09/01/2026

Justiça decreta recuperação judicial do Grupo Forte Agro, de Mato Grosso

Justiça decreta recuperação judicial do Grupo Forte Agro, de Mato Grosso

Produção de grãos é uma das atividades do Grupo Forte Agro — Foto: Marcelo Beledeli/Globo Rural

 

Empresa atua no comércio de máquinas agrícolas, insumos, produção de grãos e pecuária e pretende estruturar um passivo de R$ 260 milhões

 

A piora das condições de crédito e as dificuldades de fluxo de caixa de produtores levaram mais uma revenda de insumos agrícolas a recorrer à recuperação judicial. No fim de dezembro de 2025, o juiz da 4ª Vara Cível de Rondonópolis (MT), Renan Carlos Leão Pereira do Nascimento, deferiu o pedido de recuperação judicial do Grupo Forte Agro, de Rondonópolis (MT). O processo corre em sigilo de justiça.

 

De acordo com a Serasa Experian, os pedidos de recuperação judicial do agronegócio cresceram ao longo de 2025 e atingiram o maior patamar no terceiro trimestre, somando 628 pedidos, crescimento de 147% em relação ao mesmo período de 2024. Os pedidos de revendas somaram 31 solicitações no trimestre.

A recuperação judicial do Grupo Forte Agro engloba as empresas Forte Agro Ltda e Pró Campo Comércio de Máquinas e Equipamentos Ltda, os produtores rurais Luciano Aldacyr Perozzo e Rodrigo Nogueira Lima. O grupo atua no comércio de máquinas agrícolas, insumos, produção de grãos e pecuária e pretende estruturar um passivo de R$ 260 milhões.

 

Na decisão, à qual a reportagem teve acesso, o juiz acatou as alegações de que o grupo entrou em crise econômico-financeira a partir de 2023, devido a fatores externos, com destaque para a alta dos juros, que encareceu o crédito rural e reduziu a demanda por máquinas e insumos. Também foram citados como fatores para a crise a retração do mercado, o aumento dos custos de produção, eventos climáticos e conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia.

 

O grupo também foi afetado diretamente pela inadimplência generalizada dos produtores rurais, muitos deles em recuperação judicial. De acordo com os dados do processo, o Grupo Forte Agro acumula créditos não recebidos da ordem de R$ 50 milhões.

A situação do grupo foi agravada pela oferta escassa de crédito rural e pelo encarecimento das operações financeiras, com a elevação das taxas de juros, o aumento dos custos de produção e a instabilidade no mercado.

 

Laudo

 

Como parte do processo, foi realizada a constatação prévia da situação financeira do grupo por um perito judicial, confirmando que o grupo mantém as atividades regulares e é economicamente viável.

 

“Após análise documental exaustiva e diligência in loco, o perito atestou a efetiva existência, regular funcionamento e manutenção das atividades empresariais e rurais desenvolvidas pelas requerentes, afastando qualquer indício de empresa inativa, fictícia ou inviável”, afirmou o juiz no processo.

 

A perícia também reconheceu a existência de garantias cruzadas, gestão centralizada e atuação conjunta no mercado pelos integrantes do grupo. Com esse laudo, o juiz deferiu a recuperação judicial e determinou a suspensão das ações de execução de dívidas do grupo por 180 dias e a suspensão provisória de protestos e negativações em cadastros de inadimplentes.

 

O advogado Rogério de Lellis Pinto foi nomeado administrador judicial do Grupo Forte Agro durante a recuperação judicial. O Grupo Forte Agro terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação judicial, que será submetido à análise dos credores e da Justiça (Globo Rural, 8/1/26)