Lavoro anuncia fechamento de 70 lojas no Brasil

Em 30 de junho de 2024, a Lavoro possuía 223 lojas físicas na América Latina, das quais 187 no Brasil e 36 na Colômbia. Foto Divulgação
O prazo específico e localidades não foram divulgados.
Após amargar um prejuízo líquido de R$ 267,1 milhões no primeiro trimestre do ano fiscal de 2025 (de julho a setembro de 2024), a distribuidora de insumos Lavoro anunciou ontem que fechará 70 lojas no Brasil.
Os locais das unidades que serão atingidas não foram divulgadas, mas o número representa cerca de um terço de todas as lojas que a Lavoro tem na América Latina. Em junho de 2024, a companhia possuía 223 lojas físicas na América Latina, das quais 187 eram no Brasil.
O CEO da Lavoro, Ruy Cunha, disse ao Valor que espera, com a medida, “ganhos importantes em despesas e capital de giro ao longo dos próximos meses”. A companhia disse em teleconferência com analistas que planeja concluir o fechamento das unidades até o fim de março.
A situação da Lavoro deteriorou-se no último trimestre. No mesmo trimestre do ano fiscal anterior, o prejuízo havia sido menor, de R$ 71 milhões. A companhia atribuiu a piora a um impacto de R$ 152,1 milhões em créditos tributários diferidos e de um aumento de R$ 60,7 milhões em custos financeiros.
Os resultados operacionais também foram piores. A receita da companhia, em reais, caiu 13%, totalizando R$ 2,05 bilhões, reflexo da queda dos preços de insumos no Brasil e das dificuldades de liquidez no setor, informou a Lavoro.
A empresa, que é listada na Nasdaq, teve uma baixa ainda mais acentuada na receita em dólares, de 24%, para US$ 370,2 milhões, afetada também pela desvalorização do real.
Apesar do recuo na receita, a margem bruta da Lavoro cresceu 3,2 pontos percentuais, para 15,6%, beneficiada por melhores condições de distribuição no varejo agrícola no Brasil. O lucro bruto aumentou 10%, a R$ 321,2 milhões, enquanto em dólares, caiu 4%, para US$ 57,9 milhões.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado em reais recuou 5%, totalizando R$ 54,4 milhões, pressionado pelo aumento de despesas operacionais, como custos com pessoal e provisões para inventário vencido.
Entre os segmentos, o Crop Care foi o destaque positivo, com crescimento de 68% na receita, alcançando R$ 293,7 milhões. Em contrapartida, a receita do segmento de varejo agrícola no Brasil recuou 23%.
Cunha disse que, embora as expectativas dos agricultores estejam melhorando no Brasil, a liquidez no setor deteriorou-se no fim do ano, com o agravamento da aversão ao risco entre fornecedores e instituições financeiras, principalmente após a ocorrência de recuperações judiciais de grandes players, como da Agrogalaxy, em setembro. Isso resultou em um aumento na aversão a risco entre fornecedores e instituições financeiras, com um consequente aperto nas condições de financiamento de inventário.
Cunha ainda afirmou que houve uma escassez de estoque em novembro e dezembro — já no segundo trimestre fiscal da Lavoro — que prejudicou a operação, especialmente para a safra de soja. Mas, segundo ele, o reabastecimento está sendo gradual mediante renegociação.
Diante desses desafios, a Lavoro revisou suas projeções para o ano fiscal de 2025. Agora, a empresa espera uma receita consolidada entre R$ 6,5 bilhões e R$ 7,5 bilhões, abaixo das estimativas anteriores. A companhia também não projeta mais um crescimento no Ebitda ajustado (Globo Rural, 3/2/25)