Lucas Bove e a perseguição na Alesp: O preço de ser um defensor do agro

Foto Reprodução Wikipedia
Por Paula Sousa
A Assembleia Legislativa de São Paulo não foi concebida para ser um palco de encenações teatrais, nem um tribunal de exceção onde se julgam pessoas em vez de atos legislativos. No entanto, o que acompanhamos nos últimos dias revela um fenômeno preocupante: a transformação da Casa de Leis em uma ferramenta de perseguição política, onde a eficácia de um mandato incomoda muito mais do que a retórica vazia da oposição. O alvo, desta vez, é o deputado Lucas Bove (PL), um parlamentar que cometeu o "erro" de ser produtivo demais em um ambiente que, muitas vezes, prefere o barulho à realização.
Recentemente, a oposição tentou elevar uma discussão acalorada em plenário ao patamar de "violência política de gênero". É espantoso ver como o termo é banalizado para silenciar o contraditório. O que presenciamos foi apenas um debate, inerente ao exercício do cargo, onde posições políticas colidiram.
Se parlamentares se sentem pessoalmente atacadas, fragilizadas ou "violentadas" por palavras discordantes em um debate público, talvez o ambiente legislativo — que exige fibra, estômago e capacidade de resposta — seja hostil demais para suas sensibilidades.
É decepcionante observar o uso de rótulos tão graves para descrever o que, no fundo, foi apenas uma derrota argumentativa que elas não souberam processar profissionalmente. A política não é um espaço para o cultivo de sensibilidades exacerbadas; é o espaço onde a verdade dos fatos deve prevalecer sobre o vitimismo estratégico.
Como mulher, conheço a fundo o peso da palavra "violência". A verdadeira violência contra a mulher não habita o terreno de um debate parlamentar; ela habita, silenciosamente, áreas dominadas por facções criminosas — territórios onde, ironicamente, setores da esquerda que hoje clamam por "ética" na Alesp raramente ousam pisar.
É um silêncio ensurdecedor.
Enquanto Lucas Bove é alvo de um Conselho de Ética por embates verbais, essas mesmas vozes se calam diante da realidade brutal enfrentada por mulheres em comunidades, ou mesmo diante de escândalos envolvendo figuras próximas aos seus próprios campos ideológicos, como o caso de agressão envolvendo o filho do presidente Lula. Onde estava a indignação seletiva? Onde estavam os cartazes e o clamor por justiça absoluta?
A hipocrisia é o combustível dessa perseguição. O que estamos vendo contra Lucas Bove não é uma defesa da dignidade feminina, mas uma instrumentalização da causa. É triste assistir a uma aliança de conveniência política onde a ex-companheira do deputado se une a alas do PSOL e PT — as mesmas alas que, em um passado recente, não hesitariam em atacar sua imagem e valores. É um casamento de interesses que tem um único objetivo: o assassinato de reputação de um parlamentar que ousa ser diferente e que não se dobra.
Não é coincidência que o ataque tenha se intensificado agora. Bove não é apenas um deputado estadual; ele é, hoje, a voz mais robusta do agronegócio paulista na Alesp. Em um estado que é a locomotiva econômica do país, ter um parlamentar que canaliza mais de R$ 4,2 milhões em emendas para o campo, que viabiliza maquinários essenciais para o pequeno produtor e que lidera pautas como o Endereçamento Rural Digital, é um incômodo insuportável para aqueles que fazem política baseada na estagnação.
Quando se tenta cassar um mandato, não se está apenas punindo um indivíduo; está se punindo o setor que ele representa. A esquerda militante não ataca Lucas Bove por suas falas; ela o ataca porque ele é um dos poucos que, com fatos e números, provou que o agro paulista não precisa de subsídios ideológicos, mas de segurança jurídica e infraestrutura. O "crime" de Bove, aos olhos de seus opositores, é o trabalho. Enquanto eles se perdem em discussões semânticas sobre o que é ou não decoro, Bove está nas cidades, entregando o que o eleitor pede: progresso.
O caso que tramita no Conselho de Ética da Alesp é, em essência, a cristalização do esvaziamento da política. É a tática do "quanto pior, melhor". Se não conseguem vencer nas urnas, se não conseguem superar o volume de investimento que Bove destina ao setor produtivo, tentam vencê-lo pelo desgaste, pela fadiga e pelo cancelamento.
A pressa em condenar, ignorando fatos, demonstra que o julgamento não é jurídico, é ideológico. É a misandria mascarada de justiça. É a tentativa de criar um ambiente onde qualquer voz conservadora, qualquer parlamentar que não se curve às pautas progressistas, seja sistematicamente silenciado sob a pecha de "agressor".
O eleitor paulista é inteligente. Ele sabe distinguir o trabalho real do espetáculo montado para a imprensa. Lucas Bove pode ter seus críticos, mas seus feitos falam por si. Em política, não é o que se fala que define o caráter, é o que se faz. Bove construiu pontes, asfaltou caminhos para o escoamento da produção e protegeu quem produz. Enquanto ele se dedica a essa missão, seus adversários se dedicam a destruir.
A Alesp não pode permitir que a perseguição política, movida por ressentimentos pessoais e orquestrada por uma esquerda que se perdeu em suas próprias contradições, dite o ritmo do trabalho legislativo. O povo de São Paulo elegeu Lucas Bove para ser a voz do agro, não para ser o alvo de uma caça às bruxas.
Que a justiça, no tempo certo, traga a verdade à tona. Mas que a sociedade, hoje, não se deixe enganar. O barulho ensurdecedor dos ataques contra Bove é apenas a prova do quanto ele incomoda — e do quanto o agronegócio paulista precisa, agora mais do que nunca, de defensores que não se calam diante da mentira. (Paula Sousa é historiadora, professora e articulista; 27/2/2026)

