni.
Em relação ao ciclo do gado no Brasil, o executivo afirmou que a perspectiva é otimista para a pecuária neste ano e em 2026 também, em função das melhorias de produtividade e índices de confinamento que vêm sendo praticados no mercado.
Suínos
À medida que a guerra comercial se intensificou entre Estados Unidos e China, a operação americana da JBS sentiu um impacto negativo pela redução na venda de carne suína do país ao mercado chinês. Agora, a perspectiva da companhia é de recuperação para o decorrer do ano, com impulso vindo da demanda local.
"Produtos que iam mais para a China precisaram retornar. Esperamos que a partir do terceiro trimestre de 2025 a gente volte ao normal", disse o CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho.
Segundo o executivo, com a alta nos preços do gado e da carne bovina nos Estados Unidos, o suíno se tornou uma boa opção para a população doméstica. Com um consumo maior, ele acredita que as margens serão melhores para a JBS USA Pork.
No segundo trimestre deste ano, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da unidade americana de suínos aumentou 5,6% na variação anual, para US$ 253,6 milhões. A receita líquida, porém, caiu 4,8% para US$ 2,06 bilhões.
O segmento de linguiças e produtos preparados de suínos é, inclusive, uma das apostas da companhia nos EUA. Wesley Filho comentou que a empresa fez um mapeamento sobre onde estava a demanda e, ao perceber essa oportunidade, decidiu investir em novas plantas no país.
Nesta quarta-feira (13/8), a JBS USA anunciou a compra de uma unidade em Iowa, por US$ 100 milhões, que será ampliada e deverá se tornar a maior fábrica de linguiças e bacon da companhia naquele país.
Bovinos
Para o mercado de bovinos, cujo ciclo de baixa oferta de gado é ofensor das margens da JBS Beef North America, Wesley Filho acredita que este cenário deve permanecer ao longo de 2025 e e pode se intensificar em 2026.
"Eu acho que nesse ano, começo do próximo, é onde vamos ter o ponto mais baixo do ciclo (pecuário) e a partir de então vamos ter um aumento gradual na oferta de gado", estimou o executivo.
Com isso, ele acredita que melhoras nas condições do setor tendem a acontecer, aos poucos, entre 2027 e 2028.
Além da questão cíclica, o CEO prevê aumentos nos preços da carne bovina dos EUA e também do produto importado pelo país, diante das tarifas contra o Brasil.
"Ainda não sabemos o que vai ser 100% nos EUA porque existe estoque (de importação). Vamos saber à medida que esse estoque de carne brasileira for sendo utilizado", comentou (Globo Rural, 14/8/25)

