Lucro da JBS salta 60% no 2º trimestre
Empresa registra ganho líquido de US$ 528,1 milhões entre abril e junho.
A JBS, maior empresa de carnes do mundo, anunciou na quarta-feira (13) um salto no lucro do segundo trimestre e uma receita trimestral recorde de cerca de US$ 21 bilhões, apesar de um ciclo da pecuária bovina nos EUA ainda desafiador e das tensões geopolíticas globais.
A companhia, que divulgou seus resultados pela primeira vez após listar suas ações na Bolsa de Valores de Nova York, registrou lucro líquido de US$ 528,1 milhões no segundo trimestre, uma alta de 60,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os resultados foram impulsionados principalmente pelo desempenho da subsidiária do segmento de frangos Pilgrims Pride nos EUA e pela resiliência de seus negócios de alimentos processados Seara no Brasil, informou a JBS.
Em entrevista à Reuters, o CEO global, Gilberto Tomazoni, destacou a fraqueza de seus negócios com carne bovina nos EUA, que representam cerca de um terço das vendas da empresa, onde o boi ficou mais caro para os frigoríficos.
Mas, embora essa unidade tenha apresentado margens negativas, outros segmentos da empresa mostraram força, incluindo as operações de carne bovina brasileira e australiana.
"Vivemos um momento desafiador em alguns dos nossos negócios... entregar margem (de 8,4%) dentro do contexto que temos aí... Estamos satisfeitos...", afirmou ele, citando a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustada do segundo trimestre, que foi de US$ 1,75 bilhão, queda de 7,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida atingiu US$ 20,99 bilhões, avanço de 8,9% versus um ano antes.
O negócio de carne bovina na América do Norte teve Ebitda ajustado negativo de US$ 233 milhões. Por outro lado, a Pilgrim´s registrou US$ 817,7 milhões no mesmo indicador, no segundo trimestre.
A tarifa americana de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina, também está pesando sobre frigoríficos em geral.
Tomazoni afirmou que a JBS responde por cerca de 15% das exportações brasileiras de carne bovina para os EUA, onde também opera diversas fábricas. O Brasil exportou 180 mil toneladas de carne bovina in natura para os EUA no primeiro semestre.
Por causa da tarifa, o CEO global comentou que algumas fábricas da JBS no Brasil interromperam brevemente a produção. Posteriormente, retomaram as atividades para redirecionar alguns produtos para outros mercados.
"O mais importante é que nossa plataforma foi construída levando em conta que esses fatores acontecem", afirmou, referindo-se a obstáculos como barreiras comerciais e sanitárias.
"Está ruim nos EUA, está bom no Brasil, está bem na Austrália, e o frango está em momento excelente," disse Tomazoni, referindo-se ao resultado da Pilgrim's e da Seara que, apesar da gripe aviária, entregou uma margem ajustada acima de 18%.
Um surto de gripe aviária no Brasil em maio também criou problemas, pois interrompeu parte das exportações de empresas do país sul-americano, o maior exportador mundial de frango, devido a embargos sanitários.
"A China não abriu ainda", disse Tomazoni, citando o principal importador do Brasil, embora outros países já tenham regularizado suas compras. Segundo ele, não há mais razões sanitárias para os mercados estarem fechados.
Tomazoni lembrou que a União Europeia também é um dos poucos destinos que ainda não retomaram as importações de carne de frango, mas ele tem expectativa de uma reabertura em breve. "A expectativa é que isso se resolva... eu espero que nas próximas semanas" (Folha, 15/8/25)

